Fake News

Ontem, o Expresso da Meia Noite era um misto de elogio aos 45 anos do Expresso e uma espécie de manifestação da necessidade de combater as fake news, nas redes sociais e não só. Ora… o meu problema é como “e não só”, porque boatos e maledicências sempre existiram na esfera pública, mas tinham um impacto restrito e a função da comunicação social era exactamente fazer o tal cotejo do verdadeiro e do falso e apresentar-se como fonte de informação fidedigna, mesmo que se soubessem as inclinações ideológicas de cada jornal. O problema foi quando se percebeu que a generalidade da imprensa (até mais do que nas televisões, que enveredaram mais pelo entretenimento) tinha “espaço” para a “plantação” de notícias, em especial na área da economia e finanças. E não só. A imprensa descredibilizou-se quanto abdicou, de forma desigual e nem sem sempre sobre tudo, dessa missão de garantir uma análise objectiva da realidade, das afirmações dos políticos e da própria investigação sobre o seu trajecto, em troca de publicidade, patrocínio e, em casos muito evidentes, de uma promiscuidade com os ddt que tinha o seu momento alto numa espécie de grandes pseudo-debates sobre as “novas tendências” disto e daquilo para o século XXI como muitos keynote speakers que, como qualquer zeinal, ou pagavam o evento para aparecerem ou pagavam para que alguém aparecesse a contar a estória certa, com a reportagem em destaque no diário/semanário “de referência”.

E foi quando isso já se tornava demasiado desavergonhado, quando os fios estavam todos bem à mostra, com as marionetas estridentes a agitar-se como galinhas doidas, que um viciado em papel impresso como eu, acabou a cancelar assinaturas e a quase deixar de comprar jornais ou ver espaços de “opinião” no meio dos telejornais. Pagar para ver as plantações alheias ou encobrimentos sem qualquer pudor destes e daqueles papers e leaks?

Por isso, quando vejo certos lamentos acerca da quebra de circulação e declínio da “imprensa tradicional”, de jornalistas com responsabilidades acrescidas ou gente ainda mais elevada na cadeia dos favores só me apetece perguntar como se sentiram quando fizeram certas coisas ou se calaram quando as viram ser feitas? Ou quando aceitaram certos cargos e “promoções” para fazerem parte do “sistema”, auto-justificando-se com a importância do seu próprio papel na “renovação” do establishment.

puppet

(e a venda de grande parte das publicações do grupo balsemânico ao Luís Delgado é apenas mais um par de degraus na direcção do fundo do poço… que pena que o Pedro Santos Guerreiro não tivesse abordado esse assunto…)

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