Sim, É Um Problema Grave

E discordo muito de quem relativiza e diz que basta uma conversa e tudo se resolve. Não é bem assim, a única maneira é quase se estar de plantão, a fiscalizar a coisa todos os dias e mesmo assim os meios eficazes de pressão, depois de assinado o contrato pelo tostão mais barato, são limitados.

Crianças que não comeram frango cru tinham “arroz banhado em sangue”

Presidente da Associação de Pais de escola da Grande Lisboa diz que as refeições têm sido uma preocupação constante nos últimos anos.

Esta é uma área em que a “racionalização financeira” foi feita contra o interesse dos alunos. No papel, as refeições podem ter as calorias ideais para os fanáticos das dietas, podem andar por aí a dizer que até há ementas vegetarianas, mas a verdade é que continuam truques como cozinhar menos tempo a comida para poupar na energia gasta e fazer “esticar” a comida para mais doses do que as que deveriam ser servidas.

Nem tudo pode ser entendido como carpaccio ou bife tártaro.

carpaccio

(mas querem apostar como também aqui o pessoal do ME vai dizer que a culpa é das Finanças, que eles só cá andam para ver as vistas?)

 

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13 thoughts on “Sim, É Um Problema Grave

  1. Com as empresas a receberem entre 1.20 a 1.46 euros por refeição, não se pode exigir muito. Mais ainda quando se sabe que a massa salarial representa sempre mais de 50 % dos custos no sector do serviço, sobram, assim, 60 a 70 cêntimos para cada refeição.

  2. Claro que há um problema de fundo que é a política de contratar o fornecimento das refeições escolares a privados. Quanto mais pouparem na comida e na confecção, maiores lucros terão. Mas em muitos lados isto já é assim há décadas, e só agora vamos ouvindo queixas com esta frequência e gravidade.

    Lá para os meus lados fomos forçados a privatizar a cantina há uns anos, porque tínhamos falta de pessoal e o ME se recusava a substituir os que se tinham reformado. Ou desguarnecíamos outros serviços, desviando pessoal para a cantina, ou fazíamos a opção que acabou por se tornar inevitável. Contudo, as refeições servidas pela empresa privada até são, dentro das óbvias condicionantes, de qualidade. Mas obviamente que é preciso estar atento ao que se passa, e o exemplo do frango cru obviamente sucedeu numa escola que há muito deve ter entendido que não é da sua responsabilidade controlar o trabalho da empresa.

    A poupança de energia não me parece argumento válido, pois pelo menos nas eb23 e secundárias as refeições são confeccionadas no local, e portanto usam o gás ou a electricidade da escola. Podem é ter interesse em fazer as coisas a despachar, e conviria apurar porquê.

    Posso estar enganado, mas os valores referidos pelo Daniel parecem-me demasiado baixos. Não sei agora precisar, mas recordo-me de há uns tempos me terem informado do valor real das refeições – não o que os alunos pagam, mas o custo total para o ministério – e seriam sensivelmente o dobro do que o Daniel está a indicar.

    1. Pagar 2.50-3,00 euros por uma refeição para uma criança está longe de ser uma fortuna, mesmo se fora das escolas eles conseguem (claro que sem sopa) comer por esse preço ou menos na minha zona. E em sítios onde comem até professores, fugidos da comida nas escolas. E fazer pagar a quem pode 2 euros por uma refeição não me parece nada de extraordinário.

  3. António, a dgeste no caderno de encargos define 1,46 como valor máximo a pagar por refeição. Vence a empresa que fizer o valor mais baixo.

    Facilmente se encontram os cadernos de encargos no google.

    Ainda esta semana o vereador da educação de cascais reconhecia ao JN que no concelho dele a empresa que ganhou o concurso propôs 1,28 por refeição e venceu.

    1. Bem informado como sempre, Daniel!
      Custou-me a crer, fui confirmar e de facto tens toda a razão.
      Ou seja, a situação é ainda pior do que eu pensava: é a clássica impossibilidade de fazer omeletes sem ovos…

      1. Pois, convém saber de quem é mesmo a culpa pela falta de “reversões”… em primeiro lugar do ME, a seguir das empresas que fazem pela vida à custa da (falta de) comida dos alunos.

  4. Paulo, aceitando as tuas prioridades, eu aumentaria a lista de responsáveis, incluindo também as direcções escolares que se marimbam para o que se passa dentro das cantinas concessionadas e os (in)dgest(os) responsáveis que, perante reclamações fundamentadas não rescindem os contratos (há cláusulas que permitem isso).

    Incluiria também algumas confapianas associações de pais que durante anos andaram a compactuar com políticas educativas lesivas dos interesses dos seus filhos e só agora, vá-se lá saber porquê, acordaram para o problema.

    1. Há direcções que se mexem e a associações de pais que também o fazem, aliás têm sido AP’s a falar disto e não é de agora.
      De forma directa, garanto-te que há anos que os EE se queixam da má qualidade de muitas refeições escolares e apontam a razão, que tem a ver com o procedimento obrigatório de as concessionar.
      Seja como EE, seja como DT acho isto inadmissível e sei que a pressão mais ou menos regular sobre as empresas tem resultados limitados, porque têm um contrato do lado delas e abusam disso e das regras do ME. No fim do ano, muda-se e vem outra quase igual… não digo que sempre, mas com bastante frequência.

      1. Quanto às confapianas associações e outras criaturas derivadas, conheço uma dessas que é capaz de chatear por tudo e nada uma certa escola (não é a minha… se fosse já tinha levado o tratamento devido), mas que sobre isto nem pia. Deve ter a trela curta.

  5. As associações de pais que estão sempre nas TV’s aos gritos, por onde andam agora?

    Neste país as associações e sindicatos so se mexem quando nao devem.

    Incrível.

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