Não Me Parece Aceitável – 2

Que um PM, ao fim deste tempo, continue tão ignorante em relação a um assunto até com bastante cobertura mediática e explicações claras. A menos que ache que sempre é verdade que se as mentiras forem repetidas com convicção acabarão por convencer toda a gente.

Quando o PM diz que nenhum professor ficou em lugar para o qual não tivesse concorrido, afirma uma meia verdade e uma meia mentira, pois parece ignorar – ou finge que não sabe – que o que está em causa é que existiram professores, pior graduados, colocado em locais que muitos professores tinham escolhido em prioridade mais alta. O exemplo que dá da professora que ficou em 77º lugar pode ser rebatido demonstrando que alguém pior graduado ficou em escola colocada por essa professora em prioridade anterior.

Quando afirma que “os problemas relatados pelos professores “não resultam de alteração de regras do concurso”, basta mostrar-lhe a resposta da DGAE aos recursos hierárquicos:

DGAERecursoDGAERecurso1

O que está sublinhado não tem cobertura legal no decreto e na portaria que regularam o concurso, por muitas torções que a secretária Leitão tente dar à lei (e relembre-se a sua derrota jurídica no combate aos contratos de associação, exactamente por ter usado argumentos demagógicos mas juridicamente débeis).

Mas há melhor… atente-se:

António Costa defende também que “algum dia” se terá que pensar na “questão de fundo”.

Como é possível haver uma carreira profissional onde de três em três anos ou de quatro em quatro estão sujeitos a concurso profissional?”, questionou o primeiro-ministro.

Costa sublinha, no entanto, que existem cerca de 100 pessoas “que não estão satisfeitas com o resultado do concurso, num universo de milhares”.

As regras do concurso, como agora o conhecemos, foi um dos grandes motivos de orgulho de um governo a que pertenceu, algo apresentado como um enorme avanço, mas o actual PM parece andar desmemoriado.

Quanto à quantidade de gente afectada, nem está correcta, nem o argumento é válido, baseado na quantidade, porque o respeito pelo Estado de Direito não se mede dessa forma. Recupero aqui o que a esse respeito (o de usar a quantidade para justificar a validade de um princípio) escreveu em tempos um dos grandes apoiantes do actual PM. Basta substituir “manifestantes” por “professores” (sendo que é tudo sobre professores):

É claro que este raciocínio é idiota. A razão não resulta da quantidade de manifestantes. Nem hoje nem há oito dias. Mas aqueles que medem a razão pela quantidade dos desfilantes deveriam meditar na lógica intrínseca da sua tese.

AntCosta

5 thoughts on “Não Me Parece Aceitável – 2

  1. Também acho mal este tipo de frase eleitoralista para não cumprir.
    António Costa admitiu a reforma antecipada para os monodocentes ao afirmar “…possa haver um conteúdo funcional distinto, em particular, relativamente àquelas situações onde há efectivamente discriminação, que tem a ver com situações de monodocência que não beneficiam de redução de horário”. Entre 2005 e 2007 mesmo depois de sair a legislação que acabou com regime especial saiu muita gente que selecionou no princípio da carreira dois ou três anos. Quer por uma lei especial (último ano de magistério com 2 anos quer por cunhas, em especiala professores destacados que já não sabiam trabalhar com turma.

  2. Este é o Governo que se pauta por parâmetros quantitativos. Daí o epíteto rechonchudo do Senhor do “Poucochinho”, que futuramente terá, quem sabe, um lugar condigno numa qualquer peanha de um dos muitos santuários ou, quiçá, nome de um futuro aeroporto nacional.

    É interessante reparar que há um denominador comum em todos os episódios vergonhosos deste governo, que se diluem airosamente com valores quantitativos. Quanto ao incêndio mortífero que ceifou vidas, não se enalteceu grandemente o número delas, mas pelo contrário, fez-se um inquérito de popularidade; quanto a Tancos, o número de armamento era não só “poucochinho”, tendencialmente inexistente, passando por obsoleto. Este caso dos professores vai pelo mesmo caminho: são “poucochinhos”, para fazer sombra à grandiosidade do Potente e imponente Ministro da Educação e seus ‘gremlins’, seus dedicados seguidores.

  3. Este ano os profs do quadro (QE/QA/QZP) confrontaram-se com a limitação que persiste há anos: diminuição do nº de turmas e consequentemente, diminuição dos horários completos. Como uma das reversões prometidas não foi e não está a ser cumprida- diminuição do nº de alunos por turma- e conjungando com o não cumprimento da lei quanto a esse nº (com a DGESTE a obrigar a constituir turmas com mais de 28 alunos), foi criada a condição para ‘tramar’ muitos profs, que foi agravada com outra decisão limitativa: só colocar no concurso de mobilidade interna APENAS os horários completos. Assim, os profs com este estatuto laboral ficaram condicionados à existência de horários completos, constantando a precariedade de um vinculo supostamente estável.
    Isto mostra a pele de cordeiro que o lobo socialista vestia…

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