Introdução à Política – Módulo 2

Num regime democrático pleno, a crítica ao comportamento dos agentes políticos concretos, nomeadamente governantes, deputados ou o próprio representante máximo do regime (presidente) significa uma crítica ao próprio regime, quiçá mesmo um “ódio” a esse regime e o desejo da sua destruição?

Sabemos que em regimes totalitários, baseados no culto do chefe e na sua infalibilidade, as críticas ao líder são tomadas como uma crítica ao todo, ao regime político em vigor, ao Estado ou à própria Nação.

No entanto, em democracia desenvolvidas, as críticas à classe política e aos seus excessos é um dos maiores sinais de vitalidade democrática. Concretizando: criticar-se, no passado, Cavaco Silva, presidente eleito pela maioria dos portugueses que foram votar para o efeito, era estar contra a Democracia ou mesmo a República em Portugal? Estar, nos dias de hoje, contra Trump nos EUA é estar contra a democracia americana?

As respostas são tão óbvias que uma pessoa sente que ter a necessidade de voltar a colocar questões como estas, só porque se critica a prática de alguns sindicalistas, só pode ser sinal da menoridade democrática de muita gente que bate no peito com saudades de listas únicas e mordaças a qualquer tipo de contestação aos chefes de matilha, desculpem, quadrilha, desculpem, clique.

A liberdade é isto mesmo. E a democracia, por maioria de razão.

(mas os “fascistas” funcionais discordam…)

E, já agora, se a crítica a uma organização que se diz democrática só pode ser feita pelos que usam a camisola e pagam as quotas, como podem certas pessoas achar-se na legitimidade de criticar forças partidárias a que não pertencem?

Democracy1

Introdução à Política – Módulo 1

É suficiente a existência de eleições para se definir que um regime ou organização é “democrátic@”?

Por exemplo, as eleições no Estado Novo (ou na URSS, só para provocar algumas consciências renitentes e ainda adeptas do centralismo democrático) tornavam esse(s) regime(s) “democrático(s)”?

Indo um pouco mais além… pois, eram em regime de partido único. Mas… e mesmo que exista a possibilidade formal de candidaturas “alternativas” (caso do MUD no pós-guerra ou da CEUD e CDE no marcelismo), isso também chega para que se considere que o regime em causa é uma “democracia”? Não interessam os restantes procedimentos de condicionamento do exercício de oposição?

DEmocracy