O Argumento “Ad Cratum”

Claro que na falta de coisa mais fundamentada ou sustentável, os spinadores do Méééé sacam do que acham ser o argumento definitivo para calar quem quer que ouse chamar a atenção para a sucessão de trapalhadas na Educação, desde coisas estranhas em exames com suspeitas muito próximas do inner circle ministerial ao não cumprimento das regras dos concursos, passando por invalidações que não deveriam ser, adjuntas com acumulações incompatíveis, fretes curriculares a associações de professores amigas da vida saudável e mais o que em seu tempo se saberá.

E o argumento é: então no tempo do Crato era melhor?

A  minha resposta é: rai’s parta, infelizmente parece-me mais ou menos na mesma no que à minha situação diz respeito e de igual modo quanto a incompetência, má fé ou abuso de poder por bandas da tutela.

E explico: se é verdade que o Crato arranjou as vinculações “extraordinárias” de que discordo, este governo manteve-as em vez de fazer um concurso de vinculação decente e agora diz mal de quem a elas concorreu. Se é verdade que o Crato expandiu a área dos qzp fazendo com que gente seja colocada em zonas que não faziam parte do quadro a que concorreram e no qual ficaram vinculados, este governo manteve esse desenho dos qzp e agora acusa os professores injustamente de não quererem aceitar colocações feitas com desrespeito pelo decreto-lei que ele próprio fez publicar. O Crato manteve a carreira congelada? Este governo também, com a agravante de parte dos actuais governantes o terem sido também no período em que nos enterraram em dívidas, pelo que têm responsabilidade no início da coisa e não se percebe quando pensa terminá-la.

Não há PACC? Nunca haveria se não tivesse sido criada pela ditosa MLR (sim, também sei usar o passado como arma).

Sobre o resto… as verdasquices e flexibilidades, nem vale a pena falarmos.

Estávamos melhor com o Crato? Bem espremido, não estávamos muito pior e isso é que me entristece porque até defendi este tipo de geringonça. Que agora parece pensar que os pecados do passado justificam toda a porcaria que fazem.

Crato

 

3 thoughts on “O Argumento “Ad Cratum”

  1. Paulo, já que falou dos tempos de Crato e porque de forma indireta terá procurado colar-me a uma defesa do ME (“quem não pensa como eu é do ME”?!), relembro-lhe o que se passava nessa altura no link lá em baixo. Todavia, como os afetados eram professores contratados, pouco interesse despertava em blogues como o Umbigo. Reitero a minha opinião: as pessoas que compõem este movimento que diz lutar por concursos mais justos, formado maioritariamente por pessoas do norte do país estavam habituadas a ficar pertinho de casa, mesmo como contratadas, daí muitas delas só ao fim de dezenas de anos de serviço terem conseguido a vinculação (e mesmo assim, apenas em Lisboa ou ainda mais a Sul). Jamais esses protestantes poderão querer passar à frente de pessoas que estejam a ocupar devidamente um lugar no QZP em que estão vinculadas, mesmo que aqueles estejam melhor graduados, como até já alguns começam a defender.
    O Paulo sabe tão bem como eu que muitos QZP são colocados em horários de 8 horas nas escolas e como já não há verdadeiro trabalho letivo para lhes atribuir são colocados na biblioteca a desenvolver trabalho que qualquer assistente operacional poderia fazer. Ou então eram os clubes e o entretenimento do primeiro ciclo… É claro que essa era uma tradição a que muitos foram mal-habituados. Se numa lista de graduação de contratados os melhores horários são ocupados por quem está melhor posicionado nas listas, de acordo com as suas preferências, qual o motivo para o mesmo não acontecer entre os efetivos? Vai-me dizer que houve uma lista na RR1 e depois na RR2 com horários em escolas da preferência de quem ficou na MI. Claro que sim, mas qualquer contratado quererá começar a trabalhar o mais cedo possível para somar dias de serviço e ordenado. A mesma lógica foi aplicada aos candidatos à MI, com a diferença de que o ME tem o dever de lhes pagar pelo trabalho para o qual foram contratados e o direito de lhes exigir que o cumpram na área geográfica a que estão vinculados. Não sei se reparou, mas em nenhuma das listas da MI houve ultrapassagens, assim como não as houve nas da RR1, RR2 e RR3: o surgimento de horários incompletos apenas na RR1 foi uma decisão que seguiu uma lógica de justiça, porque o ME não poderia saber que os candidatos afetos a um QZP ficariam aborrecidos por obterem colocação nesse mesmo QZP, ainda para mais num horário completo e tudo! E já que estamos no campo do cinismo, saliente-se que os colocados na MI acabaram por sair beneficiados, uma vez que foram capazes de arrendar as melhores casas, deixando as menos boas para quem ficou nas RR, quer sejam os efetivos, quer os contratados.

    Click to access Oficio_SE_ensino_administracao_escolar.pdf

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    1. Cara Paula Afonso, apenas dois reparos:

      1) Quem usou esse argumento do Crato aqui foi o comentador “Renato”. Não me dirigia a si.

      2) Nos tempos do Umbigo, apareci mais a defender os contratados do que muitos deles, em especial até se vincularem e ficarem logo em mobilidade estatutária ou parecido. Não precisa escrever muito sobre algo que sei em primeira mão, muito menos para me acusar injustamente de não defender os professores contratados. Tente não mentir para defender a sua posição, muito menos com “bocas” ofensivas e sem fundamento.

      2010

      2012

      2014, sobre a PACC:

      Se quiser, arranjo mais… artigos de opinião, declarações a jornais, etc. Lamento, mas estive presente, ao contrário de muita gente que sempre se escondeu.

      3) Explique-me porque a “lógica da justiça” como a define não está no decreto-lei que regulou o concurso nem na portaria do aviso de abertura. O que afirma apenas comprova que ela foi introduzida a posteriori.

      4) É de muito mau gosto dizer que os colegas estavam “mal habituados” com os horários de 8 horas… muita gente passou a dar apoios, coadjuvações e coisas que não são feitas pelo pessoal não docente. Já agora, talvez por desconhecimento, não referiu que em anos sem concurso obrigatório, desde que tenha 6 horas o professor pode permanecer na escola em que se encontra provido. Mas, quase adivinho que acha que deveriam ir para “horário zero” e mobilidade… “mal habituados”…

      A sua argumentação é menos trauliteira do que a regra em alguns spinadores do Mé, mas a lógica subjacente mantém o tom acintoso e ofensivo para com colegas que andam nisto há muito tempo, que vincularem em qzp’s com outra geografia e que não são parasitas do sistema. Lamento que pareça pertencer a quem não percebe que, em seu tempo, poderá passar pelo mesmo tipo de abuso de poder. A menos que…

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      1. E vou acrescentar algo que quero deixar bem sublinhado: não entre pela “pós-verdade” quando recordar o meu passado e o do Umbigo. O blogue está defunto, merece respeito, mas eu estou vivo e tenho cada vez menos paciência para distorções dos factos. E não admito mentiras como aquelas logo no início do seu comentário.

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