Dedução/Indução

Há quem ache que se devem ensinar os conhecimentos gerais que temos sobre diversas matérias e exemplificar com casos concretos da sua aplicação, no sentido de comprovar as “leis” do conhecimento científico que alcançámos até agora. E há quem ache que se deve partir dos casos concretos para exemplificar os tais princípios científicos gerais. São duas concepções do que deve ser o ensino. Uma delas é muito mais “económica”, pois evita ter de fazer um percurso já feito. A outra quer obrigar, em nome da “descoberta” do que já foi descoberto, os alunos a fazer um processo de acumulação de casos para que percebam que existe uma regularidade. São duas formas de encarar as coisas; por delicadeza vou dizer que são quase equivalentes em termos de “lógica” de todo o processo de ensino e aprendizagem. Claro que, pessoalmente, acho sempre um disparate obrigar os miúdos a, como regra, percorrer caminhos já desbravados. Ou nos erguemos nos “ombros dos gigantes” para ir mais longe ou estamos sempre a “descobrir” o mesmo porque é muito fun-fun-fun. Ser criativo é algo muito diferente disso. E ser crítico ainda mais. Mas há quem ache graça a estas coisas e quando chegam ao poder é aturá-los. Porque eles continuam anões e nem sequer são da família de lannister.

isaacnewton

Até foi um Prazer

Claro que não há “vício” nenhum. Tudo é possível no admirável mundo velho da avaliação. Há é malta que não lê bem todas as leis e desconhece todos os alçapões e passagens secretas que existem nos procedimentos em vigor.

E preparem-se porque a nova moda é mesmo esta: nem voltar a reunir os Conselhos de Turma (recordemos que muito se tem dito que são eles os responsáveis pela avaliação dos alunos) para alterar classificações; porque há professores que já terminaram contrato, outros já de férias e é melhor ser tudo por via administrativa. Aliás, para além de trazerem certificação ao nascimento, os futuros alunos, ao entrar numa escola, até em consonância com aquela de poderem andar a mudar de disciplinas desta e aquela via, teriam todo o interesse em começar logo a definir as notas a ter no final do ano. Para não se sentirem “prejudicados”.

Eu percebo o que se terá passado. O “vocacional” em causa terá sido descontinuado, quem chumbasse ficava (em termos legais) sem grandes alternativas para continuar estudos ou ter a sua certificação final e vai daí o CP distribui as prebendas estivais. Há uma outra alternativa – a da efectiva injustiça das classificações atribuídas – mas nesse caso o final do ano lectivo parece-me um momento muito tardio para tal intervenção de força.

A verdade é que os “vocacionais” foram feitos para terem 110% de sucesso e despachar uma série de alunos do “sistema”. Nem estou a dizer se sim se não, apenas que foi uma mistificação. Que terminou para dar lugar a outras mistificações ou “estratégias” para a promoção do sucesso.

Isto não é para levar vagamente a sério. A escola do século XXI é a do sucesso automático. Têm créditos extra se fizerem muita Educação Física do 1º ao 12º ano e beberem leite magro com fibras e comerem alfaces com sementes de sésamo ao pequeno almoço.

clown