Penso Eu De Que

Uma passagem do texto (algo áspero e com nomes nos bovinos) para o JL/Educação da próxima semana.

(isto é feito com muito avanço)

A ausência de uma defesa clara dos professores nestes momentos de conflito mais aberto por parte dos responsáveis políticos do ministério da Educação tem, em meu entendimento, um significado importante, pois reforça a clivagem que já vem de longe entre decisores políticos e professores e a enorme desconfiança da generalidade destes em relação àqueles. Com interesses circunstanciais contrários ou não, parece-me impensável que num país que em alguns momentos se quer civilizado, “europeu”, desenvolvido, a classe docente possa ser assim difamada em terreno público perante o silêncio do ministro da pasta e dos seus secretários de Estado. Sabemos que existem antecedentes piores, mas a omissão perante este tipo de ofensas não é argumento. Tiago Brandão Rodrigues, Alexandra Leitão e João Costa têm uma missão pedagógica a desempenhar nestas matérias, ou tornam-se apenas versões menos agressivas da tríade Maria de Lurdes Rodrigues, Valter Lemos e Jorge Pedreira que em 2007 apostaram em virar a opinião pública contra a classe docente no seu todo.

PG Verde

 

Citando

Alguém tão caro a gente que se diz sofisticada, civilizada e europeia.

“O professor merece reverência, a começar pelo cargo que representa, pelo simples facto de ser professor. A partir do momento em que se mina esse sentimento, tudo pode acontecer.” João Lobo Antunes (Ensino Magazine, 2009)

respect

Cronologia Breve de Alguns Factos e Uma Pitada de Má-Língua

  1. O actual ME surgiu publicamente a afirmar que iria defender “radicalmente” os direitos dos professores.
  2. Alguns dias depois, desapareceu vertiginosamente do espaço público por se encontrar indisposto.
  3. Mais uns dias e voltou para afirmar que está satisfeito com a verba para o seu ministério, sendo que a dita cuja não permite qualquer “radicalidade” na defesa dos direitos dos professores.

Eu sei que haverá quem vai já defender a real politik ministerial, acrescentando que ele é muito corajoso, que não o mandaram meter a viola no saco e falar só o que vem no guião da semana, que só não se vem embora porque coiso e tal, mas que só não sei quê porque o agarraram firmemente, pois, caso contrário, ia tudo radicalmente em frente e de través, porque ele não precisa disto para nada.

Eu acho que precisa. E que, por isso mesmo, amochou.

(esta foi a parte da má-língua para quem não notou)

METiago

Por Aqui Já Não Há Preocupação Com Milhões, 250 Para Ser Mais Exacto

24 de Novembro:

Nova taxa aprovada esta sexta-feira no Parlamento deverá ir buscar cerca de 250 milhões de euros aos produtores de energia renovável que até agora estavam isentos do pagamento da contribuição extraordinária sobre o sector energético (CESE).

27 de Novembro:

“O Governo não honrou a palavra dada”, vincou Mariana Mortágua antes de descrever todo o processo de negociação entre o Bloco e o Executivo sobre a medida. Defendeu que as renováveis “devem ser apoiadas – e são-no em toda a parte”, mas realçou que a EDP Renováveis tem em Portugal 12% da sua produção mas consegue aqui 27% dos seus lucros, sobretudo à conta dos 400 milhões de euros que são cobrados aos consumidores.

A bloquista diz que a medida acordada com o Governo era “uma medida correctiva, ainda muito parcial e moderada” e só em parte reduzia esses “lucros excessivos”, não atingia qualquer novo investimento e eram apenas chamados a contribuir os produtores antigos, cujos investimentos já foram “várias vezes amortizados”.

A medida, insistiu, foi “trabalhada e adaptada nos seus detalhes em acordo com os ministérios da Economia e das Finanças”. Foi aprovada na sexta-feira e a sua avocação na “vigésima quinta hora”, quando já expirara até o prazo formal para pedidos de avocação “é um episódio que fica na história deste orçamento e desta maioria política”.

O que fica à vista, diz Mariana Mortágua, é que o PS “preferiu amarrar-se aos mesmos sectores que já protegeu nos seus governos anteriores“.

Mas ainda não tinha, percebido que estamos a voltar a 2007?

O valor é mais do dobro do que dizem estar disponível para o descongelamento da carreira dos professores.

Realmente… há prioridades e prioridades.

Aguardo, sentado, a reacção vigorosa e emplumada dos defensores dos contribuintes (moitasdedeus, césaresdasneves, marquesmendes, etc, etc…) que nas últimas semanas se arrepelaram contra os gastos excessivos e os perigos de desequilíbrio orçamental por cedência a “interesses corporativos”.

O pântano continua pujante.

Frade

Aqui Já Não Há Problema

Os organismos públicos gastaram, em média, 15,2 milhões de euros por ano em contratação externa de assessoria jurídica entre 2014 e 2016, o que representa mais 4,9 milhões do que no triénio anterior e quase o dobro do registado entre 2008 e 2010.

É só ir à base e descobrir os júdices, sérvulos (pelo menos 23 contratos só este ano, 24 o ano passado) e tutti quanti. Porque parece que, afinal, os serviços públicos não têm competência para certas coisas.

Money3

Uma Mão Cheia de Nada, Outra De Coisa Alguma

Depois dos opinadores de serviço e da sua barragem de desinformação, chegam-se à frente os governantes com os seus “argumentos”. O giro é que para umas coisas os professores são funcionários como quaisquer outros (sempre que é para cortar direitos a eito), mas para outras já têm carreiras diferenciadas e especiais (quando é para evitar repor esses mesmos direitos).

Nas prometidas reuniões com os sindicatos dos professores e quanto à possibilidade de o Governo vir a considerar o tempo em que a carreira ficou congelada, Maria Manuel Leitão Marques diz, em entrevista ao Negócios e à Antena 1, que a única promessa que o Executivo faz “é ouvir” e “procurar um entendimento”.

Ouvir e “procurar” um entendimento. Não é alcançá-lo. O que se passou foi um adiamento do conflito.

Maria Manuel Leitão Marques não é uma governante qualquer. É ministra da Presidência. Vem de longe. Partilhou de forma activa as políticas do engenheiro e nunca viu nada de errado no que se passava em seu redor. Agora, é alguém que quando fala traz consigo a versão oficial do governo, não lança bitaites. É uma espécie de Vieira da Silva para estas matérias. Ao pé dela o ME é um aspirante a aprendiz de feiticeiro.

E, claro, repete, algo que objectivamente é falso, porque existem três pontos de estrangulamento na progressão na carreira dos professores. Ela finge que não sabe. É desonesto.

De resto, explica, no caso dos professores, o tempo que demoram a atingir o fim da carreira é quase o equivalente a um terço do tempo necessário para um funcionário público normal. “É bom ver também as diferenças que existem”, lembra a ministra.

Progressão