Memórias no Coreto

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Como Dar, de Forma Nem Sequer Muito Subtil, um Empurrão à Municipalização da Educação

Isto cansa-me, de tão óbvio. Nem sequer há um mínimo de decoro.

Combate ao insucesso escolar exige estratégias locais, conclui Atlas da Educação 2017

Há quem me pergunte a razão do meu desânimo e descrença em tudo “isto“. Este é um bom exemplo de como tudo isto se voltou (será que alguma vez deixou de ser? apenas acho que agora é de forma mais desabrida) a tornar opaco, promíscuo, amiguista. A EPIS entra em parceira com o CNE para um estudo que é apresentado pelo presidente de saída deste, e comentado pelo director-geral daquela (ver aqui).

E se eu começar a desenlear todas as parcerias e cumplicidades que estão estabelecidas entre “fundações” (que servem de bom refúgio para ex’s), “associações” e órgãos de comunicação social, as figuras que se cruzam em todas essas organizações, partilhando uma agenda de pressão sobre a Escola Pública (sim, até já eu uso esse chavão) no sentido da sua fragmentação e desagregação, para melhor ser captada por um teia de interesses e parcerias público-privadas, mais vale fazer um seguro de vida dos bons, porque quem se mete com eles, leva.

Hamster

(sim, espreitei o suficiente para saber do que escrevo… mas tomei banho depois de sair pelo próprio pé…)

Perplexidades (ou Talvez Não)

O CNE insiste em fazer política mediática com os seus estudos, divulgando-os primeiro para a imprensa amiga do que no seu site. O Atlas da Educação 2017 é apenas mais um caso (procurem-no no google e apenas acharão, 24 horas depois da sua “apresentação pública”, notícias sobre ele e não o “estudo”em si). Então se for para constatar (ó surpresa das surpresas!) que sucessivos mandatos preocupados em menorizar, amesquinhar e proletarizar a docência conseguiram afastar o interesse dos alunos em ser professores, há sempre um canal informativo disponível. E opinadores, ex-colaboradores, inovadores e empreendedores, simpáticos e disponíveis para analisar de acordo com as linhas desejáveis. É uma estratégia de parceria comunicacional que é eficaz junto de “quem interessa”. Só que quem interessa raramente são as escolas, os alunos ou os professores. Esses são apenas um pretexto. Apenas se agravam velhas clivagens, mas não me parece que o objectivo seja minorá-las, mesmo que se diga o contrário. O objectivo é pressionar, fazendo política a partir de “investigações” para parecer que é tudo “científico”.

Se é legítimo?

Já vale tudo, portanto…

Se é eficaz.

Se calhar, é.

Correia