6ª Feira

Lembram-se de quando vos diziam que os cortes e congelamentos eram apenas temporários e que, mais ou menos inconstitucionalidade, as coisas deveriam voltar ao normal? Claro que todos sabíamos – do lado de lá e de cá – que o projecto não era esse, pois o objectivo era baixar em definitivo, não apenas a massa salarial paga aos professores (o que foi conseguido reduzindo de forma substancial o número de professores do quadro), mas o salário de cada um, seja nos sucessivos momentos presentes, seja no futuro. Quanto aos cortes, basta ver como a teórica “reversão” continua a deixar-me mensalmente com muitas dezenas de euros a menos em relação a uma década atrás e um índice salarial abaixo. Quanto ao congelamento, percebe-se que o plano foi apagar uma década de carreira (dois escalões e meio ou três, para quem passar pelo 5º) e nunca fazer qualquer tipo de verdadeira reposição. Portanto, a ideia não foi poupar num dado momento para recompor as finanças públicas mas sim tornar “irrevogável” qualquer tipo de verdadeira recuperação de uma carreira, tornando impossível percorrê-la para quem apanhou com o camartelo a meio dela ou mesmo já a dois terços. Do antigo 7º escalão para baixo, só chegará ao actual 9º quem trabalhar quase até aos 70 anos. Ou mais.

A inconstitucionalidade da quebra do princípio da confiança ou aquilo dos direitos adquiridos parece que funciona apenas para certos contratos faraónicos com o Estado.

Nada disto é novidade, mas é bom recordar sempre as coisas como elas foram e são. E lembrar quem iniciou os dois congelamentos e agora, para além do mal, ainda faz a caramunha.

Que falta nesta cidade?… Verdade.
Que mais por sua desonra?… Honra.
Falta mais que se lhe ponha?… Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?… Negócio.
Quem causa tal perdição?… Ambição.
E no meio desta loucura?… Usura.

Gregório de Mattos e Guerra

Gregorio-de-Matos

5 thoughts on “6ª Feira

  1. Lembras-te de uma figura, muito comentada na altura, que sobressaiu na famosa manif dos 100 mil? Até pela coragem de ser mulher de quem era? Muitos de nós ficámos bem impressionados até com o actual 1º ministro. Tão inocentes …
    Note-se que a colega estava no seu direito e muito bem. As ilações que provavelmente se tiraram é que foram tolas.
    Ou seja, vindo de quem vem, também é normal.

    1. Pertenci ao grupo dos que não ficou impressionado com o atual PM; é que nessa época, era muito dificil ficar impressionado com o nº2 do governo, fiel seguidor do outro ex-PM que se revelou um autêntico trafulha…e além disso foi um cobardolas, porque em vez de assumir alguma dissidência que tivesse com o governo a que pertencia, fugiu com o pretexto de se candidatar à câmara municipal, ou seja, tratou da ‘vidinha’ para proteger a sua imagem futura, que se veio a revelar bem útil, dada a habitual falta de memória politica da população tuga.
      Quanto à mulher do personagem, como qualquer outra pessoa que sente a sua carteira a ficar mais leve de euros, também estrebuchou, mas cedo claudicou da luta e ‘pisgou-se’ do ensino a coberto daquele programa de rescisões voluntárias com indemnização, que parece que bafejou alguns necessitados e recusou outros tantos cirurgicamente. E agora está bem melhor do que estaria se lá tivesse continuado, também ‘congelada’ num escalão inferior, onde teria de ‘amochar’ com horário completo, sem reduções letivas e assumindo sabe-se lá que tarefas e cargos sem qualquer compensação…
      E são estas as ilações que tiro, por muito tolas que sejam…

    1. Com a inspiração do Paulo, permita que lhe lembre as sábias palavras de Eça:

      «Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
      A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.»

      Eça de Queiroz, in ‘Distrito de Évora (1867)

  2. No panorama atual, é inevitável começar a falar nos assuntos tabu educativos, sendo um deles a carreira remuneratória. Um dos argumentos principais usados no período 2005-2009 para contestar a criação da figura do ‘prof.titular’, é que não tinha justificação separar pessoas em categorias profissionais diferentes que executavam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL. Este argumento é válido para estabelecer o valor remuneratório, pois um prof. de uma área disciplinar do 2º/3 ciclo/secundário no 3º escalão executa o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL do seu colega no 7º escalão, mas a diferença salarial é de algumas centenas de euros. Portanto, a carreira remuneratória vertical estabelecida para pessoas que realizam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL, promove injustiça salarial. Por isso, usando o mesmo principio argumentativo para rejeitar a figura do ‘prof.titular’, a carreira devia ter só um índice remuneratório para todos (respeitando o principio de MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL equivale a salário igual) e diferenciava-se com a idade através da redução da componente letiva e/ou de suplementos remuneratórios consoante os cargos que fossem exercidos (coordenação pedagógica, apoio educativo, etc.). De certa forma, regressar a um modelo que já existiu, em que existia compensação com redução letiva a quem, para além de lecionar, exercia coordenação pedagógica
    (coordenador de área disciplinar, coordenador de departamento, direção de instalações, coordenador secretariado de exames/elemento do secretariado, elemento da comissão de horários, elemento de comissões pedagógicas, etc.) e/ou apoios pedagógicos (tutoria, apoio individual, sala de estudo, estudo acompanhado,
    clubes/núcleos temáticos, etc.).
    Verifica-se a existência de profs colocados em escalões superiores (7º a 9º) que não estão nomeados para nenhum cargo de coordenação ou apoio pedagógico, apenas exercendo a atividade principal de lecionar, enquanto outros colegas em escalões inferiores, além de assegurarem a mesma atividade principal ainda asseguram coordenação pedagógica e/ou apoio pedagógico, o que significa que estes têm uma maior carga de trabalho sem a respetiva compensação salarial.
    Com este modelo utilizado há décadas, não falando nem debatendo este assunto tabu (e consequentemente controverso), está sempre latente uma evidente discriminação negativa entre pessoas que realizam o MESMO CONTEÚDO FUNCIONAL, o que promove um ambiente de crispação profissional pouco saudável para todos (professoras/es e alunos).

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