Inclusão/Medicação?

Pode ser apenas fruto da minha ignorância ou incapacidade conceptual, porventura mesmo de não conseguir ver mais além, mesmo quando falo com colegas que observam o mesmo, parecido, semelhante ou equiparado, por aqui, ali, além ou mais aquém. A constatação que nos últimos anos a medicação da miudagem disparou de forma assustadora vai um pouco a par da inclusão forçada em horário completo na turma de crianças que, por diversas circunstância que nem especifico para não despertar iras (então no fbook começam logo a dizer que só quando se tem um filho assim é que se pode falar destes temas, mesmo se há professores que, como os do 1º ciclo, passam um terço do dia com a petizada), têm uma imensa dificuldade em lidar com o trabalho e convivência em grupo com algumas regras básicas sem entrarem em comportamentos que, sendo-lhes naturais, desequilibram o resto do grupo, em especial quando são mais pequenos. A inclusão à força, por oposição ao que se considera “segregação”, de crianças com problemáticas muito complicadas no trabalho quotidiano das turmas durante 6-7 horas é muitas vezes um erro trágico para todos, porque se lhes nega a devida atenção individualizada (ou em pequeno grupo) e se coloca todo um grupo perante comportamentos de risco. Mas, quando se faz um qualquer relatório ou pedido de ajuda para mudar a situação, a resposta é uma variante de “já lhe estamos/passámos a dar medicação” ou “já lhe mudámos/aumentámos a medicação”. E tudo o resto é uma ficção, ou porque na rede pública as consultas disponíveis são escassas e com uma periodicidade quase inútil ou na rede privada as que valem a pena são quase sempre caríssimas. Perante isto a resposta do ME é “os professores precisam de formação para a inclusão” ou, no caso de especialistas subsidiados “os professores são segregadores/racistas/impreparados”. E até que é verdade, só sendo pena que não dotem as escolas dos meios humanos especializados em quantidade (e qualidade) para enfrentar situações com que não se aprende a lidar em formações pós-laborais dadas por quem atende um@ miúd@ de cada vez e com todo o respeitinho em relação ao shôdôtôr,  e no fim pague a conta, ó faxavor.

Sim, nem sempre as coisas são assim, felizmente. E a verdade é que a maioria de nós até acaba por fazer dois pinos encarpados, mais três piruetas com flik-flak oblíquo e aterragem sobre os cotovelos à rectaguarda para “ultrapassar as situações com sucesso“.

Mas, como disse, o mais certo é isto ser fruto exclusivo da minha profunda ignorância, sistémica e específica.

gambuzinos

 

 

2 thoughts on “Inclusão/Medicação?

  1. Concordo!
    O que interessa é mesmo, e tão só, PARECER! Tudo o resto é conversa e estão-se nas “tintas” para a inclusão de uns e dos outros todos!
    Viver e trabalhar com esta falsidade (tal como com “falsidades” de sucessivas reformas estruturais na floresta e no ordenamento… e muitas outras que tais – e que mais cedo ou mais tarde – pesarão e muito) já é muito difícil… pelo menos para quem, de facto, se preocupa.

    “… Perante isto a resposta do ME é “os professores precisam de formação para a inclusão” ou, no caso e especialistas subsidiados “os professores são segregadores/racistas/impreparados”
    – agora isto… isto… ISSSSSSSSSTO e ESSSSSSSTES… isto é mesmo minar (que já vem de longe) e destruir (vai sobrando cada vez menos)!
    Perante isto, pelo menos aqueles para quem a reforma ainda está longe, a resposta é mesmo o aumento da medicação! – Não se aguenta!

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  2. Bom dia…
    …não posso deixar de “comentar”. É quase assustador os teus pensamentos escritos versus o que penso e comento “na sala de professores onde ninguém nos ouve”… Subscrevo ipsis verbis este conteúdo.
    Vou deixando os meus alertas em CT, pelos corredores,… A inclusão serve, serviu, para poupar dinheiro. Por mais cor de rosas ou laranjas que me queiram apresentar os diversos contextos, não vejo para estes miúdos uma solução saudável no seu desenvolvimento.
    Não tenho, nem tenho de ter, formação em matérias de saúde. Sou, para o bem e para o mal, técnica de educação (seja o que isso for), não sou técnica de saúde.
    Não me interpretes mal, dou tudo o que tenho e posso profissional e humanamente, mas, mesmo para bem dos miúdos, não me peçam (já agora, com que legitimidade), que zele pelos vários contextos medicinais.
    Já nem falo, na ginástica que já se faz com garotos e respectivas famílias com processos em tribunal…

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