Uma “Argumentação” (Esperada), Uma Proposta (Em Nome da Igualdade) e Um Despacho Em Anexo

Alguns dos apoiantes da importância da EF na média do Secundário, depois de dizerem que a disciplina – afinal – pouco tem a ver com o desempenho físico, mas muito mais com outro tipo de competências, começaram a publicar textos em “redes sociais” recorrendo a ilustrações de pessoal gordo (parece que agora diz-se “obeso”), no que é uma demonstração de evidente bom gosto, sensibilidade e qualidade de argumentação. Nada que não se conheça… nada que qualquer tipo que não se enquadre nos parâmetros de algumas esbeltezas já não conheça de forma directa, com aquele tipo de bocas de fino recorte como a de um colega que não perdia qualquer hipótese para inferiorizar colegas que achava fugirem ao seu cânone físico ideal. Parece que o bullying social sobre os gordos é aceitável. Só falta começarem a publicar anúncios da depuralina. Ao que parece quem discordar é porque é um badochas, nojento, que come deitado o dia todo no sofá, um parasita da sociedade que só dá despesa ao sns, um traumatizado sem capacidade de ver a Luz. A coisa já chegou já a este nível, mas a verdade é que era expectável

Quanto à proposta que gostaria de aqui deixar, em nome da “igualdade” da dignidade da disciplina de EF no Secundário, é a da defesa da existência de um exame da disciplina no 12º ano para todos os alunos.

(os gordos devem fazê-lo com um bibe cheio de nódoas da comida)

Gordo

Anexo: “1 – Para o desenvolvimento das atividades de  desporto escolar, no ano letivo 2017/2018, é imputado à componente letiva um crédito horário global máximo de 22.200 tempos letivos.” (Despacho n.º 6827/2017).

 

 

Para Além de Combater a Obesidade, A Educação Poderá Servir Para Reduzir a Ignorância Ou a Falta de Sensibilidade Estética?

Eu sei que é uma espécie de conceito revolucionário, mas como os tempos parecem ter sido atacados por uma enorme imbecilidade.

Por exemplo: porque será que a Educação Artística foi quase completamente chutada para fora do currículo do Ensino Básico (e Secundário), mas parece que não há ninguém preocupado com isso, nem sequer há uma discussão pública a esse respeito? Será que a Música, por exemplo, não é um elemento igualmente importante para a formação integral dos indivíduos?

lampadinha21

(a prevenção da obesidade é algo mais complexo do que ter umas horas de Educação Física em escolas quantas vezes sem condições para que ela aconteça em segurança…)

 

Não Sabemos, Achamos Que Coiso e Tal Porque Temos Uns Amigos Entendidos”

Basicamente, é assim que as coisas se fazem entre nós. Acha-se que umas conversas e uns “entendimentos” chegam para definir políticas. Embora seja verdade que aposto que haverá no isczé da reitora MLR quem – tipo um Adão e Silva – se possa oferecer para fazer um estudo a comprovar tudo.

“Não temos nenhum estudo sobre o impacto da medida de Nuno Crato, mas ouvimos muitos entendidos, entre professores e outros profissionais, que nos dizem que os alunos estão menos activos”, afirmou o vice-presidente, sublinhando que os alunos que mais precisam são os que menos fazem exercício.

Isto é mau, muito mau, mas é ampliado pela comunicação social sem qualquer direito a contraditório. E quem discordar é porque é pouco saudável e obeso, o novo crime destes novos senhores do politicamente correcto.

(eu também falei com uns entendidos que me disseram que o que está a dar é apanhar um daqueles tachos de coordenação regional do DE).

As Boas Intenções (Alegadamente)

têm sido a razão para alguns dos maiores desastres da História. Quantas vezes em nome dos “desfavorecidos” acaba por se prestar um enorme serviço aos “privilegiados”. Neste conjuntinho deprimente de reformas da educação pública em que nos querem convencer que seremos finlandeses (há realmente quem tenha perdido – ou nunca tido – qualquer noção de contextualização histórica e cultural, mas é o problema de certas sociologias apressadas) estão todos os elementos que os promotores dos interesses privados na Educação poderiam desejar para atrair todos aqueles que, na classe média, tenham horror ao laxismo e ao nivelamento pela mediocridade em nome da “igualdade de oportunidades”. Aquela ideologia pastosa dos anos 90 do século XX voltou e com ela muitos dos rostos de então, agora apenas com este ou aquele testa de ferro mais útil, e cada vez são menos aqueles que já têm a energia para se levantar contra e dizer que o Imperador não tem qualquer fato novo e a Corte está toda nua (e nem é agradável à vista, por muito fitness e zumba que @s cortesã(o)s façam em lycra).

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