Como Estou Bem Disposto, Explico Devagarinho

Os alunos que chumbam no 7º ano com uma “porrada” de negativas é porque:

  • ou nem colocam os pés nas aulas, mas o sistema limpa-lhes quase por obrigação a falta de assiduidade, desde que o DT faça um relatório para a CPCJ que depois o arquiva e @ jovem apareça de vez em quando na escola (sim, tenho exemplos concretos e não são apenas anedóticos, são recorrentes e sim, no ano seguinte fazem exactamente a mesma coisa e as parentalidades ausentes continuam);
  • ou vão lá – no intervalo dos intervalos, quando já se entediaram tanto de andar ali por fora, da escola ou das salas – só para gozar com tudo o que mexe, a começar pelos colegas, estando-se positivamente borrifando para o “sucesso” porque esse, por muito que choque as vestais do sistema, se mede por outros critérios.
  • ou os professores já passam toda a malta que esteja no limiar, pois ninguém pensa sequer passar um aluno com o “limite” de negativas, porque depois há recursos e o cliente tem sempre razão.
  • ou são casos residuais, com um azar do caraças com o CTurma que lhes calhou.

Já agora… a conversa do “tadinhos dos pobrezinhos, que chumbam muito mais” começa a aborrecer um bocado, pois a lógica subjacente é… os professores discriminam os alunos que têm menos meios económicos. Se isso acontece? É capaz de acontecer, mas se calhar é bem mais residual do que se quer dar a entender e a DGEEC poderia antes explicar que os alunos já chegam em desigualdade de oportunidades ao portão da escola e muitos milagres já lá se fazem. E, embora saiba que está fora das suas competências, fazer umas propostas para que não se tenha de resolver tudo, mesmo na base do fingimento, dos portões para dentro das escolas.

Não é de agora que me chateia este tipo de conversa pretensamente “bem intencionada” e que vem “denunciar” o que se dá a entender serem práticas discriminatórias das “escolas” e, com greve no horizonte, dos professores.

Por fim, a mim causa sempre alguma estranheza os relatórios oficiais que aparecem sem ficha técnica. Gosto de saber quem é que, exactamente, escreveu o quê, em especial quando são tiradas de natureza política em trabalhos apresentados como técnicos. É esta uma questão acessória, atendendo ao dramatismo dos dados? Nem por isso, porque eu não tenho acesso aos dados de base do estudo e sem saber quem os analisou, não tenho elementos para saber tudo o que preciso sobre a credibilidade da coisa em si.

E a modos que é assim à 6ª feira… um tipo fica sem filtro. Mentira. Ainda com muito filtro, porque se contássemos toda a porcaria que o sistema apaga na busca de produzir “sucesso”, até a barraca abanava.

omo

(vou ter de ler em profundidade as 72 páginas… devo ter falhado a recomendação para dar mais “formação” aos professores… “formação contra a discriminação”…)

11 thoughts on “Como Estou Bem Disposto, Explico Devagarinho

  1. Ou não foram já para o vocacional . de realçar que em números exactos dará aí um dois alunos se tanto por turma.A forma como se diz as coisas

  2. Mas não sei como chegaram à correlação de pobreza com maus resultados. Espantoso, ninguém
    em seu juízo perfeito chegaria a tal conclusão.

  3. nos meus tempos de uniburgo, eu chumbava com menos de 7 quem redigisse um relatório nestas condições. Tinha a fama de “mau feitio” por ser muito rigoroso nos trabalhos e relatórios e “demasiado permissivos” com exames mais fáceis. E este relatório mostra bem aonde se deveria ser rigoroso. O modo como se tiram conclusões sem análise multivariada ao nível do sec XXI, modelos de causalidade, testes não paramétricos, modelos bayesianos (mesmo que parcialmente enviesados…). Enfim. SAD!

  4. Biased information/manipulation:

    1- sai 1 notícia sobre as melhorias dos alunos portugueses a nível internacional ou europeu (já não me lembro);

    2- os orgãos de comunicação social salientam os chumbos;

    3- os professores são, nas entrelinhas ou explicitamente, os culpados.

    Agora liguemos as coisas e lembremos a greve de dia 15 e os Porfírios do PS a dizerem que não pode ser, que há o mérito e tal e que não há money para descongelamentos e que somos muitos e tal.

    Ainda não acreditam em “teorias da conspiração”?
    Ok, reformulo, em manipulações informativas?

  5. Conversa na sala de professores:

    “Então, vamos fazer greve dia 15?”

    “Não, preciso do dinheiro!”

    E, como a disposição é boa:

    ” Ah bom, e já pensaram e fizeram contas em quanto já fomos roubad@s?”

    (silêncio)

    Agora já com pior disposição:

    “Eu vou chegar ao topo da carreira, caso não morra antes. Vocês ficam a meio. Agora vou de fim de semana. Se não se importam, levem a chave da sala e mais o papel do jovem para colocarem na gaveta do DT que tenho mais que fazer”

    “Então não escrevemos que o aluno não fez os trabalhos que o mandaram realizar?”

    ” Escrevam vocês. Abram novamente a plataforma e escrevam isso. E escrevam tb que estive a fazer oralidade com o aluno porque o jovem não tinha o manual.”

    (silêncio)

    Bom fim de semana.

  6. Claro que há manipulações informativas, se não repesquem-se as pseudo notícias publicadas antes das eleições e as atuais! Então não seria preferível ter dito logo que não havia dinheiro para todos e pensar num plano faseado que fosse inteligível, honesto e respeitador do trabalho e esforço de todos!? É insuportável a desonestidade e manipulação, em que se vive.

  7. o meu comentário-resposta não passou no crivo mas direi que relatorios desses dariam a chumbo de 7 a alunos meus nos anos que leccionei na universidade. Não há desculpas para este tipo de relatórios ser assim apresentado.Nenhuma

      1. thanks. Eu confesso que às vezes perco um pouco as estribeiras mas, como eu vejo tanta mediocridade em altos cargos e alguns de nós a pensar correctamente, mas sem eira nem beira e com maior qualidade do que tantos imbecis com a “vida feita”, os meus comentários por vezes são exagerados.

  8. já tenho ceticismo quanto á pobreza que se diz existir: é que vários dos ditos pobres, assim identificados pelos escalões da ação escolar, têm património eletrónico mais valioso que os profs que os ensinam ou vão de motociclo ou automóvel para a escola…

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