Aquilo da Cimeira no CCB

Na primeira notícia sobre a grande, enorme, incomensurável, Cimeira que debate hoje a carreira docente no CCB, anoto com alguma estranheza a mistura entre as declarações do especialista Schleicher e as de António Nóvoa, apresentadas como feitas “à margem da Cimeira”. Já dentro da cimeira, parece que a norma foi a do discurso redondo, sem referenciais concretos, ao nível das boníssimas intenções que enchem o inferno dos docentes.

“Espero que os ministros ignorem aqueles que argumentam que as forças do mercado melhoram as escolas e que de alguma forma a tecnologia pode substituir os professores. Nada poderia estar mais longe da verdade. Em vez disso, esta cimeira tem uma oportunidade única de criar políticas práticas, que melhorem a vida profissional dos professores e, por sua vez, a vida de seus alunos”, afirmou David Edwards.

De que ministros fala ele? Do Tiago ou do Centeno? E será mesmo de ministros que deveremos aqui falar ou daquela parelha de secretárias que tratam das negociações da carreira docente como se tratassem de avaliação de carne para retalho? Ou do secretário que faz sua toda a política curricular, apoiado numa série de cortesã(o)s ávidos de uma parcela de poder local?

Nem tudo se pode reduzir a dinheiro? Talvez, talvez, mas lá que ajuda um pouco a encarar melhor os dias quotidianos, acreditem que sim, bastando para isso saber se algum dos conferencistas convidados veio cá pagando do seu bolso a deslocação. A começar pelo vaivém do Andreas entre a OCDE e Lisboa.

E o que dizer deste tipo de “compromisso”:

No ano passado, em Edimburgo (Escócia), quando aceitou o convite para organizar a edição de 2018, a equipa ministerial portuguesa concordou em olhar para as condições de trabalho dos professores e em tornar a carreira docente mais atrativa. O processo está longe de pacífico: o reposicionamento na carreira uniu todos os sindicatos contra o Governo em greves que as organizações ameaçam repetir.

Olhou e nada fez.

Profissionalmente, os professores são desvalorizados desde logo quando para a sua avaliação e progressão na carreira é ignorado qualquer tipo de trabalho de investigação e publicação que façam na sua área da especialidade, enquanto o que conta a valer são aquelas “formações” feitas cada vez mais por convite especial para áreas críticas das “reformas” (parece que é o que está a acontecer, por exemplo, com o ensino especial), com formadores que são o pior exemplo do que devem ser professores com competências comunicacionais e actualização de leituras.

Quando à questão simbólica da imagem dos professores, os estudos disponíveis confirmam todos que ela, em termos de opinião pública, só é colocada em causa exactamente pelos sucessivos governantes dos últimos 15 anos e da opinião publicada que os apoia em alguma comunicação social. E nisso não vale a pena distinguir muito entre as Situações que se têm sucedido neste milénio.

Dupla TiagoMário

(na imagem, colhida no site do Público, em primeiro plano, com ar manifestamente feliz e cúmplice, a dupla sertaneja do momento na Educação e em segundo plano a representante da FNE e, a avaliar pelo penteado, a secretária especializada em truques jurídicos para lixar exactamente a carreira docente)

40 thoughts on “Aquilo da Cimeira no CCB

  1. Há quase dois anos fizeram uma consulta aos docentes sobre a gestão democrática das escolas, com resultados esmagadores do atual modelo, profundamente norte coreano.
    Agora assinaram um compromisso…
    Tudo acabou na gaveta. Qu “trinta dinheiros “ terão estes sindicalistas recebido em troca…?

  2. Olha,olha o Grande Mário de gravata e manitas em sinal de oração !
    Gente fina… já o do lado, está com cara de desmaio .Não deve ter tomado peq.almoço.
    As meninas das traseiras é só sms ( ganda seca ;isto nunca mais acaba;na próxima vens tu ; que mal fiz eu ? ; estão a lixar-me e eu a ver ( com f pequeno ) ,etc,etc.
    Dúvida : ao lado do Professor Mário não estará a Dra. F ?
    Tempos difíceis !

  3. Querem ver que o representante do maior sindicato dos professores portugueses não podia estar presente nesta reunião?

    Querem também ver que também deveria estar taciturno e amuado?

    Querem ver que por estarem lado a lado e a sorrir significa que estão a tramar alguma aos “zecos” (como este termo me irrita porque está subjacente o coitadinhos)?

    Querem ver que não se pode estar sentado lado a lado porque isso significa estar de acordo?

    Querem ver que nem se pode cumprimentar alguém com o qual nós não concordamos?

    Mais ainda:

    Querem ver que ninguém sabe que intervenções foram feitas porque, pelo que li noutro post sobre o engº Sócrates, mais vale não ler jornais, ouvir rádio ou ver TV?

    Querem ver que os professores são mesmo “zecos” e lêem as redes sociais e mandam uns bitaites ?

    Sendo que o importante e relevante a ser comentado dá trabalho e mais vale o pessoal fazer figuras tristes como certos comentários aqui deixados?

    Ai,

    As armas e os barões assinalados……

  4. Dra F.
    Considera o que escreveu um comentário?
    Tanta interrogação…tanta ingenuidade. A dra. F já é grande ?
    Os outros é que mandam bitaites? O seu problema é outro. Ataca quem não concorda com os seus ídolos. Mas em vez de os defender, resolve questionar (com perguntas de 1a classe )para depois tirar umas conclusões … muito básicas.
    Ainda bem que aprecia os percursos do Sócrates e do Nogueira . Pague é as quotas . Os seus comentários dão-lhe trabalho ? Sempre, sempre a mesma cartilha… A dra.F não deve ser tão conflituosa. É como eu disse , sempre tiro ao lado.
    Gostou da canção com que a brindei ?
    Devia e podia ter-me agradecido.💋
    Bj

    1. A F saliva desde que apareça o SuperM.
      Deixa de pensar.

      E depois acha que toda a gente só se informa pelas “redes sociais”. O que é curioso, pois tanta referência significa que anda por lá.

      Eu prefiro, por exemplo, saber que o apelo do ME à greve dos professores era sincero e não o soube pelas redes sociais…

    2. “Ainda bem que aprecia os percursos do Sócrates e do Nogueira”

      Ó M,

      A questão passou-lhe ao lado. Não falei nada sobre isso. As conclusões básicas são tiradas por si. Eu escrevia sobre outra coisa.

      Não tenho ídolos nem heróis. Tal como dizia Galileu, Galilei, mal da terra que precisa de Heróis!

      Quanto ao agradecimento a respeito da canção, já lhe agradeci embora tenha referido que é a 2ª vez que me envia a mm canção, o k demostra algum esquecimento ou limitação musical.

      Agora, agradeço o tratar-me por Dra F, em vez de me tratar por F de dasssse.
      Ainda bem que na altura do F Dassse, não o tratei por M de merdas. Agora ficava mal, certo? Afinal fez-me um upgrade ou downgrade…..sei não.

      bj

      +

      1. O que eu não entendo, e foi nesse sentido que comentei, é o alcance da expressão “nestes preparos”. E ainda do “em cumplicidade”.

        Quais “preparos”? E que “cumplicidade?”

        Divergir para o Dias da Silva e o Crato é, passo a redundância, uma manobra de diversão.

        Acaso o colega quando foi a conferências ou a outros encontros não cumprimentou e/ou sorriu ou se recusou sentar ao lado de quem pensava diferente de si?

        O colega não é dirigente sindical nem ME, mas creio que a sua educação se sobreporia às suas divergências. E como é salutar ter divergências! E poder estar num lugar onde está a CS e exprimir essas divergências. Argumentando. E deixando de lado as infantilidades das cores das camisolas o o salivar de clímax, como argumentos.

        Quanto aos “pingos de coerência”, todos somos em vários momentos incoerentes. Ser-se coerente todos os dias deve ser um aborrecimento e uma trabalheira….

        Vou sacar uma citação de Stephen Hawkings publicada no blog do Ricardo Montes:

        “Next time that someone complains that you have made a mistake, tell him that may be a good thing because, without imperfection, neither you nor I would exist.”

        PS: Esta foi a citação com que comecei a aula nesta semana que passou. Escrevia no quadro. E os meus óptimos alunos do 11º não se calaram…….

    1. Acho que ambos já temos idade para não nos colocarmos na posição de ingénuos, o da classe dk?
      Acho o paralelismo com o DSilva e o Crato mais do que adequado e até considero que a cumplicidade entre o Mário e o Tiago é incomensuravelmente maior.

      Uma coisa é a urbanidade básica (acredito que terei sorrido num debate em que estive ao lado do MNogueira há uns anos no Hotel Zurique), outra coisa aceitar ser – enquanto líder da federação sindical que se considera mais representativa da classe docente – figura ali da linha da frente numa Cimeira onde não estava, quase por certo, nenhum professor em exercício.

      Aliás, em seu tempo, meti o meu nariz em muita coisa, com muita gente por perto que não me agradava sobremaneira, mas raramente ficaram com sorrisos depois do que lhes disse. Mas eu não sou, nem nunca quis ser, representante oficial de uma classe profissional numa cimeira em que se apresenta o tratamento dos professores portugueses como um exemplo para outros países.

      Por exemplo, porque não usou MN na lapela o pin 9A/4M/2D naquela “photo-op”; mas apenas nas declarações para o site da Fenprof?
      http://www.fenprof.pt/?aba=27&mid=115&cat=95&doc=11381

  5. Quanto ao Stephen Hawking, uma coisa é a tolerância com o erro (coisa que nunca praticaram comigo certas pessoas em alguns momentos, quando acharam que eu errei exactamente por entrar em diálogo com o “outro lado”, mas a amnésia selectiva é tramada), outra o argumentar-se com base em duplo padrão. Se for o SuperM com o Tiago é educação, se for o DSilva e o Crato é conspiração.

    Quanto aos meus “argumentos”, eles ficaram bem explícitos em momentos bem públicos, sem medo de os assumir, por muito incómodo que isso fosse e sem o respaldo de uma organização, serviços jurídicos e camaradagem partidária.

    Há todo um mundo de diferença.

    Mas as F deste mundo acham que são o centro de todas as argumentações, mesmo quando apenas comentam de forma reactiva e nunca com propostas próprias.

  6. Conseguiu responder-me de modo educado.

    Tirando “Mas as F deste mundo”.

    Já não é mau.

    Lerei o que escreveu mais tarde e com mais atenção.

    PS: Deixe o DSilva e o Crato fora deste debate. Está a tentar que se vá por aí. E, como diz , e bem,

    “Acho que ambos já temos idade para não nos colocarmos na posição de ingénuos”

    bfs

    1. Desculpe. Não pretendi ser educado com quem escreveu sobre mim no passado o que vocelência escreveu em diversos blogues da ortodoxia nogueirista. A educação não é um impulso que me acuda quando penso nas “F deste mundo”. Não sou hipócrita.

  7. Ó M,

    Deixe a minha família em paz que isso que fez não é nada bonito, especialmente quando se é já avô
    e se foi professor e não um adolescente com acne.
    A gente comenta entre os dois e “atira” entre os dois. Não meta 3ºs na cena.

    bj

    1. Ó F dra.
      Quem disse que o marido fugiu ?
      Não foi a dra ?
      E quem disse que o bebé tinha nascido com penacho na pinha ? Tipo alcatifa na marmita ? Fui eu ?
      “Manda “umas graçolas foleiras e depois reage tipo ” virgem ofendida ” ?
      Não há pachorra …
      Avô sofre .
      😙

      1. Dra. Odete F.
        Sabe bem , que um avô aposentado já não tem disponibilidade para tamanha pedalada .
        Mas estou aqui para a tentar ajudar !
        Nos meus bons tempos, havia uns chás dançantes ali na Fialho de Almeida.
        Verifique quando será o próximo. Não diga nada ao Mário, que só iria contar anedotas e dizer graçolas … já só quer pizzas. Pode ser que se resolvam essas carências.
        Vá por mim ! Aposto !
        Depois diga o resultado final.
        Bj

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