PS/Bloco – Uma Aliança Para Acabar de Vez com a Educação Pública

A elevação de crenças e estilos de vida de grupo/facção a políticas públicas começa a avolumar-se e a ameaçar a sério a credibilidade de uma Educação Pública de qualidade. Ou alguém acredita que um Ensino Básico com passagens administrativas e um Secundário para encher tempo, deixando às Universidades a responsabilidade pelo acesso aos seus cursos, é algo mais do que uma escolaridade obrigatória para os “coitadinhos”, da qual fugirão todos aqueles que pretendam uma formação pré-universitária de qualidade e consigam vaga num velho “liceu” de topo (se possível requalificado pela Parque Escolar) ou em colégio de prestígio a pagantes?

O pior serviço que se pode prestar à Educação Pública é nivelá-la pelo denominador comum mais baixo, achando que o “sucesso” estatístico e muita retórica politicamente correcta sobre pseudo “igualdades de oportunidades” engana alguém.

Igualdade

(para quando a equitação, esgrima e yoga num currículo destinado à formação integral dos jovens? e olhem-me que os lavores, a economia doméstica e a puericultura nunca fizeram mal a ninguém…)

 

E Pá, Faz-te à Vida e Deixa-te de Queixinhas da Treta

O Alexandre Henriques recorre ao argumento definitivo para justificar a contabilização da EFísica para a média final do Secundário e acesso ao Ensino Superior… parece que os alunos lhe dizem “Professor não me chateie, a Educação Física nem sequer conta para a média…”.

Agora imaginemos o que dizem a tant@s outr@s professor@s, cujas disciplinas ao longo da escolaridade obrigatória não têm o poder de contar para a média para conquistar o respeito dos alunos. Estou tramado… dou aulas de HGP e História no Ensino Básico e as notas não contam para média nenhuma e eu lá sobrevivo há décadas. E, com jeitinho, eles até podem fazer todo o Ensino Básico com negativa. Nem sei como é que consigo dar aulas.

Se este argumento é válido… então todas as disciplinas devem contar para a média e ter exames. 

Realmente… há alturas em que só dá mesmo vontade de rir com esta malta… que ainda por cima quer dar lições de ética e pedagogia aos outros.

smile

Et Tu, Bárbara?

É pena que quem tem acesso a informação, pareça não entender que o que está em causa não é a menorização da EF no Ensino Secundário, mas sim a recuperação de um estatuto de excepcionalidade. Quem quer ir para a área das Humanidades não precisa ter Geologia ou Química; quem vai para Ciências não precisa ter História ou Filosofia. Mas todos devem ter Educação Física e essa classificação contar, porque há professores que se sentem feridos na sua dignidade (então e os das outras disciplinas que nem sequer são obrigatórias para o acesso a cursos da mesma área?) e a coisa é muito saudável e somos todos gordos e é preciso ensinar os pequeninos desde pepinos a ser coordenados?

Andamos a brincar com isto tudo? Parece que sim…

A disputa em torno da obrigatoriedade de contar com EF na média do Secundário é apenas mais um episódio similar ao prova de aferição do 2º ano. É a imposição, por via da influência junto dos decisores políticos, de algo que tem a ver com “estilo de vida”. Se a média sobe/desce com a EF é irrelevante (acredito que suba a nota a muitos alunos, mas é melhor nem dizer a quais e porquê, porque ficaria mal) e quem argumenta nessa base é porque gosta de falácias. Sim, não tenho dúvidas que em muitas pautas a EF será a nota mais elevada. Que o seja para futuros advogados, médicos, químicos, historiadores ou linguistas, em vez de ser Direito, Ciências, Química, História ou Línguas é que será um pouco estranho. A menos que seja para demonstrar as virtudes de uma formação espartana. Mas, nesse caso, porque não recuperar a tropa obrigatória?

Clown

(parece ficar bem que não se tem um preconceito ou interesse pessoal contra a EF…  e eu nem tenho… só quando há malta que troca as notas no final dos períodos e leva anos sem saber o nome d@s alun@s, fora outras falhas, por vezes bem graves, de profissionalismo em matérias bem sensíveis… mas isso seria matéria para uma auto-crítica de muita gente que não se enxerga… sendo que são coisas a que assisti em primeira mão como aluno e professor e nem sequer foi no tempos dos afonsinos)

Só Com Muita Força de Vontade

Muita, muita, muita. Para ignorar tudo o que não pode ser para levar a sério. Tanta treta que anda pelo ar, mas uma enorme falta de coragem para assumir o que é mais do que óbvio: um exercício de demonstração de poder sobre o currículo e sobre a carga horária disponível.

(o argumento comparativo com a Matemática é ridículo, pois a nota desta disciplina não entra, por exemplo, na média de alunos que vão para Direito, Sociologia, Línguas, etc… mas temos de apanhar com intelectualizações de vão de escada sobre o “sedentarismo”… e uma total truncagem do passado em relação ao papel da EF no acesso ao Ensino Superior… a malta é nova, mas poderia informar-se, em vez de reclamar um estatuto de excepção entre todas as disciplinas curriculares, porque essa é a verdade… nenhuma outra disciplina tem aquilo que a EF reclama apenas para si, dizendo-se discriminada, o que é obviamente falso… mas talvez a distinção entre verdadeiro/falso seja daquelas coisas que se aprende em outras áreas… não obrigatórias)