Sorteio?

José Eduardo Lemos propõe o sorteio como alternativa ao domicílio para determinação das matrículas nas escolas públicas, depois de aplicados outros critérios de preferência (continuidade do percurso, familiares na escola, etc). Num primeiro momento, a ideia até atrai pela justiça que aparenta.

Mas… num segundo momento um tipo pensa melhor e estranha um ou dois detalhes. Por exemplo, só as escolas mais procuradas teriam direito a esse sorteio? As “melhores”? E quem não fosse sorteado? Ia para que escolas, de acordo com que mecanismo? Haveria sorteios sucessivos, tipo euromilhões?

Eu percebo a lógica, a sério que percebo, até porque é um dos métodos que já considerei para outras situações (frequência de escolas privadas com contratos de associação), mas há algo que me parece estranho. Não sei se é porque me dizem que há menos alunos ou porque as escolas públicas têm estado em descida nos rankings que estranho esta coisa de agora as matrículas se terem tornado tão polémicas em algumas escolas públicas.

Só mais um pormenor, que sei que resulta daquela minha embirração sistemática… faz sentido José Eduardo Lemos terminar o seu texto citando uma ex-ME (claro, MLR) que, após ter sido d@s governantes que ocupou mais tempo o cargo, agora se queixa de um mecanismo de matrículas que cria “segregação residencial”? O que fez ela para controlar os abusos dos seus mandatários na definição da rede escolar e das turmas autorizadas a abrir em muitas zonas? Ou para modificar esta parte da legislação? Faltou-lhe o tempo?

Não me apetece ser politicamente correcto com estas tretas. A verdade é que isto não está na ordem do dia porque há “segregação”, que essa sempre houve (infelizmente) e as queixas nunca foram tão ferozes e com tanto eco mediático.

O que me parece é que desta vez tocou a alguém que não deveria estar habituado a que lhe saísse a fava. Que irá moendo até conseguir o que quer. 

O sorteio, neste caso, será apenas a forma menos problemática de algumas pessoas conseguirem dizer “não!”, desresponsabilizando-se pela decisão e poupando na coragem. E de outras não procederem a uma efectiva fiscalização das regras em vigor ou, se têm falhas, na sua clarificação. Tanta porc(t)aria e despacho que por aí há e não se arranja nada nesta matéria?

Zepov

 

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Barreiro, 1994/95

Mais papeladas que aparecem com as arrumações, daquelas que ainda ficaram em disquetes de 5 1/4 e a que é difícil aceder em formato digital (só a partir de 1995 passei as coisas para discos rígidos de forma quase sistemática).

Tem a curiosidade de ser algo feito na única escola (agora em agrupamento) por onde passei que aderiu ao pafismo curricular e umas das poucas em todos estes arredores, porque aqui a malta é céptica, a menos que seja dos escuteiros.

Foram projectos (sim! já tinham sido descobertos) desenvolvidos com turmas nocturnas do 2º ciclo, muito complicadas a vários níveis, com articulação entre todo o Conselho de Turma que era curto para quem se lembrar do regime desses tempos (com disciplinas que agora fariam as delícias das abordagens transversais como O Homem e o Ambiente em par pedagógico com os professores de Português e Matemática).

Percebe-se bem pelo grafismo que a coisa é mesmo muito datada com aquelas grelhas, muito angulares, que ameaçam estar de volta. Ainda bem que guardei isto… está sempre actual e no segundo projecto basta mudar uns detalhes sobre o concelho d’agora, que é mesmo ao lado.

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