Escalas

A determinação das escolas usadas na avaliação, em especial as quantitativas (1 a 5, 0 a 20), assim como aquilo que se considera “positivo” ou “negativo” (de modo impróprio, diga-se de passagem) é uma responsabilidade do decisor político enquanto legislador. Mas em todos os debates em torno da avaliação dos alunos, tudo se centra (com destaque para os aspectos maia desagradáveis) no papel dos professores na aplicação de tais escalas, com as suas naturais consequências.

Tem sido tradição que se considera “insuficiente” ou “não satisfatório” quando um aluno não atinge metade daquilo que, segundo as metas, objectivos ou outros cânones), deveria. Em vez de andarem sempre a martelar os professores por não serem bons aplicadores desse princípio e na ausência da coragem para assumir um sistema em que os alunos passam sempre com a média que alcançarem, por baixa que seja, poderiam então reformular as escalas ou os princípios que lhe estão subjacentes. No Ensino Básico, a transição passaria a ser aceite a partir de 35% das metas ou competências alcançadas, e no Secundário a partir dos 7 valores. Pronto. Fim de conversa. O decisor político/legislador assumiria as suas responsabilidades de forma clara e deixaria de se encobrir sempre na “maldade” dos docentes na avaliação dos alunos. A cobardia poderia dar lugar, por uma vez, a coragem e todos aqueles que se acoitam atrás dos poderes de cada momento (e agora vislumbram-se muitas cabeças que já lá estiveram mas não fizeram e agora querem que outros façam) poderiam deixar-se de conversas redondas, simulacros de argumentações e auto-desculpabilizações. E já nem falo nos “estudos” com metodologias tão inatacáveis quanto as dos estudos tipo-fmi ou tipo-ocde.

E isto aplica-se da Esquerda que está à Direita que com ela está aliada nisto pelo país, em defesa do sucesso, da municipalização, do século XXI, das “avenidas”, mais ou menos térreas, do sucesso na era da tecnologia que os parece deslumbrar. Dos especialistas e estudiosos verdascas aos azevedos, numa santa aliança em que os penduricalhos de esquerda parecem ter vergonha de destoar em tantas boas intenções e inclusividades.

E depois não digam que estou contra todas as mudanças. Gosto é que sejam assumidas com clareza por quem de direito. Porque talvez o primeiro “paradigma” a mudar seja o da falta de coragem política de quem decide e pode produzir legislação. Legislação que deve ser clara e concisa e não um emaranhado de diplomas entre-cruzados que é preciso depois ter formação ou contratar consultorias para interpretar.

(e depois há quem precise de pedrosos para a “sistematizar…)

A mim o que parece é que a nossa legislação em Educação é que é “do século XIX” com todos os seus requebros de juridiquês de juristas amadores, em carreira política. Façam as coisas às claras, assumam-se para além da conversa fiada e depois aguentem-se com as consequências. Ou falta-lhes os tintins para defender perante a opinião pública aquilo que verdadeiramente defendem?

Coluna

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2 thoughts on “Escalas

  1. Todas essas regras podiam / deviam estar bem definidas .
    Cada professor entregaria as suas avaliações antes da reunião de avaliação.
    Pauta preenchida antes e a tinta.
    “Histórias de amor” sobre este e aquele aluno —-esquece.
    —Há que subir um nível para o aluno não “chumbar “,ficar “retido ” etc , acabava ! Professores porreirinhos acabavam.
    Ponderações ???? Fica para analisar no fim ??? Só,só … numa situação limite e excepcional e iria dar um grande trabalho.
    Pedagogias da treta ?
    Cada vez será pior …e continuam as enormes injustiças.

  2. Bem… os profs e direções também adoram enterrar-se à força toda.
    Ha vinte anos atras ninguém entregava grelhas com NOTAS, setenta mil dias antes das reuniões de avaliação.
    Atualmente é o que se sabe. Facilitam facilitam e depois queixam-se…

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