O Pafismo Educacional e a Transversalidade do Sucesso

Claro que é a minha mente que é demasiado tortuosa e conspirativa. Mas com os actores em presença justifica-se que eu pense que muitas destas coisas andam ligadas. Pelo que não me espanta nada que esta coisa dos “projectos” da autonomia e flexibilidade que depois são avaliados de forma “transversal” tendam a fazer diluir as avaliações disciplinares de cada professor numa “avaliação global”. Ou que as avaliações disciplinares tenham de se submeter à lógica do “contributo para o projecto”. Acredito que, assim sendo, os níveis de insucesso a Matemática sejam transversalmente empurrados para níveis mínimos históricos em muitas paragens. Podemos sempre confirmar no fim deste ano nas escolas-piloto. E ver se foi a “transversalidade” e “flexibilidade” que contribuíram para a “mudança dos métodos de ensino” e para o irrevogável “aumento do sucesso”.

Não adianta é falarmos na questão das aprendizagens, porque isso vai tornar-se uma espécie de coisa fluída, muito em especial quando existirem alunos da escola A, com o projecto X, a transferir-se para a escola D com o projecto K. A menos que toda a gente acabe a copiar os projectos dos manuais que algumas editoras já enviaram.

Smiling

Mas, Mas, Mas…

… então as metas não solucionaram as coisas? A flexibilidade e autonomia não vão revolucionar o ensino (e as aprendizagens, já agora)? É necessário mais um

Governo quer perceber o que está mal no ensino da Matemática: “É preciso agir o mais depressa possível”

Vai ser constituído um grupo de trabalho para olhar para os programas de Matemática. Um dos objetivos é perceber o que é essencial que todos aprendam. João Costa quer “agir o mais depressa possível”.

(…)

“O que é que está a falhar com o ensino da Matemática?” A interrogação feita pelo secretário de Estado de Educação é a primeira de muitas a que o governo pretende dar resposta com a criação deste grupo. “Sabemos que o problema passa pelos programas e que ano após ano o cenário se repete”, argumentou João Costa, referindo que os últimos dados divulgados sobre notas de Matemática mostram que o panorama é negro.

O secretário de Estado referia-se ao relatório divulgado este mês pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e que mostra que um terço dos alunos entra no secundário com negativa a Matemática. O mesmo relatório identifica esta disciplina como sendo aquela em que os alunos do 7, 8 e 9.º ano têm pior desempenho.

Ora bem, aqui fica o meu espanto por, a mais de meio do mandato, se perceber um problema com décadas, em grande parte nascido de todos os governos descobrirem o problema, decidirem tomar medidas urgente, alterarem pela enésima vez programas e recomendações pedagógicas e tudo se tornar um emaranhado que, logo à partida, desanima professores e desmotiva alunos. A urgência é uma recorrência nesta matéria, sendo que dá quase sempre em nada e quando dá em algo, se rasparmos o verniz da coisa, percebe-se que só mudaram os números do sucesso, martelados para melhorarem.

E, já agora, se só um terço entra no Secundário com negativa a Matemática é porque há outro terço que é avaliado com carradas de água benta. Quem, mesmo de outras disciplinas, já vigiou provas de aferição ou provas finais de ciclo sabem bem que há bem mais de um terço que nem se preocupa em olhar para o enunciado mais do que o estritamente necessário para não adormecer imediatamente.

Quanto ao “grupo de trabalho” que vai estudar o “problema” basta saber se é dominado pela APM ou SPM para adivinhar a lógica das propostas de solução. E isso é dramático, porque tem sido esse ziguezaguear constante entre “capelinhas” que tem ajudado à não resolução de um problema que não deve ser escondido do ponto de vista estatístico, quase obrigando os professores a melhorar resultados, mesmo quando os alunos desistem logo da disciplina, por mais piruetas que @s professor@s dêem para os motivar. Mas, infelizmente, tem sido quase sempre esse o discurso em torno da Matemática: Há “insucesso”, porque há falhas no “ensino” e existe uma consequente necessidade de “formação dos professores”, sendo que, décadas depois já se poderia ter percebido que esse é um erro e que tantas vezes a formação é dada por quem não saberia como lidar com 28 adolescentes numa sala de aula.

Por fim, anoto que esta preocupação com a Matemática ecoa algo semelhante, um mandato atrás, em torno daquelas disciplinas consideradas “estruturantes”. Não vejo, em alternativa, qualquer preocupação com qualquer aposta na área das Expressões e Artes.

Mercearia

 

Uma Espécie de Cambridge, Mas Sem Cambridge?

A ideia em si nem é má, tudo depende muito dos “negócios” que envolvem este tipo de certificações. E formações. E confusões.

Os alunos do 11.º ano vão poder realizar testes com certificação internacional a várias línguas, à semelhança do que acontecia com a prova de inglês Preliminary English Test (PET), suspensa em 2016 pelo actual executivo.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira na comissão parlamentar de Educação e Ciência pelo secretário de Estado da Educação, João Costa: “Estamos a trabalhar para que os alunos que fazem exames nacionais a línguas possam ter acesso a certificados internacionais.”

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