Não Tentem Dar a Entender Que Isto Tem a Ver com Feminismo, Porque É Apenas Sem Vergonhismo

Chegou a generala, aquela que se recusou a fazer a avaliação legalmente exigida na instituição na qual lecciona e de que agora é reitora. Seria um acto de rebeldia coerente, se a pessoa em causa não tivesse sido implacável nas medidas de repressão sobre quem contestava a avaliação que ela lhes impôs. Contestação baseada nos mesmos argumentos: “a avaliação de desempenho não é, nem pode transformar-se, num mero processo burocrático e administrativo”. Quanto ao mais, basta comparar a escassa produção científica da senhora doutora nas décadas antes de ser ministra e o que passou a produzir (quase sempre como coordenadora/orientadora) em pouco mais de meia dúzia de anos depois do seu desempenho político.

Há quem ache que lhe dedico uma animosidade acima do razoável, mas a verdade é que são poucas as pessoas que aceitaram testemunhar contra mim em tribunal, mesmo se esse prazer lhe foi negado por manifesta falta de fundamento do processo inventado por um dos seus pontas de lança na imprensa de então.

E por isso mesmo anotei, com o devido desdém, embora sem grande surpresa, diversos likes que vi no anúncio da candidatura.

SocMLR

(não tenho qualquer dúvida que chegará mais alto… quanto ao isczé, não tenho qualquer dúvida que acederá com muito maior facilidade e rapidez a fontes de financiamento para muitas das suas investigações)

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Uma Meta Meritória

Quando se proclamam metas de sucesso a atingir e se afirma que os alunos economicamente mais desfavorecidos são as maiores vítimas do insucesso, que tal um objectivo da governação passar por conseguir que não existam escolas com mais de 50% de alunos com Acção Social Escolar? Já nem digo ir mais longe… conseguir que esse valor seja de 40% ou mesmo 30%.

De acordo com os dados de contexto económico do ranking do Público, mais de 30% das escolas básicas e secundárias (neste caso mais de 33%) públicas identificadas estão num contexto em que mais de 40% dos alunos têm apoios económicos.

(e, claro, continuamos sem dados de contexto das escolas privadas, pois a transparência exigida às públicas não tem qualquer reciprocidade)

Este número, que quase ninguém refere – muito menos as escolas em que são mais de 70% ou 80% – é central para se definirem políticas globais eficazes, que não passem por maquilhar o insucesso com estratégias e metodologias só dos portões para dentro das escolas, deixando por tocar tudo o que produz a desigualdade de oportunidades dos indivíduos e das famílias.

Um dia, expondo eu esta ideia peregrina a alguém bem colocado na área de influência forte na Situação que agora está na Educação foi-me respondido com ar blasé e assima  modos que entediado que “Ó Paulo, mas isso é algo muito complicado de fazer, devemos começar pela escola, uma coisa de cada vez.” (verdade se diga que alguém ligado à Situação anterior respondeu da mesma forma, criticando a minha “ingenuidade”). E eu concordo com metade da declaração, a metade inicial, aquela da complexidade das medidas que implicariam aumentar o rendimento das pessoas (não encobrindo que se vai buscar de forma indirecta o que se anuncia dar de forma directa) e baixar os seus encargos fixos (electricidade, gás, comunicações, crédito imobiliário, água), pois isso implica enfrentar os “poderosos” (mexias, catrogas e outras criaturas assim, de olhos em bico ou com origens que fica mal criticar), sendo mais fácil deixar tudo como está e exigir que as Escolas (públicas, claro) façam um trabalho de esconder a desigualdade que permanece na vida da miudagem.

Se a fragilidade socio-económica é um dos factores do insucesso, que tal actuarmos sobre a causa e não sobre o efeito? Em tempos, esse era um ideal da “Esquerda”, mas agora parece o tal penduricalho ideológico que convém esquecer ou disfarçar debaixo de camadas de spin e medidas para pobrezinho engolir. E não falta quem queira proibir os rankings para que a miséria não fique exposta.

GINI2016

(neste caso, o topo não é o melhor…)