O Regresso dos Tesourinhos Deprimentes

É bem verdade que estas coisas nunca desapareceram, que em todas as escolas é preciso enroupar documentos com palavreado para fazer o boi dormir, mas este documento com data de 17 de julho é um manancial imenso. As partes destacadas já me chegaram assim por quem me enviou. E estas nem são as melhores.

Só espero que isto não se generalize como incêndio em eucaliptal. Mas as esperanças são poucas porque anda a verdascar forte e tem a legitimação da católica lá de cima.

E lá voltam(os) aos PCT…

PCTPCT1

E o que dizer das práticas pedagógicas “inovadoras” de que se espanejaram as teias de aranha?

PCT2PCT3

E agora a parte melhor, a da avaliação do “projecto” que até mete a OCDE e tudo, porque isto é em grande e o schleicher virá cá confirmar (ou o santiago, caso ele não possa).

Espanta-me a falta da variação “auto”.

AvaliaFlexAvaliaFlex1

 

 

14 thoughts on “O Regresso dos Tesourinhos Deprimentes

    1. Ó Paulo Prudêncio
      Eu também nunca tinha visto isto!
      Aliás, exceptuando a católica do norte, é impossível que alguém tenha ouvido falar de
      visão interdisciplinar do currículo
      plano curricular de turma
      aprendizagens a priorizar
      equipas educativas
      integração disciplinar
      trabalho de natureza interdisciplinar
      articulação disciplinar
      monitorização
      ajustamentos
      aprendizagens de qualidade
      autorregulação
      apropriação de conhecimentos
      atividades cooperativas
      blá, blá, blá…

      Agora é que é
      Até porque vamos ter
      “O desenvolvimento de competências de nível elevado, incidindo em atividades de pesquisa, análise, síntese, avaliação e comunicação”
      Já não era sem tempo!

      Gostar

  1. Tanta verborreia para justificar a consultora… Que tal virem para as escolas, integrarem os CTs e mostrarem como se faz, porque eu, mero zeco, não sou capaz… Estou a sentir cá um ímpeto que até já me sinto doente.

    Gostar

  2. Pois, nada disto é novo. Umas alíneas a mais, eufemismos e redundâncias a mais e a articulação vertical com consultadorias superiores que têm de escoar de tanta produção em Ciências da Educação no ensino superior. A serem pagas.

    Vamos supor que tudo isto é interessante e vai no sentido de 1 escola do séc XXI.
    Mas, levanta-se a questão prática: tem condições para ser bem sucedida?

    Os requisitos necessários, a nível organizativo das escolas, de programas e currículos estão pensados? Os horários de trabalho dos professores (que se mantêm) foram pensados? O envelhecimento do corpo docente também? E os colegas que têm 6, 7 turmas, muitos com níveis diferentes e salas de aulas cheias?
    Que motivação a nível profissional são dadas?
    Como professores, sabemos que temos de motivar os nossos alunos.
    Mas, como professores sabemos (como todos os profissionais) que tem de haver motivação.
    E não há.
    Quer-se uma supersestrutura nova assente numa infraestrutura que não aguenta.

    O resultado só pode ser mau. Mau para todos.

    Gostar

  3. Depois, ainda há um outro tipo de desmotivação mais de proximidade e que tem a ver com a gestão das escolas e do despotismo de muitos dos seus directores.

    – cartão para “picar” o ponto;
    – o horário docente só é sabido no começo do ano lectivo e o director não ouve quaisquer propostas. Nenhum professor sabe com o que contar.

    Como é que isto se compagina com uma escola do séc XXI? Com a s diferenciações, transversalidades, flexibilidades, trabalhos de projecto,…….?

    Acaso 1 professor assim “aprisionado” e rebaixado tem condições de trabalhar Cidadanias e Desenvolvimentos de competências sociais?

    Como pode?

    Gostar

  4. Estão à espera de novas cadeiras e carteiras, estores, quadros, computadores, redes funcionais de internet??? Esqueçam!

    A janela de oportunidades do portugal 2020!!!

    Daqui a 20 anos continuaremos a lamentar e a questionar os destinos das verbas comunitárias! E, a estar, na cauda da europa!

    Gostar

  5. DE 2001… SIM, DE 2001… de 2001 – 2001… 2001
    (2001, a título de exemplo…)
    qual inovadorismo, qual criatividade, qual novo, … qual quê…

    Decreto-Lei nº 6/2001

    Muito do que aqui se institui decorre do velhinho 115-A/ 98 (o tal da autonomia… e se procurarem publicações específicas, da época, sobre matérias aqui versadas, os paralelismos são agoniantes)

    Artigo 2º- Currículo
    1 — ….
    2 — As orientações a que se refere o número anterior definem ainda o conjunto de competências consideradas essenciais e estruturantes no âmbito do desenvolvimento do currículo nacional, para cada um dos ciclos do ensino básico, o PERFIL DE COMPETÊNCIAS terminais deste nível de ensino, bem como os tipos de EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS que devem ser proporcionadas a todos os alunos.
    3 — As estratégias de desenvolvimento do currículo nacional, visando adequá-lo ao CONTEXTO DE CADA ESCOLA, são objecto de um PROJECTO CURRICULAR DE ESCOLA, concebido, aprovado e avaliado pelos respectivos órgãos de administração e gestão.

    4 — As estratégias de concretização e desenvolvimento do currículo nacional e do projecto curricular
    de escola, visando adequá-los ao contexto de cada turma, são objecto de um PROJECTO CURRICULAR DE TURMA, concebido, aprovado e avaliado pelo professor titular de turma, em articulação com o conselho de docentes, ou pelo conselho de turma, consoante os ciclos.

    Artigo 3º – Princípios orientadores
    A organização e a gestão do currículo subordinam-se aos seguintes princípios orientadores:

    a) COERÊNCIA e SEQUENCIALIDADE entre os três ciclos do ensino básico e articulação destes com o ensino secundário;

    b) INTEGRAÇÃO do currículo e da avaliação, assegurando que esta constitua o elemento regulador
    do ensino e da aprendizagem;

    c) Existência de áreas curriculares disciplinares e não disciplinares, visando a realização de APRENDIZAGENS SIGNIFICATIVAS e a FORMAÇÃO INTEGRAL dos alunos, através da ARTICULAÇÃO e da CONTEXTUALIZAÇÃO dos saberes;

    d) Integração, com carácter TRANSVERSAL, da educação para a cidadania em todas as áreas
    curriculares;

    e) Valorização das aprendizagens experimentais nas diferentes áreas e disciplinas, em particular,
    e com carácter obrigatório, no ensino das ciências,promovendo a integração das dimensões
    teórica e prática;

    f) Racionalização da carga horária lectiva semanal dos alunos;

    g) Reconhecimento da AUTONOMIA da escola no sentido da definição de um PROJECTO DE DESENVOLVIMENTO DO CURRÍCULO adequado ao seu CONTEXTO e INTEGRADO no respectivo PROJECTO EDUCATIVO;

    h) Valorização da DIVERSIDADE DE METODOLOGIAS e ESTRATÉGIAS DE ENSINO e ACTIVIDADES de APRENDIZAGEM, em particular com recurso a tecnologias de informação e comunicação, visando favorecer o desenvolvimento de competências numa perspectiva de FORMAÇÃO ao LONGO DA VIDA;
    i) Diversidade de ofertas educativas, tomando em consideração as necessidades dos alunos, por
    forma a assegurar que todos possam desenvolver as COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS e ESTRUTURANTES definidas para cada um dos ciclos e concluir a escolaridade obrigatória

    Artigo 5º- Organização
    1 — São aprovados os desenhos curriculares ….
    2 — Os desenhos curriculares dos três ciclos do ensino
    básico integram áreas CURRICULARES DISCIPLINARES e NÃO DISCIPLINARES, bem como,…

    3 — Para efeito do número anterior, consideram-se as seguintes áreas curriculares não disciplinares:

    a) Área de projecto, visando a concepção, realização e avaliação de projectos, através da ARTICULAÇÃO DE SABERES DE DIVERSAS ÁREAS CURRICULARES, em torno de PROBLEMAS ou temas de PESQUISA ou de INTERVENÇÃO, de acordo com as necessidades e os INTERESSES DOS ALUNOS;

    b) Estudo acompanhado, visando a aquisição de competências que permitam a apropriação pelos
    alunos de métodos de estudo e de trabalho e proporcionem o DESENVOLVIMENTO DE ATITUDES e
    de CAPACIDADES que favoreçam uma cada vez maior AUTONOMIA na realização das aprendizagens;

    c) Formação cívica, espaço privilegiado para o desenvolvimento da EDUCAÇÃO PARA A CIDADANIA,
    visando o desenvolvimento da CONSCIÊNCIA CÍVICA dos alunos como elemento fundamental no processo de formação de cidadãos RESPONSÁVEIS, CRÍTICOS, ACTIVOS e INTERVENIENTES, com recurso, nomeadamente, ao INTERCÂMBIO de experiências vividas pelos alunos e à sua PARTICIPAÇÃO, individual e colectiva, na vida da turma, da escola e da comunidade.

    4 — O desenvolvimento das áreas curriculares não disciplinares assume especificidades próprias, de acordo com as características de cada ciclo, sendo da responsabilidade do professor titular de turma, no caso do 1º ciclo, e do conselho de turma, no caso dos 2º e 3º ciclos.

    5 — As escolas, no âmbito da sua AUTONOMIA, devem desenvolver outros PROJECTOS e ACTIVIDADES que contribuam para a FORMAÇÃO PESSOAL E SOCIAL dos alunos, nas
    quais se inclui, nos termos da Constituição e da lei, a Educação Moral e Religiosa, de frequência facultativa.

    6 — As orientações para as diversas áreas curriculares dos três ciclos do ensino básico, incluindo os conteúdos programáticos das áreas disciplinares, são homologadas por despacho do Ministro da Educação.
    7 — No respeito pelos limites constantes dos desenhos curriculares a que se refere o nº 1 do presente artigo, compete à escola, no desenvolvimento da sua AUTONOMIA e no âmbito do seu PROJECTO CURRICULAR, DEFINIR as CARGAS HORÁRIAS a atribuir às diversas componentes
    do currículo.

    Artigo 6º – Formações TRANSDISCIPLINARES
    1 — A educação para a cidadania bem como a valorização da língua portuguesa e da dimensão humana do trabalho constituem formações transdisciplinares, no âmbito do ensino básico.
    2 — Constitui ainda formação transdisciplinar de carácter instrumental a utilização das tecnologias de
    informação e comunicação, a qual deverá conduzir, no âmbito da escolaridade obrigatória, a uma certificação da aquisição das competências básicas neste domínio.

    ISTO É UM REGURGITAR PERMANENTE…

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.