O Perigo de um PS em Euforia

É termos gente a pensar que se tornou imparável, sem alternativa, capaz de tudo, como eleitorado do seu lado para tudo e mais alguma coisa. E já conhecemos isso do passado. E nem falo de lideranças a derrapar da realidade, falo daquelas 2ªas e 3ªas linhas partidárias, na governança nacional ou local, com assento parlamentar ou autárquico, com uma enorme sensação de impunidade. Se já fizeram uma série de asneiras sem qualquer tipo de responsabilização, o que se pode seguir? Será que o Bloco e o PCP (em particular este, depois das perdas eleitorais em bastiões históricos onde as pessoas ficaram sem perceber se vale a pena votar PCP) perceberam isso?

O caso da municipalização de serviços públicos como a Educação, encoberta com o nome de “descentralização” é um dos exemplos do que pode correr muito mal para o país, mas não necessariamente para algumas clientelas locais e regionais. E há gente de todas as cores, ambiciosa e ansiosa por honrarias, títulos e poder.

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Autárquicas: Os Perdedores

Claro quer teremos de colocar o PSD em primeiro lugar, não tanto por terem perdido uma imensa massa de votos e percentagem em relação a 2013 ou mesmo de câmaras, mas pelo facto de se terem tornado uma espécie de partido de província, completamente cilindrado nas zonas urbanas e em especial nas grandes cidades, se exceptuarmos em Cascais com o dinheiro do seu casino. O PSD profundo e conservador, sobrevive, já o PSD das zonas mais dinâmicas é quase pulverizado. Se é por causa da liderança nacional ou das más escolhas locais (do género, se é para perder que se queimem est@s), não interessa muito. A verdade é que o PSD deixou de ser uma alternativa ao PS e mesmo à direita vai ter muitos problemas em controlar um CDS acima do esperado. E o seu pessoal político é, em regra, de uma mediocridade confrangedora, mesmo quando está auto-convencido do contrário.

Mas se formos analisar a questão de peso relativo em relação às posições anteriores, é impossível não constatar que o PCP foi o parente pobre da geringonça nestas eleições, perdendo 9 câmaras para o PS, algumas delas emblemáticas na margem sul: o Barreiro que parecia segura e Almada que nunca tinham perdido. No Alentejo, mais perdas. Mais de 60..000 votos perdidos, acredito que muitos de parte de eleitorado que antes era fiel, mas que percebeu que o PCP tem sido o pilar mais útil mas menos relevante da geringonça nacional, até porque não tem conseguido que se notasse a sua influência decisiva na governação. A maioria das reversões passam ao lado do seu eleitorado, por muito que se diga o contrário, Já o Bloco tem as matérias fracturantes a seu favor. Para mim, é pena que a relação de forças na área metropolitana de Lisboa se altere de forma tão radical, pois esta era uma zona onde o PS não tem conseguido fazer avançar a municipalização da Educação e agora corre-se seriamente esse risco. A menos que o PCP/CDU tenha coragem em assumir por completo o que diz serem as suas convicções.