Nunca Esperei Que Defendesse a Educação ao Serviço da Economia

Mas há sempre uma primeira vez para tudo. Nunca pensei que alguém próximo do MEM entrasse por este tipo de “lógica”. A “Economia” não pode (não deve!) determinar de forma determinista o rumo da Educação. Mesmo que isso pareça pouco “moderno” quem preside ao CNE deve defender a autonomia da Educação e não a sua subserviência.

A cultura da escola vai mudar “porque a economia está a pedir coisas diferentes”

sinal

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Previsões para 2018 – 3

A experiência-piloto do projecto de autonomia e flexibilidade (curricular, para não ficar paf) será declarada um sucesso numa avaliação à saída do ano lectivo em estudo encomendado a um grupo de capuchinhos do isczé já reitorado pela pasionária, com conclusões a tempo de constatar níveis de sucesso a rondar os 102% e o abandono a atingir os -0,7638%. Em seminário aberto a todos os crentes, será revelado que num 231º agrupamento, mantido em segredo até ao momento para não estragar o decorrer da experiência (mais concretamente o agrupamento transversal da Costa da Verdasqueja), a flexibilização do currículo conseguiu níveis ainda maiores de sucesso (107,21%) e de combate ao insucesso (-2,89%), capazes de fazer um finlandês corar de vergonha e qualquer governante singapurense vir a correr estudar a coisa, graças a uma estrutura em trimestres, com um período para cada língua em doses de 50 minutos semanais (a escolher três entre Português, Inglês, Francês, Castelhano e Mandarim), cada ciência “social” (duas a optar entre História Mínima, Geografia Paralela, Sociologia Isczé, Antropologia do Portugal dos Pequenitos e Estudo Comparado das Religiões Ecuménicas com Transmigração das Almas) e cada ciência pretensamente “exacta” (duas a sortear entre Aritmética da Tabuada, Ciências da Natureza Morta, Física Aplicada ao Quotidiano, Química Divertida e Geologia dos Calhaus); num regime anual, com 200 horas semanais ficam as disciplinas de Educação para a Diversidade Transversal, Educação Rodoviária (excepto para futuros ciclistas de fim de semana), Educação para o Empreendedorismo Partidário (sem IVA), Expressões Sortidas com Destaque para os Corpos Danone e Educação para a Zumba na Caneca. Como se perceberá, a soma é de 1150 minutos semanais, muito abaixo das matrizes obesas em funcionamento até 2017 ou escolas arcaicas com professores do século XIX.

Quanto ao recrutamento dos docentes para este novo modelo curricular que implica um novo paradigma formativo inicial e contínuo, será feito com base em actos discricionários da administração, no sentido de se rendibilizarem os recursos e se defender o interesse público, bastando uma formação de 50 horas (25 presenciais) em “boas práticas” a facultar por uma parceria constituída pelo que de melhor se achar no mercado dos porfírios, verdascas e roldões ou outros especialistas em encavalitanço adesivado. No caso de se inscrever nos primeiros quinze dias de Agosto terá direito a acesso ao cargo de coordenador dos novos departamentos curriculares transversais.

Afixe-se!

Bola de cristal

 

(Adenda: ia-me esquecendo da disciplina semestral opcional com 50 minutos de Tecnologias Fixes a alternar com Tecnologias Mesmo Maradas.)

Um Certo Nojo

É a única sensação que pode sentir-se perante uma classe política que legisla em interesse próprio e quer apagar o rasto. Esta gente não merece qualquer respeito e tem a sua graça quando se ouvem uns a criticar os abusos na Madeira e os outros a apontar o dedo à Festa do Avante e depois se unem para uma solução que isenta ambos de “chatices”.

Foram nove meses de discussão na Assembleia, num grupo de trabalho dito “informal” (mas que no site do Parlamento aparece como formal) e que funcionou sempre à porta fechada, sem que os jornalistas pudessem acompanhar as discussões. 

José Silvano, o deputado do PSD que coordenou os trabalhos, reconhece o método adoptado: “Se é um grupo informal, não há propostas [oficiais]. Os partidos sugeriram essas propostas, mas não sei qual e em que pontos”, disse ao PÚBLICO. E não há provas documentais do processo? “Não existem actas, de documental só existe a lei que foi aprovada. No grupo de trabalho não havia votação e as propostas eram apresentadas oralmente”, confirma o deputado. E com a colaboração dos responsáveis financeiros dos partidos, que foram envolvidos — o que Luís Patrão, do PS, reconhecia na notícia do PÚBLICO que deu o caso ao conhecimento de todos.

A ideia era que tudo fosse como no jogo do “amigo secreto” – todos davam as prendas, mas ninguém teria que saber de quem era. Porque o objectivo era que, no final, houvesse unanimidade na votação das alterações à lei. Só que o CDS estava contra. E bloqueou o processo que estava a ser feito em contra-relógio logo em Julho, impedindo os restantes partidos de aprovarem o bónus antes do Verão e a tempo das autárquicas.

(…)

Foi assim que, no dia 21, a lei foi aprovada de uma assentada na generalidade, em especialidade e votação final global, apenas com votos contra do CDS e do PAN.

(…)

Tudo começou em Abril, quando o presidente do Tribunal Constitucional alertou os deputados para dois problemas relativos à sua responsabilidade de fiscalizar os partidos. Primeiro, que o tribunal estava a funcionar como instrutor e decisor ao mesmo tempo, o que levantava um problema de inconstitucionalidade. Segundo, que não havia direito a recurso de uma decisão. Acontece que, se este foi o mote inicial, o grupo de trabalho acrescentou-lhe dois pontos: acabar o valor máximo para os fundos angariados (uma reclamação do PCP para não ter mais problemas com a Festa do Avante!, mas que o PSD aproveita no Chão da Lagoa) e deixar preto no branco que os partidos passam a ter devolução do IVA de todas as suas despesas (ao contrário do que o Fisco tem determinado em vários casos, o que já levou o PS a reclamar cinco milhões em tribunal).

Um PR a sério vetará isto sem sequer ter de se explicar.

Scream