Uma Quarta-Feira Qualquer

Desta vez sem gralhas embaraçosas no título. O texto segue, no essencial, um par de posts que aqui publiquei, o último deles sobre a Cimeira Internacional sobre a Carreira Docente, terminando assim.

Este tipo de conferências, debates, seminários, têm reforçado o seu carácter “fechado”, endogâmico, sem qualquer tipo de contraditório, funcionando como câmaras de eco, visando formatar uma elite que irá, depois, multiplicar o discurso ouvido do topo para a base, enquanto nas escolas se mantém um modelo de gestão que se baseia na hierarquia, nomeação e obediência acrítica às circulares, recomendações, portarias e decretos emanados da tutela, sem qualquer interesse em recuperar uma participação mais activa dos docentes na organização escolar. Defendem-se “práticas colaborativas”, desde que elas não se apliquem ao modelo de gestão. Postula-se a “autonomia” desde que ela se mantenha dentro dos limites definidos superiormente. Anuncia-se a “flexibilidade”, mas apenas se aceita a que corresponde a uma aceitação invertebrada de conceitos “inovadores” que já mostraram no passado a sua falência quando associadas a um desinvestimento real nos professores.

Em suma, esta é uma apenas mais uma quarta-feira, como qualquer outra.

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Leituras

CLASSROOM MANAGEMENT

Classroom management refers to the wide variety of skills and techniques that teachers use to keep students organized, orderly, focused, attentive, on task, and academically productive during a class. When classroom-management strategies are executed effectively, teachers minimize the behaviors that impede learning for both individual students and groups of students, while maximizing the behaviors that facilitate or enhance learning. Generally speaking, effective teachers tend to display strong classroom-management skills, while the hallmark of the inexperienced or less effective teacher is a disorderly classroom filled with students who are not working or paying attention.

(…)

Debate

While there is widespread agreement in education that effective classroom management is essential to good teaching, there is often debate about which strategies are most effective, or what is the best way to approach the management of a classroom or other learning environment. For example, some educators might argue that effective classroom management begins with student compliance and classroom orderliness, since learning cannot happen when students are not listening, when they are disobeying the teacher, or when they are disrupting other students in the class. In this case, the teacher needs to establish the behavioral and academic expectations for a class and ensure that students comply with those expectations. Other educators, however, would argue that teachers should approach classroom management by actively involving students in the process. For example, some teachers create common classroom expectations and agreements in collaboration with students. In this case, students play a role in developing the expectations, thereby taking “ownership” over the process, and the teacher then helps the students live up to those expectations by reminding them of the previous agreements they made or by asking the class to reflect on their work and behavior as a group in relation to the agreed-upon expectations—i.e., to identify the areas in which the class is doing well and the areas in which it can improve.

Monge

Com Um Pouco de Esforço…

… talvez consiga perceber o que isto tem a ver com a média para o acesso ao Ensino Superior.

Durante cinco anos letivos, as melhores médias dos alunos do 7.º, 8.º e 9.º ano — o terceiro ciclo do ensino básico — foram a Educação Física. Os números são de um estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC), os mesmo que também mostra que os piores resultados dos alunos continuam a ser os de sempre: Matemática e Português.

Que a autora da prosa utilize a terminologia de “valores” para a escala do Ensino Básico deixa-me seguro sobre o seu conhecimento aprofundado destas matérias.

Quanto ao representante dos professores de Educação Física, as suas declarações são algo caricatas, porque ele faz uma afirmação que parece cheia de rigor, só não explicando qual o “perfil” de aluno que é “beneficiado” e quem é “prejudicado”. Sim, acredito que alunos maus em em Matemática ou Português possam ser beneficiados pela classificação em EF. O que me incomoda é que esses sejam candidatos a cursos em que a Matemática ou o Português sejam matérias nucleares.

Nós temos também os dados do Observatório Nacional de Educação Física — que não abrange todas as escolas, mas grande parte delas — e o que nos diz em relação ao secundário é que entre 60 e 70% dos alunos são prejudicados por não terem a nota de Educação Física a contar para a média. Depois, diz-nos que 5 a 10% serão prejudicados e que para os restantes a nota não muda nada”, explica Avelino Azevedo.

Mad

(daqui por uns dias, conto-vos algo que ouvi com estas duas orelhinhas que tenho dos lados desta cabeçorra teimosa e que explica muito do que receio em matéria de falta de senso na atribuição de notas… em qualquer disciplina)

 

Carece de Poucos Comentários

As engenharias financeiras dos últimos 20-25 anos (não esqueçamos a ponte Vasco da Gama como o primeiro grande esquema deste género) custam, em juros, quase tanto como o que o Estado paga a todos os que asseguram as suas funções em escolas, esquadras, hospitais, tribunais, etc, etc, etc. E depois é culpa é de quem?

Peso das PPP nacionais no PIB é de 10,8%, o maior da União Europeia

Carteira

A Sociedade? Só Se For na Estónia…

Não por cá, pois os estudos de opinião confirmam todos que a “sociedade” confia nos professores. Por cá, as “expectativas” são de uma estreita elite política muito interessada em demonstrar como é xalente e todas as suas políticas (mesmo as incoerentes entre si) são a causa de todo e qualquer sucesso.

“O maior desafio dos professores tem a ver com as expectativas que a sociedade criou sobre eles”

Em entrevista ao Expresso, a ministra da Educação da Estónia, Mailis Reps, explica como é que um pequeno país, com um PIB per capita ligeiramente inferior ao de Portugal, conseguiu entrar para a ribalta dos sistemas educativos.

Burnout

A Minha Alma, Já De Si Naturalmente Parva, Ainda Ficou Mais Aparvalhada…

… ao saber que um notável, mediático e estridente crítico da municipalização da Educação andou a fazer contactos preliminares para o recrutamento de pessoal para coordenar a coisa em si, no concreto, num grande e rico concelho da margem norte do Tejo. A hipocrisia é uma cólidade que raramente se esgota. Embora não me espante nada em certas criaturas camaleónicas, sempre que certos aromas se evolam na atmosfera.

Pombal

(claro que avançar nomes seria imprudente, até podiam estar a falar no tipo da catalunha só para me baralhar…)