Música de Férias

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Erro de Leigos

O Expresso anuncia, em modo sensacionalista:

Onze ministros com negativa no exame

Ora bem… isto é matéria que exige análise rigorosa, por ser matéria de extrema importância na estação idiota das notícias nacionais, aquela em que, a par da listagem dos destinos de férias da nossa média sociedade com aspirações a alta, se faz a avaliação do desempenho de governantes transitórios e outros mais inoxidáveis (vejam lá se os silvas correm algum risco…)..

Para começar… não há “exames” com uma escala de 1 a 5, só podem existir “provas finais” (nem sequer de aferição, as mais melhores boas que não são quantificadas) do 9º ano. Por outro lado, estranha-se (ou não) que se use a escala de avaliação do “básico” para avaliar ministros, não se recorrendo à escala dos 20 valores do “secundário” e “superior”.

Mas vejamos as coisas com mais atenção:

Ministros

Comecemos por uma questão “terminológica”… não devemos usar a designação “negativa” para designar uma classificação menos satisfatória, porque pode ser traumatizante para quem a recebe. Mesmo que usemos esse tipo de linguajar anacrónico, nunca teríamos 11 ministros com nota “negativa” porque desde que a tabela de excel dê 2,5 isso equivale a 3, ou seja, a uma “positiva.

Na meia dúzia que fica, encontramos o ME, ele mesmo, com 2,4, o que é quase 2,5 (=3, relembre-se) pelo que se vota para que o rapaz passe, pois até é simpático e bem intencionado. Embora não perceba nada da matéria, também não parece que um ano “retido” sirva de grande coisas e que ele passe a compreender todas as aprendizagens que deveria ter adquirido muito antes de se meter nestas coisas.

Nos cinco que restam encontram-se duas mulheres e dois homens com défice visual. Dar-lhes classificação insatisfatória seria algo que só demonstraria os preconceitos discriminatórios d@s avaliador@s, visto ser sobejamente sabido que não se devem penalizar pessoas com handicaps (se tinham dificuldades, deveriam ter ido a todas as aulas com os colegas e tinham direito a instrumentos de avaliação adaptados) e muito menos exercer qualquer tipo de violência de género ou há ali um sector do bloco socialista-bloquista que se passa completamente dos carretos conn(v)osco.

Resta o senhor da Economia, mas esse tem um apelido (ó meus amigos, um Herédia é um Herédia) que é suficiente para percebermos que poderia ter feito uma transferência a tempo para um colégio que lhe assegurasse todo o sucesso que merecem as boas famílias com boas conhecimentos e ligações. Se ficou numa escola pública foi por distracção e não devemos penalizá-lo por isso *. Quanto muito exige-se uma prova de equivalência à frequência e despacha-se em 2ª fase e não se fala mais nisso, porque os termos tinham de estar assinados ontem, dia 4 de Agosto.

Sucesso total, portanto, ao contrário do que o shôr jornalista anuncia, desconhecedor certamente da forma como as coisas se passam e acontecem entre nós em matéria de avaliação das aprendizagens. E temos sempre de ter em atenção o contexto dos avaliados, que, no caso em apreço, é de um grupo particularmente desfavorecido por uma multiplicidade de factores intrínseco e outros tantos extrínsecos.

ZepovinhoSilvaCarvalho

* – Recomendo vivamente a leitura do seu currículo (do início de 2009) para se perceber o cuidado colocado nas participações em programas televisivos e radiofónicos, bem como na enumeração das vezes em que surgiu citado em artigos de jornal.

Ao Menos Valeu a Pena?

Ou andaram aos tostões? Se há coisa pior do que certas práticas duvidosas é a sua pinderiquice. A sujarem-se que seja por algo que se veja.

O Ministério Público está a investigar vários ministros e secretários de Estado do segundo Governo de José Sócrates por suspeitas de ilegalidades no uso de dinheiros públicos e o caso, que envolve membros do atual Executivo, tem já arguidos. Tudo teve início em 2012, com uma queixa-crime da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, que, após análise às contas dos gabinetes daquele Executivo, em funções entre 2009 e 2011, considerou haver indícios de uso indevido de dinheiro dos cofres públicos. 

Contactada esta semana pelo SOL, a Procuradoria-Geral da República confirmou que a investigação inédita ainda está a decorrer: «O inquérito relativo à matéria em causa continua em investigação». Oficialmente, o gabinete de Joana Marques Vidal assegurou que já foram constituídos arguidos, recusando no entanto divulgar a sua identidade ou referir se se trata de algum atual ministro. É a primeira vez que o Ministério Público está a investigar despesas pagas por governantes no exercício de funções.

Justiça