Onde é que Eu Já (Ou)Vi Isto?

Quase todos os países europeus parecem estar orientados para uma descida dos níveis de dificuldade, a fim de permitirem aos alunos passar mais facilmente nos exames, numa tentativa (ilusória) de resolver o problema dos que não terminaram as licenciaturas dentro do prazo Para fazer com que os alunos se licenciem dentro dos prazos estabelecidos pela lei e para tornar a aprendizagem mais agradável, não se pedem mais sacrifícios mas, pelo contrário, procura-se atraí-los com a perversa redução progressiva dos programas e com a transformação das aulas num jogo interactivo superficial, baseado mesmo na projecção de slides e na apresentação de questionários de resposta múltipla. (Nuccio Ordine, A Utilidade do Inútil. Matosinhos: Kalandraka, 2016, p. 87)

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5 thoughts on “Onde é que Eu Já (Ou)Vi Isto?

  1. Tornar a aprendizagem agradável tem um efeito secundário interessante: a estupidificação generalizada.

    Pensava eu, ingenuamente, que os sistemas educativos tinham sido contrariados para combater a estupidificação, ei-los transformados nos veículos da estupidificação promovida pelo sistema, vergados à teoria de que para se ser feliz basta ter um naco de pão e um smartphone, em vez de dignidade e trabalho com condições.
    Assim se reduzem pessoas à categoria de consumidores acéfalos, incultos, embrutecidos e, com sorte, pobrinhos. A total animalização dos seres humanos.

    Sorrio quando oiço falar da promoção do “espírito crítico” nos alunos, algo de inacreditável, pois se nós professores nem somos chamados a dizer seja o que for das medidas estapafúrdias que sucessivos governos impõem, como é que podem vir dizer que querem pensamento crítico?

    Aliás, interrogo-em de onde poderá vir esse admirável pensamento crítico, num sistema que aceita acefalamente o domínio do dinheiro e da lei do medo em todas as suas vertentes, estando o proselitismo já devidamente legitimado pelas academias que entretanto o dinheiro comprou.

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  2. Comentário excelente, Alice. De acrescentar, a regra de ouro : pensar /viver um dia de cada vez! Ai de quem se atreva a perceber que as medidas de hoje se podem refletir por muitos anos.. Isso não interessa nada, como diria a senhora do reality show que tanto contribuiu, também, para a estupidificação. No ensino superior, como o que conta é o dinheiro que entra, o rigor, a exigência desapareceu_”há muitas nacionalidades e portanto não se pode exigir, como anteriormente “e toca a andar!

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  3. “há muitas nacionalidades e portanto não se pode exigir, como anteriormente “

    Nas vagas para estudantes internacionais entra tudo, desde que pague os 6000 euros anuais. Seleção zero.

    E bolonha ajudou a democratizar a coisa, com os trabalhos de grupo a compensarem notas baixas em exame.

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