Afinal, Foi Ninguém

Que promoveu o despovoamento e desertificação de grande parte do país. Foi Ninguém que fechou os Centros de Saúde (poucos “actos médicos”), as estações de Correios (não rentáveis), os Tribunais e Conservatórias (poucos utentes e envelhecidos, que se desloquem), os postos da Polícia (lembram-se desde os tempos das super-esquadras do Dias Loureiro?) e as Escolas (foi uma década de “racionalização”). Foi Ninguém que mandou arrancar oliveiras, azinheiras, castanheiros e tudo o mais mal chegaram dinheiros da CEE ainda nos anos 80. Foi Ninguém que mandou atapetar de IP’s e SCUT’s ali o caminho pelo meio do nada. Ninguém eucaliptou colinas e planícies. Ninguém é tramado. Deixou o país assim e agora os pobres dos nossos governantes e políticos rotativistas não sabem quem culpar em concreto, porque Ninguém fez as coisas e, portantossss….

O monstro gritava por socorro, chamava aflitivamente os outros ciclopes. Vêm todos, acodem todos, e do lado de fora do antro, fechado ainda, interrogam-no:

– Que te aconteceu, Polifemo? Porque nos acordas no meio da noite? Quem te fez mal? Alguém atenta contra a tua vida?

O terrível Polifemo responde lá de dentro: -“Ai! meus amigos, é Ninguém que me mata, é Ninguém!

– Então, dizem eles, se ninguém te faz mal, de que te queixas? O teu mal não tem remédio, e não lhe sabemos a causa. Tem paciência e sofre com resignação…

polifemo

6 thoughts on “Afinal, Foi Ninguém

  1. Só quero chamar a atenção para o seguinte: tudo o que diz é certo. Mas os bandalhos que desgovernaram este pobre país nos últimos anos não fizeram nenhum golpe de Estado, pois não? Alcançaram o poder porque os portugueses neles votaram, em liberdade e democracia.
    Se os governantes são uma merda, o que devemos concluir da inteligência de quem os elegeu?

  2. Está a falar de incêndios, não é?
    Mas todos os anos tem havido incêndios… com maior ou menor gravidade, não? … É uma sina estival…
    Agora, este ano, a questão não é a costumeira discussão dos incêndios…

    É outra coisa… que pouco se tem distinguido no “debate” público: é a questão da defesa dos cidadãos perante uma catástrofe… esse é um problema que não se tem posto.

    As causas desse problema são as que disse? Duvido…

    Reparou nas filmagens de incêndios a partir de comboios ou de carro em auto-estradas ladeadas por fogo? Essa vias não deviam estar encerradas? …
    Esse é o problema: quem deveria impedir que os cidadãos se expusessem inadvertidamente ao perigo de uma catástrofe? … esse é o problema …

    Enfim, é um problema de proteção das pessoas perante as catástrofes…

    1. Foi Ninguém que erodiu os serviços públicos nos últimos 15 anos. Se não reparou, está lá escrito.
      Quanto às vidas que se perderam, é inaceitável e somam-se a muitas outras em combustão lenta, porque o Estado foi “racionalizado” com o acordo de muita gente e, mais recentemente, com o silêncio de grilos falantes de outrora.

  3. O Renato não percebe, eu percebo que sou do dito Portugal profundo. Na minha terra fechou o Centro de Saúde; o tribunal; os elementos da GNR foram reduzidos ao mínimo; as escolas foram todas das aldeias foram TODAS FECHADAS e obrigaram-se as crianças que ficaram a percorrer horas até ao Centro Escolar; deixou de haver uma política para os rios e para a floresta; acabaram-se com os Guardas Florestais. O investimento foi feito em rotundas piscinas, alcatrão; pistas de cicloturismo. A agricultura, o interior, desde o tempo do Professor Cavaco Silva foram abatidos…
    Não há gente nova para proteger nada, para limpar, para manter a terras cultivadas… Instalou-se uma monocultura de eucaliptos tremenda para satisfazer os interesses de uma minoria…
    Bem sei que não querem isto em cima da mesa , mas foi isto, os interesses de uma minoria, ligada aos três partidos que habitualmente governam que nos fez chegar a esta desgraça…
    E digo mais não me pareça que muito vá mudar porque para muitos o dinheiro, as suas grandes fortunas, os seus grandes interesses, a canalização de todo o dinheiro para as suas áreas de influência é muito mais importante que os portugueses que teimosamente vão persistindo neste Portugal profundo!

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