Não Pode Ser Argumento

Muito menos numa televisão pública. Que a “polémica” traz audiências e que as ofensas gratuitas do consultor de comunicação Moita de Deus (pretenso monárquico, alegadamente de um selecto inner circle do Presidente da República) a uma classe profissional trazem visibilidade ao programa. Ouvi isto em segunda mão (em primeira seria de um dos participantes) e só pude pensar que há quem participa naquele programa, colocando de lado qualquer escrúpulo ético em troca de share que justifique a avença e que o moderador ainda deve pensar que está no Canal Q. Porque uma coisa é a liberdade de expressão outra a expressão de ódio sobre toda uma profissão.

E se o argumento para tolerar aquilo é esse, então já pensaram que hã coisas que dão ainda mais audiências? Já pensaram convidar o Pedro Guerra e dizer-lhe que os professores são todos do Sporting?

Lua

(nunca tinha usado tanto a etiqueta “animalário” como nestas últimas duas semanas…)

5 thoughts on “Não Pode Ser Argumento

  1. Uma jornalista escrveu um artigo num tom sarcástico suave e excecionalmente respondi via e-mail:

    “Aquele que ensina uma arte, uma actividade, uma ciência, uma língua” é um “professor”. Pode ser bom ou mau, ensinar há muitos anos ou nem por isso. Pode trabalhar perto de casa ou a quilómetros de distância, ter ou não ter horário completo. Dar uma disciplina ou várias. O dicionário não entra nestes detalhes. Também não diz que é alguém importante nas nossas vidas, que avalia, mas não gosta de ser avaliado.
    (…) Numa semana em que os professores fizeram greve e em que os governantes não souberam o que fazer, os “peritos” (sentido figurado para “professores” e, talvez, para “sindicalistas”) ganharam.
    (…) Forças policiais, magistrados e militares são os fregueses que se seguem. Má sorte para quem não é funcionário público e continua no “congelador”. Rita Pimenta (Público) – rpimenta@publico.pt

    Resposta:

    O professor, perito em avaliação, é como o padre perito no Pai Nosso; e como diz o provérbio, muitas vezes estão a tentar ensinar o Pai Nosso ao padre no que respeita a avaliação…!
    É que o professor APENAS não gosta de ser avaliado por critérios totalmente subjetivos, que não avaliam a pericia técnico-pedagógica mas aspetos pessoais da personalidade, permitindo uma total arbitriedade e discricionariedade do(a) avaliador(a), cuja legitimidade técnica avaliativa nunca foi reconhecida, e abrindo portas a abusos de poder, retaliações, vinganças e assédio moral, relativamente a situações de relacionamento interpessoal ou de cidadania (posições politicas, religiosas, orientação sexual, etc.) e não a situações de produtividade laboral. Algo que os jornalistas como trabalhadores de certeza também desgostam…
    Tanta berraria e afinal ganharam ‘uma mão cheia de nada’ devidamente presenteada pela convicção do PM de que a história não recua e a confirmação afetuosa presidencial de que nunca pode ser igual ao que era antes…!
    E é seguramente muito estranho quando se vilipendia explicitamente ou subrepticiamente alguém que é importante nas nossas vidas, demonstrando uma certa esquizofrenia emocional ou uma ambivalência passiva-agressiva.
    Quem não é trabalhador público e continua no ‘congelador’, talvez devesse possuir motivação para apoiar moralmente o trabalhador público que luta laboralmente para exigir os direitos básicos, já que o que ocorre na administração pública é referência para o que pode ocorrer no setor privado. É que se o trabalhador público se resigna à má sorte, a potencial degradação dos serviços é iminente e perigosa para todos, bem como não existirá nenhuma representatividade reivindicativa numa sociedade com desigual distribuição de riqueza, algo tranquilizador para quem se refastela com as manigâncias fiscais que o põe a salvo das respetivas contribuições e com os donativos orçamentais sob a forma de créditos fiscais, contratos públicos, avenças, resoluções, etc.
    “Aquele que ensina uma arte, uma atividade, uma ciência, uma língua” em vários momentos da vida profissional lida com jovens sem referencial em casa, com todos os ingredientes para adotar comportamentos que darão trabalho aos fregueses das forças policiais e magistratura, e muitas vezes esse trabalho é evitado pela ação do docente, poupando alguns milhões anuais ao Estado, que poderiam ser usados na reposição salarial legitima e estimuladora de uma maior motivação profissional. E assim criava-se um ciclo virtuoso com neutralidade orçamental…

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  2. É verdade Paulo Guinote. Uma coisa é liberdade de expressão e outra é a deliberada expressão de ódio a uma classe. Já sabemos quais os objetivos de tal campanha generalizada de difamação. Não somos inocentes e sabemos como se pode manipular a opinião pública, conhecemos as técnicas e os fins de tal manipulação. Mas creio que nunca se viu isto contra mais nenhuma classe profissional. Sempre que que os professores reivindicam alguma coisa, cai o Carmo e a Trindade. Não sou muito de levar a sério as “bocas contra a escola e professores” porque este povo gosta é de falar mal dos outros, penso para com os meus botões,” faz o teu trabalho e fica de consciência tranquila”, mas caramba isto já é demais. Sinto me ofendida. Começo a pensar que seria bom deixarmos a Escola, por algum tempo, tempo suficiente, para nos reconhecerem o devido valor. Quero acreditar que os professores reúnem massa crítica suficiente para dar a volta a esta tremenda e injusta campanha de difamação, porque é disto que se trata.

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