A Pizza do Bloco

Quem observa a forma como os bloquistas anunciam como sua a responsabilidade por nova vinculação extraordinária, percebe que isso foi conseguido à custa do silêncio sobre o apagamento de dez anos na carreira dos professores dos quadros (afinal, mesmo o primeiro escalão a descongelar só o será no final de 2019) e a consolidação da proletarização da docência de acordo com a lógica “tens emprego, cala-te” (o argumento de muitos “novos” revolucionários de rede social). Eu sei que consta que o eleitorado bloquista é “jovem”, mas os que conheço melhor, nem por isso e só espero que percebam o barrete que (nos) enfiaram.

Já o PCP parece que irá calar-se em troca de anunciar como seu o descongelamento mais rápido das carreiras (2 em vez de 3 anos), ao ponde te até já aparecerem como “fontes” em off de notícias.

Se eu estava à espera de outra coisa? Não propriamente  mas a verdade é que me parece que havia gente da geringonça que acreditava nisso, mesmo do PS. Agora andam por aí a defender isto como se fosse uma grande “conquista” ou algo “natural” quando é apenas um epitáfio.

A “reversão” não é isto, mas era difícil esperar outra coisa de gente que ainda se embaraça quando se lhes fala de Sócrates e da Parque Escolar (cuja obra diversas luminárias da “esquerda alternativa” continuam a defender, um pouco como há quem defenda as obras isaltinas), assim como há quem ande a branquear a MLRodrigues, que podemos passar a chamar “a ingénua” porque parece que nada viu ou ouviu (embora o episódio-pedroso nos levante sérias dúvidas…).

Se os outros fariam melhor? Não acredito, mas… quando nos nivelamos pela mediocridade alheia, dificilmente seremos outra coisa que não medíocres. E quem tenta não o ser, é acusado de muitas coisas malvadas.

 

trotsky

11 thoughts on “A Pizza do Bloco

  1. Eu não queria estar a fazer o papel de advogado do diabo, mas ainda não percebi como é que as pessoas estavam à espera de outra coisa.

    Aquando do primeiro descongelamento, em 2008, houve alguma recuperação de tempo de serviço?

    Quando assinaram o registo biográfico todos estes anos, não estavam lá os zero dias para efeitos de carreira?

    Agora podemos disparar em todas as direcções – sindicatos, partidos da geringonça, governo actual, governos socratinos (ficam os quatro anos de congelamento passista a salvo, menos mau!) mas a verdade é esta: há outras prioridades e seria preciso uma grande ginástica orçamental para colocar metade dos professores portugueses no topo da carreira, que era onde estariam se todo o tempo de serviço fosse agora recuperado.

    Agora é só uma questão de decidir se há vontade de lutar a sério, como têm feito os enfermeiros, ou se vamos continuar a culpar os maus do costume pela nossa desgraça.

    https://escolapt.wordpress.com/2017/10/15/o-roubo-do-tempo-de-servico-aos-professores/

    1. E eu que pensava que estes eram bons e os outros maus!
      E eu que pensava que era desta vez que as coisas iam ser feitas como deve ser…

      Só uma dúvida me ocupa o espírito… se não devemos disparar em todas as direcções – “sindicatos, partidos da geringonça, governo actual, governos socratinos” (não me lembro de ter ilibado ninguém, mas o A. Duarte lê sempre coisas que não escrevi) – a “luta a sério” é contra quem?

      1. Nunca me viste argumentar na base dos bons e dos maus.

        Não acredito que, fosse qual fosse o governo, o que se pretende seja exequível.

        Se poderíamos ambicionar um pouco mais? Acho que sim, se estivermos dispostos a lutar e a fazer sacrifícios. Mas não me parece, acho que a onda é mais a do protesto inconsequente nos feicebuques.

        E claro que “lutas a sério” no nosso caso são sempre contra o governo, na dupla qualidade de patrão e de regulador do sector

  2. Ginástica orçamental?
    Mau… mas a austeridade não acabou?!

    Queres ver que o orçamento para a educação não esta em défice para um país que se diz humanista de esquerda? ( http://www.arlindovsky.net/2017/10/educacao-sofre-corte-de-1825-milhoes-de-euros-em-2018 )

    Ou voltamos ao governo que vai alem da troika e diz que “…não há dinheiro…” .

    Será que sonha dinheiro quando os orçamentos voltarem a ser reais e não troikianos?

    Ou os biliões vão só para quem não tem profissões nobres tais como banqueiros, acionistas e Brokers de Bolsa?

    Não existe justificação justa para as progressões nao serem reais.

    Quanto à luta … espero que não se fiquem pelo modo de luta do sec. XIX

  3. António Duarte, em muitos dos teus textos está implícita a dicotomia dos bons (em regra os sindicatos simbolizados na Fenprof)n e dos maus (os passistas-cratistas). Não adianta negar isso. Eu não nego os meus maniqueísmos… fazem parte da minha maneira de estar, porque nos definimos também pelos nossos adversários e/ou inimigos.

    Neste caso, penso que exista um trade off óbvio do Bloco baseado na percepção que têm do seu eleitorado “jovem”.

    Quanto a “lutas”, lá está, cada vez tenho mais reservas em relação a quem tem o poder de a anunciar e dar por encerrada. Nem falo do entendimento, nem das pizzas… basta ver o que até com o Crato fizeram, por causa da “sensação” de que os professores estariam a fraquejar na greve às avaliações.

    Não há saída?

    É capaz de haver mas é de tipo não organizacional. Quando for tudo mesmo insuportável. Mas há gente que antes refilava por tudo e nada que agora engole a bota até ao fundo e ainda apoia as “flexibilidades” e aponta o dedos aos colegas professores por não aderirem às “novas” ideias.

    Os “porcos” (ler Orwell) estão – há muito – na mó de cima.

  4. Eu estou disponível para fazer o (muito significativo, para mim) sacrifício de ir até uma semana de greve.

    Será que quando me pedirem a opinião e eu sugerir uma greve de uma semana, vou ter que ouvir outra vez colegas a “explicar” que não podem perder um dia de ordenado (mas que podem, aparentemente, perder anos de serviço e milhares de euros?????)?
    E depois ainda vêm culpar os sindicatos, o tempo, ou o Pai Natal!

    É esta a pergunta de 1 milhão…

  5. A lei para professores igualará o sector privado e a administração pública em Portugal e na Europa: “entrar no quadro ao fim de três anos de contrato”. A vergonha tinha duas décadas. O OE2018 inscreve a justiça, mas acentua injustiças.

    É bom que todos os deputados, e os comentadores e analistas associados, se contenham. A vinculação de 7.500 professores em dois anos representa quase zero euros no orçamento. Leu bem: quase zero (0) euros. Um professor contratado recebe, em regra, pelo índice 167, entra no quadro no mesmo patamar e vê eliminado o tempo que prestou até aí. Já se percebeu que o OE2018 sacrifica os do costume, os professores, por serem muitos e ponto final. Repitamos então o que dissemos da cerimónia de reabertura oficial da época de “arremesso à escola pública e aos seus profissionais”:

    “”Desapareceram” 42 mil professores (30%) de 2004 a 2015. Em 2006 foram alvo de uma guerra – palavras do actual PM – decretada em conselho de ministros, a presença da troika, e da ideologia PàF, acentuou a queda e em 2017 as notícias acrescentam desconsiderações associadas às intocáveis, e incontáveis, malfeitorias anteriores – as financeiras e as outras -“.

    Nota:

    Parece que o congeladorOE2018 eliminará também quase uma dezena de anos de serviço nas progressões dos professores do quadro. Veremos se também aqui se certificará os professores como excepção.

  6. Lá diz o ditado…” com papas e bolos..:”. Atira-se um rebuçado (neste caso 3500 vinculações) e será dividir para reinar. Com o actual panorama, e na esperança de uma maior estabilidade muitos professores vão alargar as hipóteses, mas, não há lugar de qzp onde se quer …se as regras de concurso mudarem (a ser verdade as novas condições que se avizinham) a legislação tem que ser alterada, e se a primeira escolha for o qzp de vinculação (espero bem não acertar…) – será um verdadeiro presente envenenado para muitos…que ficarão longe de casa e sem hipótese de reclamação. Por outro lado, o estado não mantém apenas as despesas, mas poupa cerca de 3,2 milhões de euros (caducidade dos contratos…)

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