C’um Camandro, Voltámos ao Mesmo!

Infarmed: 27 pessoas para avaliar transferência para o Porto

Membros não são remunerados mas podem receber despesas de deslocação. Relatório terá de ser entregue ao ministro até 30 de junho de 2018.

O grupo de trabalho criado para avaliar os cenários alternativos para a implementação da deslocalização do Infarmed para a cidade do Porto é constituído por 27 elementos e o relatório terá de ser apresentado ao ministro até 20 de junho de 2018, de acordo com o despacho publicado esta terça-feira em Diário da República.

Ouroboros

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E Agora As Coisas Que Interessam Mesmo

Uma dupla sessão de leitura (Quiquiriqui, um já clássico destas sessões, e O Segredo da Tartaruga Huga) com a petizada da pré e dos 3º e 4º anos de duas escolas do meu agrupamento. E ainda me presentearam.

(não sei bem qual foi a proporção “expositivo/interactivo”, mas garanto que falámos muito de gatos e cães… e bolos de chocolate ou morango…)

 

Abandonai Toda a Esperança, Vós, Que Aqui Entrais

As declarações deputado Silva (Porfírio, de sua graça) e o texto de Paulo Trigo Pereira no Observador são mais do que a exposição de pontos de vista pessoais sobre a questão da carreira dos professores. Ambos representam o inner core do actual PS de António Costa, aquele PS que não era pelo engenheiro mas nem sempre tinha coragem de o assumir com clareza, que acha que muito do que foi feito esteve bem, apenas tendo sido mal comunicado à populaça. Por isso, o que ambos transmitem é o que o actual PM quer que se saiba sem ele meter mais as mãos no assunto, até para não se baralhar nas concordâncias. Se a verborreia do senhor deputado Silva é especialmente pouco criativa ou imaginativa e tem o valor que se pode dar ao seu equivalente para as questiúnculas económicas (o Galamba mais novo, aquele que aparece naquelas coisas chatas relacionadas com o tal engenheiro, que já então o usava como amplificador, enquanto outros reviam os textos da “tese”), já o texto de PTP é todo um programa para a relação do governo com os protestos dos professores.

Há muita coisa que ali está e que pode passar despercebida de tão explícita que é. Passemos sobre a falta de transparência intelectual (olha-me eu a cair para os eufemismos) relacionada com o uso habilidoso do termo “retroactivos” para contaminar todo o debate e tentar colocá-lo num terreno considerado favorável. Essa de irmos atrás do engodo tem limites. Chega dizer o que acima fica.

Passemos ao que é mesmo importante. Vou isolar três questões (isto não vai ser breve):

  • A primeira tem a ver com o facto do PS de António Costa considerar que não existe qualquer compromisso com os professores acerca deste assunto, seja de forma directa ou indirecta (através de compromissos com os outros partidos da geringonça), Como escreve PTP  não se está em causa, em seu entendimento, o “incumprimento do programa de governo que está a ser cumprido (reversão de cortes e descongelamento respetivamente na primeira e segunda partes da legislatura), nem dos acordos do PS com os partidos à sua esquerda.” Aliás, qualquer “reversão” neste caso do congelamento seria uma reversão em relação a duas decisões do próprio PS (2005 e 2011). Seria reconhecer que fizeram mal e a injustiça foi causada por muitos dos mesmos que lá estão agora e aplaudiram. Não acreditem nisso, pois a arrogância do velho PS do engenheiro não desapareceu, só levou uns tiritos na máquina corporativa dos abrantes. Mas os outros andam todos aí, às claras e às escuras a plantar notícias e a encenar opiniões.
  • A segunda relaciona-se com a forma como PTP apresenta a forma de solucionar a disputa em torno da contabilização integral do tempo de serviço dos professores. A forma correcta é aquela que trata a questão como “política” e não como “sindical”. Desse modo “uma questão política de elevado impacto social e orçamental que deveria ser resolvida politicamente nas suas linhas gerais por Costa/Centeno com o acordo de Catarina e Jerónimo. A negociação com sindicatos deveria ser subsequente à negociação política e trataria dos detalhes.” Ou seja, em nenhum momento entram em linha de conta quer os professores, quer os sindicatos, quer o próprio ME. O ministro Tiago anda lá para tratar de “detalhes” com a secretária Leitão, enquanto o SE Costa “flexibiliza” os professores com conversas mansas pelo país. O Mário Nogueira faz o que o “Jerónimo” mandar e os outros “radicais” aquilo com que a “Catarina” concordar. Não é, já agora, por acaso e apenas por assim serem mais conhecidos publicamente, que uns são tratados pelo apelido e outros pelo primeiro nome. É mesmo uma espécie de patamar hierárquico. Há os dos apelidos, os dos primeiros nomes e, por fim, aqueles que nem são nomeados (os professores, incluindo o sindicalista, líder da Fenprof). Se tivermos memória, foi um bocado desta forma que em outros momentos as coisas se resolveram, só que com outros nomes, com a curiosidade do papel central do triunvirato de das Silvas (Vieira, Carvalho, Dias, por ordem decrescente de grandeza e influência). O resto tratou dos “detalhes” e assina a papelada para a posteridade.
  • A terceira tem a ver com o trade off apresentado em relação a uma falsa questão. Se os sindicatos querem falar de “retroactivos” (não é verdade, mas a partir de dado momento pretende assumir-se como verdade o que é uma adulteração do conceito), então deve também introduzir-se no debate a recuperação da divisão formal da carreira docente. PTP é claro, pois considera “que mais importante que a avaliação de professores, sempre difícil, é a formação e a seleção de docentes e uma diferenciação da carreira em duas categorias.” E aqui temos a recuperação do que de mais detestável teve a investida de Maria de Lurdes Rodrigues. É verdade, a ADD foi sempre um pretexto desonesto para encobrir o desejo de partir a carreira e estrangular a sua progressão com a figura do “professor titular”. Não nos deixemos enganar, António Costa e quem interessa e tem poder no Governo e no PS que está no poder não abandonou o projecto de MLR neste aspecto. A ADD foi sempre o pretexto fácil e demagógico para diabolizar os “professores que avaliam e não querem ser avaliados”. O que esteve sempre em causa foi uma questão financeira, pura e dura. Com a legitimidade limitada de tantas outras questões apresentadas de forma desonesta. O que está em causa é, por via da revisão do ECD, reforçar os mecanismos já existentes de travagem da progressão salarial dos professores. Se a questão está em premiar o mérito, porque baixaram as bonificações pela obtenção de graus académicos e acabaram com as licenças para os obter ou dias de dispensa até para participar em congressos e colóquios? Sei do que escrevo por conhecimento de causa, não por algum parente ter sido gaseado algures na Flandres (é ler o artigo todo). Já agora, o PTP ganharia em saber que já não existem coordenadores de área pedagógica (porque será que se lembrou de tal? algum efeito “retroactivo”?)

Por fim, gostaria de replicar às “desconversas” de PTP que se coloca naquela posição cómoda de qualificar as posições contrárias dessa forma. Passo adiante a parte dos militares (concordo que devem ter uma carreira sem comparação com as restantes do Estado e não me morreu ninguém na família em combate, pelo que nem vou comentar a demagogia do argumento usado por PTP para se legitimar) e concentro-me na teoria do one shot (foi assim que me foi qualificada por outra pessoa) das injecções financeiras na banca por contrapartida com os encargos contínuos decorrentes do efeito da progressão dos professores. Para começo de conversa, para one shot, as “injeções que pretendemos que nunca mais se repitam” têm-se repetido de forma bem recorrente, quase anualmente. E quanto a números concretos, os alegados 600 milhões são bem mais do que os encargos reais e não entram sequer em conta com o facto de muitos dos docentes em causa estarem em idade de se aposentarem na próxima meia dúzia de anos (o “envelhecimento docente” só aparece quando dá jeito); e as “injecções” na banca são de uma escala muito maior e pelos últimos cálculos dariam para mais de 15 anos (com os valores deste ano) ou 30 anos de encargos (com o valor já a<cumulado) com a recuperação do tempo de serviço dos professores pela estimativa mais elevada (é fazer as contas, 10 000M€ ou 21.000M€ a dividir por 600M€).

Resumindo: desenganem-se aqueles que acham que é mesmo com novos desfiles e greves episódicas que se consegue vencer um muro erguido durante 12 anos.

Concordo plenamente com o desejo de PTP de ter uma “conversa razoável” acerca destas coisas. Mas, para isso, há que ter seriedade nos fundamentos e argumentos das posições em confronto.

A mim parece que de um lado há uma posição “política” que entra pela “pós-verdade” e pelos argumentos de autoridade. Deste lado, tenta-se responder com a verdade à moda antiga e argumentações que tentam fugir às falácias (aquela do tempo de progressão entre as várias carreiras nem merece já desmontagem).

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As Vantagens Eram Poucas, Mas Lembro-me de Uma

Não havia deputados silvas, porfírios de sua escassa graça a fazer de gurus políticos e recadeiros.

Sem querer “interferir” nas negociações entre Governo e sindicatos de professores que vão decorrer a partir de sexta-feira, o PS deixa o aviso: “Sabemos que não é possível repor o mundo como era há meia dúzia de anos atrás”.

O deputado socialista Porfírio Silva reage assim às reivindicações de PCP e PEV, que voltam a fazer pressão sobre o Governo para que avance a contagem integral do tempo de serviço dos docentes, com dois projetos de resolução que vão ser discutidos já nesta quarta-feira.

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A Ler com Atenção

Desde 2005 que o plano de grande parte do PS passa por aqui:

Aquilo que muita gente não percebe é porque é que a carreira de professores do básico e secundário só tem uma categoria. Até há bem pouco tempo a carreira dos professores universitários tinha cinco (de assistente estagiário a catedrático), sendo necessário mestrado e doutoramento para se aceder a professor auxiliar e a partir daí as promoções por concurso. 

(…)

O fracasso de Maria de Lurdes Rodrigues em implementar as duas categorias (com a criação do professor Titular) deveu-se ao facto de ter associado a nova categoria, entre outros factores, à avaliação de desempenho, e aquela que quis implementar era completamente inadequada. Os professores revoltaram-se, com razão, contra o sistema de avaliação que lhes foi proposto e de arrasto foi “com a água do banho” a carreira com duas categorias.

Paulo Trigo Pereira parece não ter percebido até hoje – e se ele não percebeu o que esperar de tantos outros – que a criação dos “titulares” foi mais ofensiva do que a própria add. Pronto… é a minha opinião. Vale o que vale, mas parece-me que vale mais do a de quem olha de fora com preconceitos “superiores”.

Se querem que tenhamos uma carreira como a dos “superiores” também podemos ter a sua carga horária semanal?

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Diga? Desculpe-me, Mas Desliguei, Naturalmente, Há Muitos Anos…

… de tanto ouvir o mesmo.

A responsável do Conselho Nacional de Educação sublinha que usar muito este método não é eficaz pois “ao fim de algum tempo a ouvir-se alguém falar deixamos, naturalmente, de ouvir”.

No entanto, eu consigo encontrar na passagem seguinte pistas para a permanência do “método expositivo”:

Os docentes portugueses usam pouco atividades ou métodos de cariz mais prático, sendo o uso das aulas mais expositivas algo que acontece independentemente da idade dos professores o que mostra que esta é, sobretudo, uma prática enraizada na cultura escolar do país.

Uma pista: quem é o factor invariável na formação de professores nas últimas décadas?

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(aulas mais expositivas do que algumas que tive durante a minha profissionalização é difícil…)

Uma Conversa Séria Só Se Pode Ter Com Argumentos Sérios

Não é o caso de Paulo Trigo Pereira quando escreve que “o que está em causa é algo inteiramente novo e distinto que é o problema do que poderemos chamar de “retroativos”, isto é, como considerar o tempo em que as carreiras estiveram congeladas, em carreiras onde o tempo de serviço é um factor preponderante, onde só existe uma categoria e a progressão se pode fazer do primeiro ao ultimo “escalão” (…).

Não, não se pode chamar a isso retroactivos. Paulo Trigo Pereira sabe isso muito bem. E é pena que se preste a este tipo de espectáculo deprimente de torturar as palavras e conceitos para objectivos políticos. Ninguém está a pedir 1) a recuperação de salários não auferidos; 2) uma acção que altere o passado. Apenas se pede o cumprimento do que está no Estatuto da Carreira Docente. Que o tempo de serviço prestado seja contabilizado enquanto tal. Ninguém pede a alteração do tempo passado, bonificações, extras, benesses especiais que alterem as regras legisladas.

O que Paulo Trigo Pereira pretende é mesmo baralhar as coisas, dar a entender algo que não é verdade, “desconversar” como refere em outra parte do seu texto, cuja especial vantagem se encontra – em meu escasso entendimento de não economista e certamente não convertido às conveniências da real politik – nesta passagem que vem mesmo antes do excerto acima:

O que está em causa, como já se percebeu, (…) Não é o incumprimento do programa de governo que está a ser cumprido (reversão de cortes e descongelamento respetivamente na primeira e segunda partes da legislatura), nem dos acordos do PS com os partidos à sua esquerda.

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