Como se Gerem Crises

Há consultores para isso. A Cunha Vaz & Associados, por exemplo, gaba-se da sua intervenção em diversos sectores, como no caso da Educação. Percebe-se, pois, que as “centrais de comunicação” existem e não são apenas de clubes de futebol. A produção de conteúdos para a comunicação social está longe de ser uma novidade. Veja-se o exemplo dado no próprio site:

Consultoria

Já no caso do administrador Francisco de Mendia, talvez não fosse necessário destacar no currículo o seu papel de assesssor de Maria do Carmo Seabra num dos maiores desastres políticos, técnicos e comunicacionais de sempre na área da Educação.

Foi assessor da Ministra da Educação do XVI Governo constitucional, com a responsabilidade das áreas das Novas Tecnologias e da Comunicação, tendo gerido, durante esse período, a Comunicação de crise relativa ao concurso de colocação de professores.

Agradeço ao Prof. Luso o envio das referências acima, a que acrescento a nota sobre os 33 contratos no valor de quase 1,7 milhões de euros que esta empresa facturou a organismos do Estado (incluindo a então ainda vermelha CÂmara do Barreiro) e empresas públicas.

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A Secretária Leitão a Defender a “Estabilidade” e Outras Coisas Curiosas

Depois da questão da deputada do CDS (há umas semanas, só recebi o vídeo há pouco) a resposta – com a arrogância costumeira – da secretária de Estado é sintomática da impossibilidade de qualquer “solução política” (que a esta altura já tardaria muito), assim como do próximo concurso ir ser feito em moldes que se destinem a legitimar o que foi feito este ano. O mais curioso é que a secretária Leitão defende a “estabilidade” das colocações plurianuais para justificar um concurso limitado, mas depois diz que, se concorrerem poucos, é porque muitos estão satisfeitos. Faz lembrar aquela lógica das eleições em regime de partido único, em que nem todos têm direito a votar e depois se elogia a ausência de votos contra.

Esta secretária de Estado já foi longe antes de aqui chegar e com esta forma de estar é capaz de ainda ir mais e nem falo em mandatária ou coordenadora local de uma qualquer estrutura do PS, como outros que estiveram a seu lado nesta questão, mesmo que fosse apenas por flagrante omissão.

Aleitao

(a “boa gestão dos recursos” em detrimento do respeito pelas regras e pelos direitos das pessoas, afinal, não é apanágio da “direita” e da sua governação)

A Moda dos MOOC

Vou em breve fazer algo similar a um mooc depois de perceber que a dimensão do “massivo” é a menos importante. Mas a moda dos mooc está aí para lavar enquanto durarem verbas para apoiar este tipo de “ferramenta de formação”, que se diz ser toda século XXI.

E eu acho que a ferramenta tem, com efeito, muito a ver com a forma como agora estas coisas são encaradas pela via do oportunismo, superficialidade e foguetório.

Porquê?

  • Desde logo, porque se baseia na produção de materiais-padrão para consumo “massificado”, sendo especialmente interessantes os que ensinam de forma massificada como se deve praticar o ensino diferenciado e individualizado.
  • Em seguida, porque em nome de uma maior comodidade e flexibilidade para os formandos, desloca para eles quase todo o ónus do “equipamento”. Quem participa necessita de o ter em casa (pode ser no local de trabalho, mas em muitos casos o horário é incompatível com isso).
  • Em terceiro lugar, por agora, porque a verificação do trabalho dos formandos é mesmo à distância e tão virtual em alguns casos – estou a lembrar-me de coisas como cursos de administração e gestão escolar que até são bem pagos pelos aspirantes a directores do futuro, mas não só – que as possibilidades de controlo da execução do “produto” da formação é algo – vamos usar um eufemismo – ténue e bastante desadequado ao conteúdo da formação – neste caso, mais aquela que incide sobre o desempenho em sala de aula.

Mas, claro, quem critica estas coisas é porque não se conseguiu “adaptar” aos novos tempos e às imensas possibilidades que as novas tecnologias abriram para a massificação do ensino, da formação, de tudo.

Teia