Os Portugueses Confiam no Marcelo e nas Escolas Públicas

No Expresso, o estudo com origem na Católica dá como título “Banca e Igreja são as instituições em que os portugueses menos confiam”. O que é verdade – e dificilmente de espantar – mas há mais para saber. Consultando os vários elementos do estudo, temos a parte relativa à “Confiança no governo, em instituições e em serviços públicos, 
hábitos de consumo e de poupança, e confiança económica (Novembro 2017)”, em cuja página 8 encontramos um desmentido (mais um) claro em relação ao discurso  dominante em alguns nichos da vida política, da comunicação social e nos especialistas orgânicos do regime, que gostam de se entreter a anunciar uma desconfiança global na nossa Educação Pública.

Claro que isto não fará primeiras páginas, nem o facto da confiança nas escolas públicas ser o valor mais constante ao longo do tempo nesta série de estudos (se o Cavaco continuasse, a PR nem dava luta). Claro que o que interessa é a mais recente declaração do iluminado doutor schleicher da ocêdeé.

Confiança

A Encruzilhada Habitual

As causas e razões são mais do que válidas. A “luta” mais do que se justifica e não é de agora. Mas somos muitos os que não gostamos de sentir que tudo isto é coreografado desde as autárquicas, a pensar nas próximas legislativas. Se a vontade de fazer algo mesmo muito a doer é forte? Claro que sim, mas já se sabe que toda a trela tem um limite e há um momento em que os “representantes”, como são “responsáveis”, irão decidir que já chega, que já se notam fraquezas na “mobilização”. Já passámos tantas vezes por isso que irrita ainda ter de escrever sobre o mesmo, pensar as mesmas coisas. É preciso dar força aos sindicatos para pressionarem o “governo”. Mas, porra, a maior parte dos mais aguerridos não faz parte do arco político de apoio parlamentar a este mesmo governo? Andamos aqui a brincar? Não têm andando em reuniões para cima e para baixo, com tantos elogios ao “novo clima de diálogo”, tão diferente dos tempos do outro tipo? Mas… e resultados específicos, relevantes para os professores de carreira, aqueles que andam a aguentar isto há décadas (não confundir com “conquistas” para nichos de malta amiga)? Ou é mesmo verdade que parte do próprio ME o pedido para que esta pressão seja feita, visto a sua autonomia perante as Finanças ser nula, como em tempos a de Crato ou Alçada também foi?

Sim, sentimos a razão do nosso lado, temos mais do que razões para “lutar”. Mas é impossível não sentir aquele enorme desconforto de saber que tudo isto não é uma verdadeira luta, pois o guião já foi escrito e reescrito e não passamos de figurantes a que se pede, de quando em vez, que demonstrem que ainda estão por aqui. Não consigo olhar para a cara daquela malta das “plataformas sindicais” e sentir o mínimo de empatia, de identidade de objectivos. Zero. Entre eles e os governantes formais de ocasião, venha uma qualquer ventania e não deixe nada. Estou cansado (e julgo estar longe de ser o único) a considerar que isto se tornou uma piada de muito mau gosto em que o essencial é parecer que se está a fazer qualquer coisa. Há quem diga que sem os sindicatos se estaria pior. Sim, a democracia estaria pior. Quanto à classe docente, não tenho tanta certeza. Eu não sou dos que anda a ver se agora arranjo outro tipo de alavanca, quiçá um prefácio novo.

A romaria voltou a sair do adro.

MNog

(c) Luís Costa

(é triste que os meios jurídicos da fenprof sejam usados para defender a vaidade – porque “honra” só como anedota – de certas figurinhas deprimentes…)