Mas, Mas, Mas…

… então as metas não solucionaram as coisas? A flexibilidade e autonomia não vão revolucionar o ensino (e as aprendizagens, já agora)? É necessário mais um

Governo quer perceber o que está mal no ensino da Matemática: “É preciso agir o mais depressa possível”

Vai ser constituído um grupo de trabalho para olhar para os programas de Matemática. Um dos objetivos é perceber o que é essencial que todos aprendam. João Costa quer “agir o mais depressa possível”.

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“O que é que está a falhar com o ensino da Matemática?” A interrogação feita pelo secretário de Estado de Educação é a primeira de muitas a que o governo pretende dar resposta com a criação deste grupo. “Sabemos que o problema passa pelos programas e que ano após ano o cenário se repete”, argumentou João Costa, referindo que os últimos dados divulgados sobre notas de Matemática mostram que o panorama é negro.

O secretário de Estado referia-se ao relatório divulgado este mês pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) e que mostra que um terço dos alunos entra no secundário com negativa a Matemática. O mesmo relatório identifica esta disciplina como sendo aquela em que os alunos do 7, 8 e 9.º ano têm pior desempenho.

Ora bem, aqui fica o meu espanto por, a mais de meio do mandato, se perceber um problema com décadas, em grande parte nascido de todos os governos descobrirem o problema, decidirem tomar medidas urgente, alterarem pela enésima vez programas e recomendações pedagógicas e tudo se tornar um emaranhado que, logo à partida, desanima professores e desmotiva alunos. A urgência é uma recorrência nesta matéria, sendo que dá quase sempre em nada e quando dá em algo, se rasparmos o verniz da coisa, percebe-se que só mudaram os números do sucesso, martelados para melhorarem.

E, já agora, se só um terço entra no Secundário com negativa a Matemática é porque há outro terço que é avaliado com carradas de água benta. Quem, mesmo de outras disciplinas, já vigiou provas de aferição ou provas finais de ciclo sabem bem que há bem mais de um terço que nem se preocupa em olhar para o enunciado mais do que o estritamente necessário para não adormecer imediatamente.

Quanto ao “grupo de trabalho” que vai estudar o “problema” basta saber se é dominado pela APM ou SPM para adivinhar a lógica das propostas de solução. E isso é dramático, porque tem sido esse ziguezaguear constante entre “capelinhas” que tem ajudado à não resolução de um problema que não deve ser escondido do ponto de vista estatístico, quase obrigando os professores a melhorar resultados, mesmo quando os alunos desistem logo da disciplina, por mais piruetas que @s professor@s dêem para os motivar. Mas, infelizmente, tem sido quase sempre esse o discurso em torno da Matemática: Há “insucesso”, porque há falhas no “ensino” e existe uma consequente necessidade de “formação dos professores”, sendo que, décadas depois já se poderia ter percebido que esse é um erro e que tantas vezes a formação é dada por quem não saberia como lidar com 28 adolescentes numa sala de aula.

Por fim, anoto que esta preocupação com a Matemática ecoa algo semelhante, um mandato atrás, em torno daquelas disciplinas consideradas “estruturantes”. Não vejo, em alternativa, qualquer preocupação com qualquer aposta na área das Expressões e Artes.

Mercearia

 

Uma Espécie de Cambridge, Mas Sem Cambridge?

A ideia em si nem é má, tudo depende muito dos “negócios” que envolvem este tipo de certificações. E formações. E confusões.

Os alunos do 11.º ano vão poder realizar testes com certificação internacional a várias línguas, à semelhança do que acontecia com a prova de inglês Preliminary English Test (PET), suspensa em 2016 pelo actual executivo.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira na comissão parlamentar de Educação e Ciência pelo secretário de Estado da Educação, João Costa: “Estamos a trabalhar para que os alunos que fazem exames nacionais a línguas possam ter acesso a certificados internacionais.”

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Concurso de Mobilidade Interna – Era “Só” Um “Pequeno Grupo” de 200 Afectados?

A SE Leitão (ainda esta semana, ao que parece, pelos lados de Braga) e o deputado silva, porfírio de nossa desgraça, podem, ao fim de alguns meses (mais do que deveria ser razoável), verem desconfirmadas as suas repetidas afirmações sobre 100-200 professores “insatisfeitos” com o truque feito em Agosto. Alguma vez admitirão que mentiram à opinião pública? Nunca, pois dirão que não estavam “na posse de todos os elementos”.

Recursos Hierarq

Uma Quarta-Feira Qualquer

Desta vez sem gralhas embaraçosas no título. O texto segue, no essencial, um par de posts que aqui publiquei, o último deles sobre a Cimeira Internacional sobre a Carreira Docente, terminando assim.

Este tipo de conferências, debates, seminários, têm reforçado o seu carácter “fechado”, endogâmico, sem qualquer tipo de contraditório, funcionando como câmaras de eco, visando formatar uma elite que irá, depois, multiplicar o discurso ouvido do topo para a base, enquanto nas escolas se mantém um modelo de gestão que se baseia na hierarquia, nomeação e obediência acrítica às circulares, recomendações, portarias e decretos emanados da tutela, sem qualquer interesse em recuperar uma participação mais activa dos docentes na organização escolar. Defendem-se “práticas colaborativas”, desde que elas não se apliquem ao modelo de gestão. Postula-se a “autonomia” desde que ela se mantenha dentro dos limites definidos superiormente. Anuncia-se a “flexibilidade”, mas apenas se aceita a que corresponde a uma aceitação invertebrada de conceitos “inovadores” que já mostraram no passado a sua falência quando associadas a um desinvestimento real nos professores.

Em suma, esta é uma apenas mais uma quarta-feira, como qualquer outra.

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Leituras

CLASSROOM MANAGEMENT

Classroom management refers to the wide variety of skills and techniques that teachers use to keep students organized, orderly, focused, attentive, on task, and academically productive during a class. When classroom-management strategies are executed effectively, teachers minimize the behaviors that impede learning for both individual students and groups of students, while maximizing the behaviors that facilitate or enhance learning. Generally speaking, effective teachers tend to display strong classroom-management skills, while the hallmark of the inexperienced or less effective teacher is a disorderly classroom filled with students who are not working or paying attention.

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Debate

While there is widespread agreement in education that effective classroom management is essential to good teaching, there is often debate about which strategies are most effective, or what is the best way to approach the management of a classroom or other learning environment. For example, some educators might argue that effective classroom management begins with student compliance and classroom orderliness, since learning cannot happen when students are not listening, when they are disobeying the teacher, or when they are disrupting other students in the class. In this case, the teacher needs to establish the behavioral and academic expectations for a class and ensure that students comply with those expectations. Other educators, however, would argue that teachers should approach classroom management by actively involving students in the process. For example, some teachers create common classroom expectations and agreements in collaboration with students. In this case, students play a role in developing the expectations, thereby taking “ownership” over the process, and the teacher then helps the students live up to those expectations by reminding them of the previous agreements they made or by asking the class to reflect on their work and behavior as a group in relation to the agreed-upon expectations—i.e., to identify the areas in which the class is doing well and the areas in which it can improve.

Monge