A “Guerra” dos Manuais

Continua em pleno Estio em diversas frentes. Sim, os grandes grupos editoriais estão à frente do Estado na produção de recursos digitais porque existiu uma espécie de tordesilhas nos negócios tecnológicos desse mesmo Estado, que preferiu a concentração do investimento massivo em hardware facilmente desactualizado do que na produção de materiais acessíveis para uso dos alunos. O que existe para apoio às aprendizagens são quase sempre coisas teóricas e metodológicas e, em diversos casos, com produção de tipo artesanal. Basta ver o que existe em matéria de recursos no portal das Escolas e o número ínfimo de visualizações que aquilo tem; o recurso mais visto tem para aí as mesmas visualizações que este blogue no seu pior mês (Dezembro de 2016).

Porquê, se quase toda a gente está sempre a falar do século XXI e da necessidade dos alunos se adaptarem a uma permanente mutação tecnológica e a dominarem a literacia digital?

Em tenho um par de explicações, baseadas em coisas que me são contadas, mas depois dizem que sou conspirativo. Digamos que, por um lado, ao contrário de outras áreas que vão tendo a devida recompensa por serviços prestados, na área das TIC os grandes negócios têm os seus lobbys instalados a outros níveis. Por outro, há quem tenha tido o cuidado de “neutralizar” em devido tempo alguns “activos” que poderiam interferir nos interesses em jogo. Em nome da (não) concorrência.

Quanto aos manuais propriamente ditos, a incapacidade (apesar de ocasionais acessos de bravata dest@ ou aquel@ governante) do poder político (público) regular o mercado (privado) e os preços é evidente e quando alguma tentativa é feita, é meio de cernelha e quase sempre a usar os professores como bodes expiatórios. Porque não é razoável que um “bloco pedagógico” para o 2º ou 3º ciclo do Ensino Básico ronde quase os 40 euros por disciplina.

Se a desmaterialização é para baixar para 5-6 euros o preço dos manuais digitais, tudo bem. Mas se isso implicar a compra de um equipamento de mais de uma ou duas centenas de euros que fica desactualizado num par de anos, mais vale esquecermos essa conversa. Porque aposto que as campanhas desses grandes grupos editoriais – em parceria com operadores de net e marcas de equipamentos – seriam mais esmagadoras do que qualquer e-escolinha.

Money

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