Reversão ou Troca?

Agosto começou, o mês de férias dos professores (daí ser o mais caro), a menos que existam termos por assinar, reapreciações por fazer ou outra tarefa que tenha permitido a troca com uma semana em Julho.

Daqui por um mês estaremos a começar mais um ano lectivo em que nos pedirão mais por menos ou (com sorte, muitíssima sorte) pelo mesmo.

Daqui por dois meses estará em a ser ultimado o orçamento para 2018, a partir do qual poderemos ver em que prioridade estamos nas preocupações do governo. Mesmo nas eleitoralistas. Sabemos as promessas, veremos os actos.

A mim parece-me que o que já está em desenvolvimento não é bem uma reversão, pois não estou a ver ninguém que, a menos que tenha casado e tido dois filhos, ganhe mais agora do que em 2009 ou que tenha menos horas no horário semanal do que em 2007.

Para os professores de carreira, sem vergonha de o ser e sem aquela tentação ou apelo de parecer bem a estes ou aqueloutros, há uma década que se perde materialmente e se trabalha mais (sim, eu sei que há os santinhos que dizem que os professores “velhos” não fazem nada, mas eu tenho dois dedos do meio disponíveis para tratar do assunto se me acusarem disso). Mas – mesmo a partir de dentro da própria “classe” profissional – querem-nos fazer acreditar que não, que ainda temos imensos privilégios e que devemos pensar nos sem-abrigo do lesotho para percebermos como somos bafejados pela sorte. Claro que é daquela malta que diz isso agora para ver se arranja espaço, mas quando o tivesse diria logo outra coisa.

Adiante.

Queria eu dizer que para 2018 o melhor que se deve conseguir, com direito a parangonas e foguetório, é recuperar um pouco do perdido em troca de qualquer outra coisa ou coisas. Do género, nós damo-vos uma parcela do que vos foi retirado pelos nossos antecessores (incluindo correlegionários e mesmo actuais governantes, em especial os que há uns anos primaram pela ausência e silêncio no que se passou, só acordando na parte final do passo e crato), desde que vocês façam o que queremos. E vão dizer-nos que isso  será uma enorme conquista nossa e uma imensa generosidade deles.

Tiraram-nos a panela e a sopa e agora vão devolver-nos a panela se lhes dermos mais sopa.

Dificilmente será algo muito diferente mas, como vos disse, vão apresentar tudo como se fosse uma proeza digna de fogo preso e estalinhos de Carnaval.

FogoArtificioPenisGlasgow

E o conspirativo, corporativo, desconfiado e digno de desconfiança serei eu.