Foi Tomada a Decisão que Estava Tomada Antes de o Ser

O secretário de Estado Costa anunciou o que se sabe há meses… que o 1º ciclo vai ser uma espécie de pout-pourri curricular, atomizando-se ainda mais um currículo que, em outros dias, se diz ser extenso. Não há nada como anuciar que há muitas disciplinas no 2º e 3º ciclo e que é um “coque” a transição e fazer um 1º ciclo à imagem dos outros.

Se concordo com uma forte aposta nas Artes e na “Educação Física” (hesito na expressão porque há “Expressão Físico-Motora” e “Motricidade Humana” a ganhar pontos como me dizem, com bom humor, alguns colegas da área)?

Claro que sim. Mas ao nível da oferta extra-curricular com actividades a sério e não apenas enche-chouriços ou como áreas de negócio para parcerias. Mas isso seria complicado, provavelmente não permitiria criar novos grupos de recrutamento como já se adivinha (já aconteceu com o 120 na fase de amor pelo Inglês), nem satisfazer algumas âncoras em busca de bom porto.

Aliás… até concordo com o reforço das Artes no 2º ciclo, mas isso é que não acontece, com a atomização da velha EVT a continuar e o par pedagógico morto e defunto. Mas se calhar, depois de terem dizimado o 240, agora nascerão (como na Madeira), quase pela certa o 140… o 150 e não tenho qualquer dúvida que o 160 (o mais garantido… com este ou outro número) com este “alinhamento do currículo”. Empurraram-se os “velhos” que eram caros… recrutam-se “novos”, baratinhos.

Artes no 3º ciclo? Isso é para a “autonomia”.

Não me incomodo muito se irritar umas quantas sumidades ao dizer que isto não passa da formalização de algo decidido longe de procedimentos transparentes, resultando de jogos de poder nos bastidores e de tomada de posições de grupos “amigos” de pressão no ME (e veremos se no resto do Básico não se vai notar a mão pesada de alguns outros grupos que cobrarão o apoio em algumas polémicas ou decisões políticas relativas ao “desenvolvimento curricular”), e que as provas de aferição do 2º ano foram uma forma muito mal disfarçada de legitimar a decisão. E até inútil, pois os resultados talvez não tenham sido os esperados e agora saca-se da sempre porreira OCDE para dar legitimidade à nova política (só falta convidarem o gualter para estudar o impacto da medida).

Como Casanova no mandato anterior era uma porta aberta para as pressões dos interesses privados na Educação, Costa tem vindo a demonstrar que é a janela escancarada para uma visão amiga do currículo, neste caso do 1º ciclo.

Por fim… uma curiosidade… este encontro do SE com “especialistas” (que raios… o ministro nunca aparece nestas coisas mais mediáticas?) em que tanto se falou, por exemplo, do pré-escolar, aconteceu em Paço de Arcos, num dos concelhos (Oeiras) que tem uma das piores coberturas da rede pública de pré-escolar. Desculpem… que tem a pior rede pública de pré-escolar. E o Isaltino está quase aí de volta e é todo municipalizador…

OeirasPre

Só sei dizer mal? Isto é um enorme progresso “curricular”?

Não propriamente. Acreditem que gostava muito de estar errado.

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2 thoughts on “Foi Tomada a Decisão que Estava Tomada Antes de o Ser

  1. No despacho da Flexibilidade, a EF passa a ter obrigatoriamente 4 tempos semanais no 9º ano, nos restantes não pode ter menos de 3 tempos.

    Quem manda?

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