Digno de Hollywood

O argumento de que o aluno sem meios, sem explicações, que faz um Secundário cuja média lhe dizem que não serve para nada, que teria péssimas notas num exame “padronizado”, consegue depois fazer uma carta de apresentação e uma entrevista estarrecedora e inspiracional que o faz entrar directamente para a Velha Bizness School da Cagança (bem mais interessada em cativar alunos com euros de além-Pirinéus, libras ou mesmo rublos) ou para a Universidade Ortodoxa de Lisboa e Porto. Para o Técnico ainda vá (pessoal mais terra a terra), que talvez não lhe exijam uma prelecção em língua estrangeira, mas do que adianta se em vez de lhe terem ensinado Matemática, Física ou Química só lhe tiverem servido transversalidades para assegurar o “sucesso”?

Realmente, ou eu ando muito enganado ou anda muita gente a fumar material bem forte que os faz entrar na estratosfera e pensar que há robinswilliams às paletes nos comités de ingresso das universidades.

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Que Pais? Que Directores?

Pais e directores unidos pelo fim dos exames para entrar no superior

OCDE, pais e professores convergem na posição de que os exames do ensino secundário devem deixar de contar para a entrada no ensino superior. Revisão do regime de acesso prometido pelo Governo ainda não avançou.

E em que evidências se baseia um dos “braços armados” do PS na OCDE (o outro é Paulo Santigo) para achar que o método sem qualquer exame é mais justo e ateniua mais as desigualdades sociais? Acreditam mesmo que as Universidades de topo ou que vivem cada vez mais de favores políticos, de parcerias empresariais ou mecenatos vão ter um funcionamento em que entram mesmo os “melhores” alunos?

Concordo que o acesso à Universidade tenha uma componente interna, mas não que tenha um peso esmagador nas condições de ingresso. Porque essa medida teria duas consequências absolutamente óbvias entre nós: a vitória retumbante do nepotismo e cunhismo académico (ainda mais do que existe depois de lá se entrar) e a desvalorização em definitivo do Ensino Secundário.

O sistema não está bem? Concordo, tem falhas evidentes, mas não é deslocando tudo para o lado de “lá” e para gente que perdeu qualquer noção do que é o Ensino não-Superior que a coisa melhorará, Muito menos que se tornará um sistema mais justo ou equitativo. Pelo contrário, acho mesmo que os alunos de estratos socio-económicos mais baixos terão ainda maiores dificuldades em entrar em certos redutos, sem terem de entrar numa espécie de contratos feudo-vassálicos, como agora acontece com diversas carreiras académicas.

Se até é possível que algumas Universidades criem uma espécie de sistema de quotas para alunos mais carenciados, à imagem de algumas lá fora, no mundo anglo-saxónico (embora cá não exista o peso das equipas desportivas universitárias americanas)? Acredito que talvez sim, talvez não.

Quanto ao mais, que me desculpem os directores ouvidos, mas não é por acaso que o são de agrupamentos sem Secundário, caso contrário, aposto que pensariam de outra forma. Já quanto ao “pai” Ascensão, enquanto encarregado de educação dou tanta atenção à sua opinião quanto a que dava ao seu antecessor. Haverá alguma Assembleia Municipal ou órgão equipado disponível no final do mandato?

Vivemos talvez os tempos mais complicados de sempre em termos de intoxicação da opinião pública em relação ao papel da Educação na Sociedade. Com o silêncio de uns oportunistas e a complacência de alguns bem pensantes repletos de caridosas e piedosas intenções que transbordaram do Inferno.

feudalismo22