O “Exercício” da Aldrabice

Quanto à diferença dos números que constam no documento divulgado esta semana pelo Governo e os que chegaram depois aos sindicatos, o Ministério da Educação garante que “não há qualquer contradição”, já que se referem a exercícios diferentes. “Na apresentação divulgada constam todos os docentes que, ao longo de 2018, somam o tempo necessário para progredir”, explica a tutela. E esses totalizam os tais mais de seis mil e de sete mil que reúnem pelo menos uma das condições – o tempo de serviço – para mudar para o 5º e 7º escalão.

Falta depois saber quantas vagas vai o Governo abrir nesses patamares e quantos conseguirão progredir diretamente.

UM QUARTO CHEGA AO TOPO

Com a existência destes filtros, o número de professores que vão progredir em 2018 não ficará acima dos 50 mil, como anunciado inicialmente. No limite máximo, e seria preciso que as quotas fossem de 100%, mudariam de escalão 38.500 docentes, calcula a Fenprof.

“Face a estes novos números para dois escalões (o que levanta legítimas dúvidas sobre a validade dos apresentados para os restantes), seria indispensável o Governo refazer todos os cálculos que apresentou e que, afinal, são incorretos. Perguntar-se-á a razão por que o Governo divulgou um documento tão pouco rigoroso. Não foi incompetência técnica, terá sido, mesmo, falta de seriedade política”, acusa a federação.

O que foi enviado para a comunicação social no início da semana, para consumo acrítico e divulgação pelas escápulas habituais, não passou de um exercício de propaganda vergonhoso a lembrar outros tempos. Os números fazem-me lembrar aquelas coisas que se apresentaram nos tempos da troika como sendo “estudos”, mas que depois tinham os números errados, desactualizados ou truncados. E os números que o ME tem divulgado sobre os custos das progressões, do descongelamento ou da recuperação do tempo de serviço são sistematicamente falsos, mesmo não tendo eu acesso a qualquer informação privilegiada. Basta ter uma pequena noção dos valores em causa. dos mecanismos e tempos de progressão e fazer uns cálculos muito básicos. Ainda bem que a Fenprof decidiu, dois anos depois, abrir os olhos e aguçar o engenho que nem sempre teve disponível.

Eu sei que há quem diga que a culpa é das Finanças e de uma outra qualquer secretária de Estado, mas eu prefiro que a culpa seja solidária, incluindo quem quer passar pelos intervalos da chuva, alegando que não é da sua “área de competências”.

Ou bem que comem todos ou não há moralidade que aguente.

Alcatrao2

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