Quando É Que Se Percebe Que Uma Coisa Está A Meter Água?

Quando os porta-vozes de primeira hora começam a dizer que coiso e tal, pensando bem nem tiveram nada ou quase a ver com o assunto e que afinal as maravilhas não são bem assim, mas apenas porque a culpa é do escafandro que ia a passar e fez o chão ficar torto. O espectáculo daria dó se não nos lembrássemos da arrogância inicial. E nem falo da ignorância voluntária sobre os erros passados, própria de quem, orgulhosamente, pensa que antes nada aconteceu. Falta-lhes a História quem ensina alguma humildade e perspectiva no olhar.

E quem quer perceber, certamente percebe, tamanha a forma como se repetem os olhares por sobre o ombro, não venha o bicho-papão pegar. Isto por vezes tem de ser assim, com sinais de fumo, não vá a paranóia aumentar.

Os mais expertos começam a preparar o futuro, pois as verbas públicas permitem convidar quem os convidará.

Ratos Navio 1 modified

 

O Confapito D’Oiro

Aguardo a reacção do grupo Porto Editora (embora, olhando daqui, já lhes tenham levado mais de metade de um potencial júri).

Escolas “amigas das crianças” vão ter selo da Confap

Confederação das Associações de Pais quer distinguir as escolas mais “amigas das crianças”. Para isso, vai avaliar ideias inovadoras em áreas como o espaço de recreio, a alimentação, a segurança ou o envolvimento da família.

(…)

A avaliação dos projectos será assegurada por uma comissão de avaliação composta por Jorge Ascenção, Eduardo Sá, Tiago Morais Sarmento, administrador executivo da Leya, Ariana Cosme, coordenadora do Observatório da Vida nas Escolas, Armando Leandro, ex-presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens, Isabel Stilwell, jornalista e escritora, José Matias Alves, coordenador do Serviço de Apoio à Melhoria da Educação da Universidade Católica, José Vítor Pedroso, director-geral da Direcção-geral da Educação, e Margarida Pinto Correia, directora de Inovação Social da EDP.

CertiHomer

(é impressão minha ou o Eduardo Sá tornou-se uma espécie de papa-júris na Educação?)

Aquilo da Cimeira no CCB

Na primeira notícia sobre a grande, enorme, incomensurável, Cimeira que debate hoje a carreira docente no CCB, anoto com alguma estranheza a mistura entre as declarações do especialista Schleicher e as de António Nóvoa, apresentadas como feitas “à margem da Cimeira”. Já dentro da cimeira, parece que a norma foi a do discurso redondo, sem referenciais concretos, ao nível das boníssimas intenções que enchem o inferno dos docentes.

“Espero que os ministros ignorem aqueles que argumentam que as forças do mercado melhoram as escolas e que de alguma forma a tecnologia pode substituir os professores. Nada poderia estar mais longe da verdade. Em vez disso, esta cimeira tem uma oportunidade única de criar políticas práticas, que melhorem a vida profissional dos professores e, por sua vez, a vida de seus alunos”, afirmou David Edwards.

De que ministros fala ele? Do Tiago ou do Centeno? E será mesmo de ministros que deveremos aqui falar ou daquela parelha de secretárias que tratam das negociações da carreira docente como se tratassem de avaliação de carne para retalho? Ou do secretário que faz sua toda a política curricular, apoiado numa série de cortesã(o)s ávidos de uma parcela de poder local?

Nem tudo se pode reduzir a dinheiro? Talvez, talvez, mas lá que ajuda um pouco a encarar melhor os dias quotidianos, acreditem que sim, bastando para isso saber se algum dos conferencistas convidados veio cá pagando do seu bolso a deslocação. A começar pelo vaivém do Andreas entre a OCDE e Lisboa.

E o que dizer deste tipo de “compromisso”:

No ano passado, em Edimburgo (Escócia), quando aceitou o convite para organizar a edição de 2018, a equipa ministerial portuguesa concordou em olhar para as condições de trabalho dos professores e em tornar a carreira docente mais atrativa. O processo está longe de pacífico: o reposicionamento na carreira uniu todos os sindicatos contra o Governo em greves que as organizações ameaçam repetir.

Olhou e nada fez.

Profissionalmente, os professores são desvalorizados desde logo quando para a sua avaliação e progressão na carreira é ignorado qualquer tipo de trabalho de investigação e publicação que façam na sua área da especialidade, enquanto o que conta a valer são aquelas “formações” feitas cada vez mais por convite especial para áreas críticas das “reformas” (parece que é o que está a acontecer, por exemplo, com o ensino especial), com formadores que são o pior exemplo do que devem ser professores com competências comunicacionais e actualização de leituras.

Quando à questão simbólica da imagem dos professores, os estudos disponíveis confirmam todos que ela, em termos de opinião pública, só é colocada em causa exactamente pelos sucessivos governantes dos últimos 15 anos e da opinião publicada que os apoia em alguma comunicação social. E nisso não vale a pena distinguir muito entre as Situações que se têm sucedido neste milénio.

Dupla TiagoMário

(na imagem, colhida no site do Público, em primeiro plano, com ar manifestamente feliz e cúmplice, a dupla sertaneja do momento na Educação e em segundo plano a representante da FNE e, a avaliar pelo penteado, a secretária especializada em truques jurídicos para lixar exactamente a carreira docente)

O Ministro em Forma de Vazio

Bem-estar dos professores deve ser prioridade para os Governos

Como garantir que os docentes se sintam bem com o trabalho é uma das questões em debate numa cimeira que reúne em Lisboa representantes governamentais e sindicais de mais de 30 países.

Humphrey3

(o título original para o post era mais curto e directo… já agora, quando sinto que estou a mais ou que não sirvo para conseguir aquilo em que acredito, vou-me embora…)