Que Pais? Que Directores?

Pais e directores unidos pelo fim dos exames para entrar no superior

OCDE, pais e professores convergem na posição de que os exames do ensino secundário devem deixar de contar para a entrada no ensino superior. Revisão do regime de acesso prometido pelo Governo ainda não avançou.

E em que evidências se baseia um dos “braços armados” do PS na OCDE (o outro é Paulo Santigo) para achar que o método sem qualquer exame é mais justo e ateniua mais as desigualdades sociais? Acreditam mesmo que as Universidades de topo ou que vivem cada vez mais de favores políticos, de parcerias empresariais ou mecenatos vão ter um funcionamento em que entram mesmo os “melhores” alunos?

Concordo que o acesso à Universidade tenha uma componente interna, mas não que tenha um peso esmagador nas condições de ingresso. Porque essa medida teria duas consequências absolutamente óbvias entre nós: a vitória retumbante do nepotismo e cunhismo académico (ainda mais do que existe depois de lá se entrar) e a desvalorização em definitivo do Ensino Secundário.

O sistema não está bem? Concordo, tem falhas evidentes, mas não é deslocando tudo para o lado de “lá” e para gente que perdeu qualquer noção do que é o Ensino não-Superior que a coisa melhorará, Muito menos que se tornará um sistema mais justo ou equitativo. Pelo contrário, acho mesmo que os alunos de estratos socio-económicos mais baixos terão ainda maiores dificuldades em entrar em certos redutos, sem terem de entrar numa espécie de contratos feudo-vassálicos, como agora acontece com diversas carreiras académicas.

Se até é possível que algumas Universidades criem uma espécie de sistema de quotas para alunos mais carenciados, à imagem de algumas lá fora, no mundo anglo-saxónico (embora cá não exista o peso das equipas desportivas universitárias americanas)? Acredito que talvez sim, talvez não.

Quanto ao mais, que me desculpem os directores ouvidos, mas não é por acaso que o são de agrupamentos sem Secundário, caso contrário, aposto que pensariam de outra forma. Já quanto ao “pai” Ascensão, enquanto encarregado de educação dou tanta atenção à sua opinião quanto a que dava ao seu antecessor. Haverá alguma Assembleia Municipal ou órgão equipado disponível no final do mandato?

Vivemos talvez os tempos mais complicados de sempre em termos de intoxicação da opinião pública em relação ao papel da Educação na Sociedade. Com o silêncio de uns oportunistas e a complacência de alguns bem pensantes repletos de caridosas e piedosas intenções que transbordaram do Inferno.

feudalismo22

11 thoughts on “Que Pais? Que Directores?

  1. Todos os comentários que tenho feito, aqui, corroboram o conteúdo deste post! Por favor, quem toma conta disto!? O PS e acólitos são mesmo imparáveis a destruir a Escola Pública! Estou estupefacta e revoltada!

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  2. A nota do exame só vale 30% e quem escolhe a sua específica é o interessado, ou seja, o aluno.
    Há muitos cursos no ensino superior cuja nota mínima de acesso é 9,5.
    Assim sendo, parece-me que o objetivo destes insatisfeitos é que a entrada para os cursos ditos desejáveis seja feita através de outros recursos que não os da competência e esforço dos alunos… 😉

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  3. É o advento da escolaridade obrigatória até aos 18. Muitos alertaram que o facilitismo seria o caminho… As desigualdades sociais e o caldo de cultura do “desenrrascanso” português colocam a escola no fim da lista de prioridades de muitas famílias.Vão-se arrastando pelas escolas hordas de alunos de 16 e 17 anos que apenas esperam o dia da “libertação escolar”, odeiam ler, escrever, estudar…
    É preciso garantir o sucesso destes alunos com facilitismo igualitário, travestido de flexibilidade e transversalidade, logo acabe-se com os exames, esses horroríficos instrumentos de desigualdade. Claro que os filhos de gente com ambição e carteira continuarão a estudar e a trabalhar, cada vez mais fora da escola. Esta nivelará tudo por baixo, ficarão todos mais iguais, com competências para servir um capitalismo voraz, submissos e sem ferramentas para se rebelarem. É aconselhável os pais começarem a fazer um mealheiro precocemente para conseguirem pagar uma educação de qualidade aos rebentos ou estes ficarão à porta das Universidades que ministram cursos que dão acesso a empregos bem pagos e com perspectivas de carreira. A estes cursos acederão apenas as elites, finalmente!
    A escola privada seguirá de vento em popa, a pública ficará com os quase pobres, os pobres e os paupérrimos, indiferenciada, massificando o sucesso que garantirá a mão de obra barata para a reforma das reformas no mercado de trabalho.
    No país da cunha, do compadrio e da habilidade manhosa institucionalizada será interessante ver de que forma as Universidades mais procuradas selecionarão os candidatos. Será por entrevista e carta de recomendação?

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      1. Lamento Paulo, mas falo do que observo…Imensos alunos do profissional, que recusam ostensivamente estudar…Seguem o programa de Português regular sem ler, sem escrever, aborrecidos, desmotivados… Eventualmente, prepará-los-ia para a candidatura ao superior. Se flexibilizarem unicamente aqui, estes alunos ficarão sem qualquer hipótese de se candidatarem ao superior, a não ser que esperem pelos 23. A realidade impõe-se, muitos não sabem interpretar um texto, não sabem expressar-se…Assim, o plano será flexibilizar, sem colocar estes alunos numa posição de desigualdade relativamente aos que estudam para ir para a Universidade. Ficarão todos sem exames e a escola garantirá uma educação diferenciada em função do perfil do aluno. Isto é correto? Teoricamente sim! Não faz sentido obrigar estes alunos a seguirem programas teóricos que detestam e que exigem uma preparação que não têm. Transferir os exames para a Universidade parece uma boa solução, mas é muito perigoso, em termos de equidade, num país profundamente desigual, como Portugal. Os alunos com poder económico continuarão a procurar a preparação para a Universidade, quiçá fora da escola, os centros de explicações aumentarão, e o privado terá espaço para crescer. Resta saber se os alunos mais desfavorecidos economicamente, mas empenhados, conseguirão chegar às Universidades mais procuradas. O plano parece ser atenuar a desigualdade que os alunos trazem para a escola, transferindo-a de volta para a sociedade. Infelizmente, parece a assunção, por parte dos políticos, de que a escola nunca conseguirá resolver a desigualdade, por isso, se esta for, artificialmente, eliminada a escola garantirá o sucesso a todos. A ser assim,veremos quem pagará a conta!

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  4. Maria Pereira, se bem percebo devemos “flexibilizar” para que alunos que não sabem ler ou escrever e não têm interesse em estudar fiquem em igualdade de circunstâncias para ceder ao Superior? Percebi mal? Espero que sim.

    Eu também escrevo sobre o que observo e sei acerca de alunos que estão na escola porque os obrigam e que sabem tanto com o 11º como com o 8º. Mas como são 12 anos, há que fingir, leia-se, “flexibilizar”.

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  5. É essa a leitura que faço nas entrelinhas…infelizmente…
    O que quererá dizer o Sr. da OCDE com alinhar exames e flexibilização? Porque é que as escolas não podem lecionar programas diferenciados em função do perfil dos alunos, ainda que isso implique a impossibilidade de preparar alguns para os exames nacionais? Há alunos que não querem estudar e que afirmam que não querem ir para a Universidade, porque os obrigam a estudar programas iguais aos de outros que estudam para entrar na Universidade?
    É perpetuar desigualdade, na linha da esquerda, por isso, se retirarem os exames da escola, ficarão todos em pé de igualdade para concorrer ao superior, a expensas e responsabilidade própria.
    Quando colegas dizem que a escola serve para formar alunos e não para preparar para exames o que querem dizer? Este pensamento ingénuo é para levar a sério? Numa sociedade cada vez mais desigual, onde a concorrência é feroz? Para que servirá a escola? Onde se prepararão os alunos que, com toda a legitimidade, desejem prosseguir estudos para serem engenheiros, arquitetos, médicos… Assusta-me o que virá depois destes rumores e estudos encomendados, que mais não servem do que encobrir a incapacidade política de tornar a sociedade mais justa e menos desigual, enviando a factura para os mesmos de sempre.

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