Complicações

O empreendedor Balsemão levou anos a criar e comprar revistas para ter um grande grupo editorial. Agora parece que quer acabar com o seu “portefólio” ou vendê-lo ao desbarato para manter o investimento principalmente na sua descendência mais dilecta (Expresso e SIC) e nos suportes digitais. Com as restantes manobras que resumiram a nossa comunicação social a prolongamentos de interesses “empresariais” estrangeiros de terceira ordem (olhem-me aqui a resvalar para alguma xenofobia informativa)  e o Público a viver sucessivas salamizações, o futuro adivinha-se opaco, ainda mais opaco do que já está.

Que tudo isto aconteça quando a seca em termos de publicidade é evidente e desapareceram ex-grandes grupos amigos que garanti(r)am um apreciável nível de receitas a esse nível só pode ser considerado coincidência.

Que os meios “convencionais” estão em crise é uma evidência. Já as razões para isso são mais controversas e não passam apenas pelos efeitos da concorrência da net, mas sim pelo facto da qualidade de muitos títulos em suporte tradicional estar longe de ser o que era, em boa parte pela opção por cortar na qualidade do material e apostar no imediatismo de soluções da moda.

Fog

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MARs

Middle american radicals… ou o nascimento de um grupo que, em termos sociológicos, está na base do que veio a desaguar, desde os anos 60 e 70, no Tea Party ou no próprio Trump. Sem uma ideologia definida, apenas uma grande aversão ao “sistema” e nem sempre muita lucidez.

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Reversos

A Escandinávia é apresentada como um modelo de tolerância e desenvolvimento. A leitura de alguma literatura policial dinamarquesa (Jussi Adler Olsen, em especial o The Marco Effect), noruega (algum Jo Nesbo, como o The Redbreast) e sueca (a trilogia Millenium original, Liza Marklund) deixa-nos com imensas dúvidas, porque não se trata meramente de ficção tudo o que é descrito em termos de intolerância, permanência de uma forte tradição neonazi e uma teia espessa de influências políticas que se afastam muita de uma imagem idílica a que os europeus do sul se gostam de agarrar. Crimes deste tipo parecem retirados de séries americanas rebuscadas mas são bem reais.

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Estamos Mesmo de Regresso ao Passado

Esta polémica em torno de manuais e actividades para meninos e meninas faz-me recuar uns 30 anos, para o período em que comecei a fazer trabalhos na área da História da Mulher, os quais acabaram por ir dar na minha tese de mestrado (que me permitiu ser o segundo homem, há 20 anos, a receber um prémio de investigação da antecessora da CIG, depois do João Esteves, que o recebeu merecidamente por duas vezes). Nos anos 80 e 90 do século passado debatiam-se bastante os temas da igualdade de oportunidades entre rapazes raparigas nas escolas, dos estereótipos nas imagens e representações de género nos manuais escolares e da pedagogia da igualdade.

 

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Na altura, eu até era dos que achava que tudo isto estava ultrapassado, que a situação das mulheres na Educação era das que demonstrava os maiores progressos em termos sociais, em Portugal, ao longo do século XX (é uma das linhas condutoras da tese que apresentei há 10 anos, pelo que pensava perceber um pouco do assunto). Eis que um tipo chega a 2017 e depara com coisas que parecem tiradas do que se discutia há mais de 20 anos e com polémicas equivalentes ao nível da argumentação.

Em matéria de Educação, estamos mesmo de regresso aos anos 90 do século passado.

Adenda: a forma mais errada de abordar isto é colocar o debate na base de Esquerda/Direita.

Há Aqui Algo Muito Estranho

O Mário Nogueira e o César Israel Paulo podem congratular-se com a correcção dos “erros” pelo ME (se fosse em outros tempos haveria berraria sem fim… mas as coisas mudam muito), mas há algo que permanece: existiram 363 casos de invalidação de contagens de tempo de serviço feitas pelas escolas, seguindo-se 171 casos de invalidação da invalidação. Pelo meio mais de 3700 denúncias, mas o que está em causa é mesmo o que pode levar a que o ME invalide contagens de tempo de serviço pelas escolas e, ao mesmo tempo, queira descentralizar cada vez mais a gestão de tudo e mais alguma coisa. E está em causa também que (pelo menos) 171 invalidações estivessem incorrectas fazendo com que ess@s professor@s tivessem de ficar com vagas que sobraram das ocupadas por outr@s que, em diversos casos, estavam atrás nas listas graduadas.

Eu sei que os tempos são de Grande Paz e Compreensão pelos inconseguimentos (vamos chamar-lhes assim…) na Educação, sejam quais forem. A margem de tolerância sindical e para-sindical parece-me das maiores, se não mesmo a maior, que alguma vez observei em 30 anos em relação ao poder político. A ausência de crispação é notória por parte de muitos dos mais “aguerridos” nestas matérias e que ainda há poucos anos acusavam de colaboracionismo outras organizações em relação a outra equipa ministerial. Fomos do 80 ao 8 num piscar de mandatos.

Mas há coisas que me parecem dificilmente admissíveis, como um concurso ter decorrido enquanto estavam em apreciação mais de 360 recursos, dos quais 171 já tiveram provimento (e estando mais por ter resposta a 24 de Agosto). Quase tudo nestas vinculações “extraordinárias” me parece errado, desde o princípio de não vincular todos aqueles que cumprem os requisitos para uma vinculação regular aos procedimentos “extraordinários” na pior das acepções que possamos ter.

Mas, desde que os “representantes” dos docentes e, em especial, dos contratados e candidatos à vinculação se mostrem muito satisfeitos com tudo isto (incluindo um mecanismo de vinculação criado por um ministro que criticaram por isso mesmo), é inútil alguém dizer o contrário e realçar o quão errado tudo isto está. Esteve errado com Crato, está errado com Tiago.

A teoria do mal menor continua de vento em popa.

Frade