A Medição do Sucesso Como Ficção

Quando leio certas narrativas sobre a evolução do sucesso escolar entre nós, em especial no Ensino Básico, dá-me assim uma comichigação nos neurónios. Como se podem estabelecer séries longas (ou mesmo médias) para uma análise diacrónica coerente, quando se mudam os critérios de transição (ou se reforçam recomendações de forma nem pressionante sobre as escolas) a cada punhado de anos? E quando formos avaliar com base em “projectos transversais e interdisciplinares”?

Sim, claro, é possível alinhar números e dizer que o sucesso aumentou. Mas estaremos a comparar a evolução de uma realidade com os mesmos parâmetros?

Por isso é que acho que se reduziria de vez o insucesso para níveis residuais se existisse a coragem de, à saída de cada ciclo do Básico, serem entregues certificados com a média real dos alunos. Eu preferia numa escala de 0 ou 1 a 10, mas se tiver de 1 a 5 para se “comparar” melhor a “qualidade do sucesso”, por mim tudo bem.

KeepCalmMagic

Um Exemplo Pessoal, Por Certo Míope, do Enorme Investimento nos Professores Portugueses de que Fala a Sumidade da OCDE que nos Faz a Honra de Visitar a Cada Quinzena, Andreas Schleicher de Sua Graça

Vou falar com vistas curtas, tadinho d’eu que só sei ver dos meus interesses corporativos e pessoais, que não existam dúvidas acerca disso, acerca do assunto mencionado na longa epígrafe.

Em 2003, tinha eu 38 anitos quando passei ao índice salarial 218 (7º escalão) da carreira docente. Estava a fazer o doutoramento em História da Educação que entreguei em Outubro de 2006 e defendi em Abril de 2007. A perspectiva era passar ao índice salarial 245 (8º escalão, mesmo sem qualquer bonificação) em meados desse ano.

Afinal, depois do enorme “investimento” nos professores portugueses e à “reconfiguração” da carreira docente, cheguei a esse índice salarial há pouco mais de duas semanas, com efeitos apenas em Abril, ou seja, 11 anos depois do previsto, sendo que agora estou no 6º escalão e em vez de 2 escalões até ao topo, me faltam 4, com quotas pelo meio. Acrescente-se que, mesmo quando acabarem de me pagar por completo o aumento salarial (em finais de 2019), estarei, em termos nominais, a ganhar o mesmo que há 14 anos.

Sim, sei que o Schleicher diz que o dinheiro não é tudo na vida dos professores, que o importante é estarmos motivados, sentirmo-nos apreciados, acarinhados, conscientes do valor social que nos é dado.

Bullshit, Andreas!

Turd

A Galeria da Grandiosa Cimeira Internacional Sobre a Carreira Docente

Encontram-se aqui 22 fotos (até ao momento) bem demonstrativas do ambiente cordial, ameno e especial(izado) em que está a decorrer a parte social do intenso debate e troca de ideias.

Penso não ser necessário contratar peritos em linguagem protocolar ou corporal, para se perceber quem é o anfitrião, quem assume a centralidade e quem fica na expectativa, quem está alegre e quem está apenas ali.

 

6ª Feira

Chuvosa, tamanhas as lágrimas pelo último dia do período de aulas. A esse propósito eu tenho uma sugestão: chegando-se à última semana de qualquer período que tal darem-se as aulas de 2ª feira e ao fim do dia anunciar que, afinal, não haverá aulas a partir do dia seguinte? Porque estes últimos dias são dos mais penosos do ano, com eles já em ambiente de futebol na praia nos corredores, todos ao molho no pátio e salve-se quem não esmurrar uma janela ou porta ao sair, sem qualquer tipo de concentração e nós com a papelada (física e virtual) toda à nossa espera. Isso, sim, é que seria uma boa prática de autonomia e flexibilidade.

lampadinha21