Até foi um Prazer

Claro que não há “vício” nenhum. Tudo é possível no admirável mundo velho da avaliação. Há é malta que não lê bem todas as leis e desconhece todos os alçapões e passagens secretas que existem nos procedimentos em vigor.

E preparem-se porque a nova moda é mesmo esta: nem voltar a reunir os Conselhos de Turma (recordemos que muito se tem dito que são eles os responsáveis pela avaliação dos alunos) para alterar classificações; porque há professores que já terminaram contrato, outros já de férias e é melhor ser tudo por via administrativa. Aliás, para além de trazerem certificação ao nascimento, os futuros alunos, ao entrar numa escola, até em consonância com aquela de poderem andar a mudar de disciplinas desta e aquela via, teriam todo o interesse em começar logo a definir as notas a ter no final do ano. Para não se sentirem “prejudicados”.

Eu percebo o que se terá passado. O “vocacional” em causa terá sido descontinuado, quem chumbasse ficava (em termos legais) sem grandes alternativas para continuar estudos ou ter a sua certificação final e vai daí o CP distribui as prebendas estivais. Há uma outra alternativa – a da efectiva injustiça das classificações atribuídas – mas nesse caso o final do ano lectivo parece-me um momento muito tardio para tal intervenção de força.

A verdade é que os “vocacionais” foram feitos para terem 110% de sucesso e despachar uma série de alunos do “sistema”. Nem estou a dizer se sim se não, apenas que foi uma mistificação. Que terminou para dar lugar a outras mistificações ou “estratégias” para a promoção do sucesso.

Isto não é para levar vagamente a sério. A escola do século XXI é a do sucesso automático. Têm créditos extra se fizerem muita Educação Física do 1º ao 12º ano e beberem leite magro com fibras e comerem alfaces com sementes de sésamo ao pequeno almoço.

clown

15 thoughts on “Até foi um Prazer

  1. No caso dos vocacionais, a Educação Física até poderá ter tido menos carga horária que o ensino regular, nunca mais. E, regra geral, as áreas vocacionais nem contemplavam essa área nas componentes vocacionais, já que era preencher horários de professores de outros grupos.

  2. Percebe-se a solução para os vocacionais. Não se percebe a forma como a solução foi executada. Deve haver muitas escolas que ficaram com este problema por resolver. Terão de o fazer sem suporte legal.

  3. Não percebo nem a solução nem a forma!
    Mas… será que, forçosamente, quem tem uma inscrição na escola tem que ter, garantidamente, um certificado de conclusão… mas já nada depende do trabalho, do empenho e do mérito?

    Mas que linda via para desprestigiar todo o ensino e a escola!- Que é isto que anda a ser feito, não duvido! E não creio que seja por acaso!

    Ou, será que numa perspectiva mais pragmática mas politicamente incorrecta, empurra-se o lixo para fora de casa? (Acontece, acontece… oh se acontece…)

    Mas, na educação, vale tudo! E, pelo andar da carruagem, é fácil vislumbrar que o poço não tem fundo! Na verdade, não pára de surpreender como se pode ir ainda mais fundo…

    Sugiro que, se acabem com os conselhos de turma… os conselhos pedagógicos que avaliem os alunos e tudo o resto que houver para avaliar … e sobrava mais tempo para preencher grelhas, formulários e tabelas, fazer estatísticas, análises, justificações, relatórios, preenchimento de plataformas, projectos, planos, planinhos e planões,…

    Não houve vicío de forma???- será mesmo???
    *Lá por serem vocacionais, que habitualmente, acabam na 2 quinzena de julho, nomeadamente por prof. colocados tarde e que para além das aulas que teriam que dar desde o inicio do contrato ainda têm que dar (sem mais) as anteriores à sua contratação; nomeadamente por alunos que faltam, faltam, voltam a faltar e andam os prof com recuperações, recuperações e mais recuperações… em qualquer dos casos compete às direcções conhecer as necessidades/ problemáticas e assegurar os recursos humanos e calendarizações/ prazos à conclusão do ano escolar… se há contratos que terminam…ups…esses horários sempre tiveram lá os voc… má gestão. ..se há prof em férias… má gestão … será que existem muitos constrangimentos administrativos/ jurídicos?- o ministério que os resolva pois terá sido ele a criá-los…mas não ouço as associações de directores levantá-los… logo… porque razão não terão sido convocados os conselhos de turma como prevê a legislação ?

    * Terão todos os EE metido recurso das notas, como prevê a lei?

    * Se não o fizeram, que razões previstas na lei para apreciação de situações específicas de determinados alunos e não das especificidades de muitos outros que, coitadinhos, também chumbaram mas têm o “azar” de frequentar outras vias? …
    … mudem de curso, ingressem em ano “equivalente” ao frequentado e com a ajuda dos muitos planos de combate ao insucesso que o ME está farto de alardear ( apoios, projectos, turmas sucesso+, turmas ninhos e por aí adiante) …, mudem para CEF de “9 ano” / alternativos…(ano inicial), … – o que não falta são alternativas… mas será que os querem, é mesmo despachar, perdão promover o seu sucesso e inclusão?

    * haviam alguns al. do EE que ao que parece teriam que passar (???0 talvez seja útil que todos os EE tomem as diligências necessárias a que os seus rebentos tenham o estatuto) – Mas, então o que fez o C. Pedagógico – CP- na análise e aprovação dos PEI destes alunos (competência específica sua)? Ora, em principio, estes PEI terão ido a CP no 1 período ou inicio do 2 P… Aprovou de cruz? Fingiu que os leu, olhava para o relógio à espera que a reunião acabasse? A verdade é que os terá aprovado e com eles a forma de avaliação desses alunos… agora são os bonzinhos da fita e o mau será o professor/ CT…
    “Lata” é coisa que parece não faltar quando se procuram bodes expiatórios e se foge com o rabo à seringa…

    * Não tendo havido recursos (pois não foi convocado o conselho de turma- CT), como chegou a situação destes alunos ao CP? – pela direcção que viu as pautas que decorrem da reunião de avaliação???E,ainda assim não teve tempo de marcar novo CT??? Terá sido pela voz de alguém que, eventualmente pertencente ao CT- onde não terá conseguido levar a sua avante, utiliza um cargo que tem no CP para se fazer ouvir ainda que não esteja mandatado para tal no exercício desse cargo??? Terá sido um eventual coordenador destes cursos que levou a situação a CP???-mas o que andou a fazer ao longo do ano para esperar por um, eventual, último CP para colocar o “problema” – e, neste CP não havia gente de fėrias mas os desgraçados que andaram a dar aulas, práticas simuladas ainda pelo mês de Julho, com notas, pautas e reuniões à posteriori já estavam, … e, que raio de contratos teriam terminado sem isto???

    * Será que o CP ao modificar notas (que parece não ter sido coisa de somenos) sem qualquer consulta ao CT e SEM CONHECER OS ALUNOS E OS SEUS DESEMPENHOS, cumpriu com os critérios de avaliação???? – os tais, que o próprio CP aprovou ( mais uma vez, por inerência de lei) e que são de cumprimento obrigatório??? Ou será que estes só são obrigatórios conforme “coiso e tal”???…mas … se o CP cumpriu com os critérios de avaliação então terá sido o CT a não cumprir com eles … e… ???

    … mais questões se podem equacionar… mas as conclusões parecem-me óbvias… a incompetência, a indigência e a mediocridade parecem servir bem o sucesso da escola do séc. XXI
    É urgente afastar gente séria e honesta, que faz o seu trabalho com convicção e empenho, que levanta questões e se insurge e… que ainda se indigna com a indignidade!

    1. De acordo com Despacho normativo n.º 1-F/2016 só se existir algum problema no processo.

      Após os conselho de turma:
      “O diretor da escola deve garantir a verificação das pautas e da restante documentação relativa às reuniões dos conselhos de docentes e conselhos de turma, assegurando-se da conformidade do cumprimento das disposições em vigor, competindo -lhe desencadear os mecanismos necessários à correção de eventuais irregularidades.”

      Caso existam pedidos de revisão:

      “6 — Nos 2.º e 3.º ciclos, o diretor da escola convoca, nos cinco dias úteis após a aceitação do requerimento, uma reunião extraordinária do conselho de turma, que procede à apreciação do pedido de revisão, podendo confirmar ou modificar a avaliação inicial, elaborando um relatório pormenorizado, que deve integrar a ata da reunião.
      7 — Sempre que o conselho de turma mantenha a sua deliberação, o processo aberto pelo pedido de revisão pode ser enviado pelo diretor da escola ao conselho pedagógico para emissão de parecer prévio à decisão final.
      8 — Da decisão do diretor e respetiva fundamentação é dado conhecimento ao encarregado de educação, através de carta registada com aviso de receção, no prazo máximo de 30 dias úteis, contados a partir da data da receção do pedido de revisão”

      A parte mais interessante é o pedagógico só emitir parecer prévio (ponto 7), a decisão final é do diretor.

      *
      Quanto à notícia, a decisão do pedagógico terá sido condicionada pela impossibilidade destes alunos continuarem a estudar caso não tivessem os módulos todos concluídos. Passavam de ano, mas não se podiam inscrever em nenhum curso do secundário.

  4. Desde quando a decisão do CP ou do director pode ser em desconformidade com as disposições em vigor???
    Estarão os directores acima das disposições que regulamentam o trabalho nas escolas e , nomeadamente, as questões da avaliação???

    Sabendo-se que a Administração educativa terá pressionado para este tipo de “soluções” (vergonhosa), nunca o admitiu e os directores e conselhos pedagógicos ao embarcar nesta mediocridade (de que a administração lava as mãos mas dá o conveniente aval)
    são os primeiros responsáveis por colocar em causa a seriedade do trabalho das escola, o profissionalismo dos seus professores e a imagem da escola!
    Depois admiram-se que os pais queiram umas escolas e não outras… A imagem conta…, custa a construir mas destrói-se com um estalar de dedos.
    Haja vergonha!

    No mínimo e até por questões de equidade, justiça e igualdade de tratamento dos muitos alunos em situações similares por este país fora, deveriam ter obrigado a Administração a tomar decisões.

    Quanto aos alunos que não reuniam condições para prosseguir estudos no nível secundário, que trabalhem no ano lectivo seguinte para as adquirir!
    (Que, em bom rigor e do que conheço, só não as terá adquirido quem tudo fez para não as adquirir e… quantas vezes, tudo fez para que outros não as adquirissem)

  5. Tudo isto só pode piorar… Aconselho, vivamente, uma consulta à página da Universidade Católica, mais propriamente ao denominado Serviço de Apoio à Melhoria da Educação – SAME. Este ”serviço” já realiza ” serviço” no maravilhoso novo mundo da descentralização educativa municipal … É todo um mar de novos negócios que se adivinha…
    Entretanto assinale-se o nome da lista de colaboradores do referido ”serviço” e tirem-se as conclusões sobre o que se passa atualmente na Educação Pública nacional :

    CONSULTORES

    Ilídia Cabral (Coordenadora)
    Alexandra Carneiro
    Ana Paula Silva
    António Oliveira
    Cristina Bastos
    Cristina Palmeirão
    Fátima Braga
    Fátima Campelo
    Fernando Alexandre
    Fernando Costa
    Filomena Serralha
    Goreti Portela
    Isabel Baptista
    João Veiga
    João Rodrigues
    Joaquim Azevedo
    Joaquim Machado
    Jorge Nascimento
    José Afonso Baptista
    José Maria de Almeida
    José Matias Alves
    José Reis Lagarto
    Luísa Orvalho
    Luísa Mota Ribeiro
    Lurdes Rodrigues
    Manuela Gama
    Manuela Ramoa
    Maria do Céu Roldão
    Maria de Lourdes Valbom
    Maria Helena Peralta
    Rodrigo Queiroz e Melo
    Teolinda Cruz
    Vitor Alaiz

    1. Além desses, há ainda dois estarolas da FPCE-UP, a Ariana Cosme e o Rui Trindade, profundamente maçadores.

      Dos da Católica, conheço dois (a Ana Paula Silva e a Isabel Batista), das quais tenho uma excelente impressão. A primeira é professora no ativo, e por opção dela sempre em escolas com alunos “difíceis”. A segunda tem produções interessantes no campo de ética e deontologia, e as formações dela até são interessantes.

      A Lurdes Rodrigues da Católica, não é a ex-ME.

      1. 《A primeira é professora no ativo, e por opção dela sempre em escolas com alunos “difíceis”.》
        Tem a certeza? Onde?

  6. O “Presto” já não é o que era… os “glutões” migraram para outros lados… lá está, à procura de novas “janelas de oportunidades” e de clusters com maiores rendibilidades…

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