2ª Feira

Estamos na semana anterior à greve por regiões decretada por um grupo der sindicatos de professores. Pessoas que sabem mais disto do que eu, afirmam que é assim que as coisas se fazem: acumulação de razões de insatisfação (não reposição do tempo perdido, vagas draconianas para acesso a escalões com quotas, concursos meio manhosos, etc), o que potencia a mobilização e proximidade de um acto eleitoral (legislativas), o que propicia a capacidade de pressão política. É esta a forma como os apoiantes das parcelas mais à esquerda da geringonça apresentam as coisas, para os mais de dois anos de remanso e para a sua hiperactividade actual, garantindo que eles é que sabem como as coisas são em matéria de “luta” e de “vitórias” alcançadas com estratégias de fundo e tácticas de excelência.

Qual a falha desta lógica?

Neste momento, o PSD abriu todas as vias para viabilizar um governo do PS sem necessidade do PCP e do Bloco e basta-lhe abster-se para qualquer medida que o Governo considere pouco oportuna cair pela base. Ou seja, a capacidade de “pressão” à Esquerda começa a tender para o zero. O Rio foi para líder do PSD exactamente com a missão de ajudar a conter qualquer tipo de “excessos” por parte dos “radicais” (para além daquela coisa mítica das reformas estruturais e da outra bem mais pragmática do acesso aos fundos europeus).

Em meu escasso entendimento, nascido de uma visão muito limitada em termos de “literacia política”, estamos praticamente entalados e, como há pouco tempo me interroguei, só é preciso saber quantos por cento de greve valem uns meses de recuperação de tempo de serviço, um pouco à imagem do que se passava na segunda metade dos anos 90, com as décimas de aumento salarial.

Magoo2

7 thoughts on “2ª Feira

  1. …e no estado atual qual é a diferença de um governo viabilizado pelo psd ou pelas esquerdas?
    Gestão democrática das escolas…já caiu.
    Recuperação do tempo de serviço… está por um fio.
    Horários… continuam como no tempo da mlr.
    Distinção entre professores …nem no tempo dos titulares era tamanha. Os escravos barrados nos 4 primeiros escalões e a elite com um índice de exceção, o 10º!
    Sobrecarga de trabalho para os escravos, sub5º.
    ADD como dantes … quotas para os amigos do CG.
    …querem mais?

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  2. Quando muitos profs entraram para a carreira as regras não tinham “filtros” no 4° e no 6° escalão.
    Sobre esse principio é que se deve lutar. Os colegas que não tiveram filtros não tem culpa, mas também tem obrigação de lutar contra esta palhaçada.
    Mas há uma coisita que me intriga imenso. Os sindicatos estiveram a dormir 10 anos sem fazer pressão para retirar estes filtros ? O que aconteceu nos bastidores nestes 10 anos? Será que tiveram sempre a marimbar-se para isto? Hummmmm… Naaaaaaa

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    1. “Quando muitos profs entraram para a carreira as regras não tinham “filtros” no 4° e no 6° escalão.
      Sobre esse principio é que se deve lutar”

      Quando muitos profs entraram para a carreira, não existiam estes “filtros” nem tantos outros como, por exemplo, directores das escolas, mega-agrupamentos, professores a leccionarem do 1º ciclo ao secundário, redução por idade a ir para a componente individual, apoios a grupos de alunos considerados como componente lectiva e regras de aposentação a variarem assim tão abruptamente. Apareceu, por alturas da MF Leite, a implementação de uma prova, ou seja, um “filtro” para acesso ao 8º escalão que foi posteriormente eliminada porque se lutou por isso e o governo mudou. Com MFL iniciou-se o período MEF (Ministério da Educação e Finanças que agora é mais MFE)

      Daí que discorde com o que escreveu: “Sobre esse principio é que se deve lutar”.

      Do meu ponto de vista, deve-se lutar por tudo o que foi acontecendo a nível de carreira docente.

      Houve lutas contra estes “pormenores” e pelos seguintes.

      Mas o individualismo, o comodismo, a preguiça e a visão do agora prevaleceram.

      Com 1 “exército” assim não se podem ganhar batalhas, muito menos guerras.

      E quando a situação nos cai em cima, aí parece que acordamos, espantados.

      Como na estória sobre a tribo de índios perto das Cataratas do Niagára. Conta a estória que estes índios tinham a testa ligeiramente metida para dentro e umas orelhas de abano muito vincadas. Acordavam, todas as manhãs, ao som de um barulho terrível. “Que barulho é este? Mas que barulho é este?”

      Demoravam algum tempo a perceber. Até que puxavam as orelhas para melhor audição e batiam depois na testa: ” Eh pá, são as cataratas!”

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