Mas Isso é Novidade?

Parece que há uns potenciais alunos do ex-PM que acham que ele não lhes poderá ensinar grande coisa por ter um grau académico inferior ao deles. Até pode ser que tenham razão, mas isso está longe de ser novidade no Ensino Superior e Politécnico. Ainda me lembro de, nos tempos da minha profissionalização, de todos os professores que apareciam a dar umas aulas, só um tinha as mesmas habilitações do que eu. Se me ensinaram alguma coisa? Nem por isso, até porque já na altura não eram poucos os que andavam desfasados de qualquer realidade terrena. No caso do Passos Coelho, podemos discordar politicamente do homem, achar que desenvolveu políticas medíocres e subservientes à madre merkel, mas dificilmente podemos achar que a situação dele é singular no contexto universitário. Ou então há quem desconheça mesmo que há por aí já muita gente com mestrados bolonheses a armar-se ao pingarelho.

torre univ coimbra

 

5ª Feira

Atrás do regresso do zeitgeist educacional da flexibilidade, autonomia, perfil de competências, metodologia de projecto, transversalidade e porosidade dos saberes e toda a parafernália zen e new age muito em moda há um quarto de século, eis que parece já por aí o discurso em torno da “abordagem holística” dos alunos e do seu desempenho.

Abordar o aluno/criança/jovem como um todo, não o fatiando disciplinarmente é uma abordagem estimável e com alguns pontos claramente meritórios em termos filosóficos. Restam é alguns (muitos?) problemas práticos do lado de quem defende essa abordagem e – deduz-se – se acha com competência para dar “formação” e tudo para quem quiser seguir essa perspectiva. O primeiro, constatado ao longo do tempo em primeira mão, é que essa abordagem unificadora, do todo humano, raramente é aplicada pelos seus defensores a quem discorda deles nem que seja com moderada cortesia. Quem discorda é, em regra, um tapado de ideias, uma espécie de criatura que ainda não encontrou a Luz. Como todas as abordagens “unificadoras”, a holística não gosta de deixar espaço para mais nada. O segundo, de natureza nem mais comezinha, passa por se perceber como é que a coisa se implementa quando mais de uma pessoa envolvida na “avaliação holística” dos alunos e que passa pela questão da individualidade. No caso d@s professor@s será que tod@s terão a mesma visão sobre o aluno? Ou deverão tod@s ser formatad@s previamente? A visão do aluno é naturalmente similar – mais ou menos diferenças menores – para toda a gente, independentemente das relações específicas estabelecidas ou somos uma espécie de colectivo unificado global em que a energia flui e as opiniões confluem de forma naturalmente concordante?

O meu problema com a “abordagem holística” dos alunos como estratégia que pretensamente pretende valorizar a sua individualidade é que acaba por, de forma indirecta, pressupor uma espécie de dissolução da individualidade dos adultos em presença, a menos que aceitem de forma acrítica e apática aquela que é uma visão entre outras. Como todas as derivas colectivistas, melhor ou pior intencionadas, são mais perigosas do que parecem, pois acabam por querer promover, nem que seja de forma inconsciente, uma espécie de indiferenciação, quando afirmam exactamente o seu contrário.

NewAge