Agora Que Li O Parecer do CNE Estou Em Estado de Pasmo e Marasmo

Antes de mais, estou tudo multicoiso e interconectivado.

Inclusão1

Claro que isto se poderia escrever de forma muito mais simples mas não pareceria tão “conceptual”.

Em seguida, temos novos acrónimos para aprender a usar: os CAA e os CRTIC (não percebendo eu muito bem porque raio entram as tic aqui com direito a nome no centro).

Inclusão2Inclusão3

Mas só quando chegamos à página 8 é que se penetra decisivamente no êxtase que implica qualquer “mudança de paradigma”.

Nessa mudança temos o fim da expressão “Necessidades Educativas Especiais”, porque parece que não é “inclusiva”:

Inclusão4

Então como se referem os alunos que deixam de ter “necessidades educativas especiais”? Será com a designação que aparece na página 7? Passam a ser “crianças e jovens com necessidade de mobilização de medidas adicionais de suporte à aprendizagem e inclusão”. É que para arranjar acrónimo fica complicado de pronunciar (CJNMMASAI). Deve ser outra coisa, por certo.

Inclusão5

E é por aqui que eu preciso de uma pausa para ganhar fôlego, porque estou com a barriguinha repleta com um sortido rico de conceitos e palavreado que, no terreno terrestre, parecem uma grande treta.

Mais logo, irei a uma outra parte, bem carnuda, deste parecer, que é o das recomendações relacionadas com a necessidade de “formação”, da inicial às outras todas.

15 thoughts on “Agora Que Li O Parecer do CNE Estou Em Estado de Pasmo e Marasmo

  1. Adorei, principalmente a parte da substituição das NEE pela outra coisa impronunciável, genial.
    A parte que eu mais gosto é a de terem extinto no 3/2008 o CEI, quer dizer, passaram a chamar-lhe PEI, e ao PEI e passaram a chamar-lhe RTP (relatório técnico pedagógico). coisas que já existiam. Os antigos CEI agora são os alunos que beneficiam dos PEI, os atais alunos com NEE passam a ser os alunos com RTP, tudo em nome da não categorização. Mas para quem não quer categorizar não se percebe porque acabam com medidas que vinham em alíneas para medidas em nível, claramente mais categorizadas por estarem hierarquizadas, coisa que não acontece no diploma me vigor, até porque a treta de poderem utilizar as medidas em uníssono é ridículo, as medidas do 3/2008 também eram aplicadas em uníssono. É um diploma velho baralhado para parecer novo.
    Quem conhece o manual de apoio à prática sabe que o preâmbulo do novo diploma trás a mesma justificação que está no fim manual de apoio à prática que acompanha o 3/2008, já não há capacidade de inovar, só de misturar.

      1. Tem razão, foram as horas e o mini-teclado qwerty com o autocorrector que instalei no raio do telemóvel que me traíram, as teclas “s” e “z” estão mesmo por cima uma da outra e o “euphone” muda a palavra sem perguntar se queremos alterar. Foi falta de revisão. 🙂

    1. Sou contra esta nova proposta. Passou-se dos 8 aos 80. Sumariamente, quase todos alunos ficam abrangidos por ela praticamente. Não sendo necessário relatório médico, qualquer aluno com dificuldades de aprendizagem, entra neste paradigma. Ora, a Educação Especial só se dedica a alunos com necessidades educativas de caráter permanente, desde a dislexia até alunos com défice intelectual. Foi sempre esta a base da formação especializada em Educação Especial – a diferenciação entre as dificuldades de aprendizagem e as cognitivas. Assim, o nosso papel, enquanto docentes de Educação Especial, neste momento é nebuloso e disfuncional no concerne às nossas práticas. Enfim… uma bela caldeirada…

  2. Texto primando por uma “ganda” simplicidade, clareza e objectividade. Aos doutos escribas do parecer dirigiria uma singela recomendação, se não me levassem a mal: tenham juízo, pá !

  3. 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂

    Verborreia inútil e pedante!!!
    O país gosta… e o país paga!
    Para a inutilidade e para o faz-de-conta há sempre dinheiro… muito dinheiro!

    Mas… que primeiro paguem o que devem e comecem por devolver o tempo de serviço a quem o trabalhou!

  4. Sou Professora do 1º Ciclo e cada vez mais o nosso Sistema Educativo peca por ter acabado com as CERSI. Onde é que há inclusão num país em que há dinheiro para tudo menos para a Saúde, Educação e Justiça?
    Em relação aos nossos colegas Professores da União Europeia continuamos os mais sobrecarregados em carga horária, assim como os alunos, prejudicados nos vencimentos, no tempo de serviço e na idade da reforma. Leccionar assim?

  5. Pois é que precisamente a perspectiva que separa os que tem NEE dos que não tem, também é nebulosa… Em exemplo, atualmente pode suceder uma criança com diagnóstico de défice intelectual ir progredindo na aprendizagem, naturalmente com adaptações de currículo, que respeitem a discrepância de desenvolvimento que possa ter, sem que chegue a ter apoio psicopedagógico por parte do professor de Educação Especial.. Por outro lado, uma criança com diagnóstico de PEA, com um contexto adequado, pode nunca demonstrar dificuldades de maior, e ainda assim, por estar ao abrigo do 3/2008, ter hora de apoio psicopedagógico atribuída. .Agora olhe para as crianças que vão somando insucessos…a tendência é que ao longo do ciclo de aprendizagem, aquilo que começou ligeiro vai tornar-se numa bola de neve…Como é possível chegar ao 5, 6,7 sem um nível de fluência básica na leitura, escrita, matemática? A questão é que em NEE, a evolução é considerada e atendida individualmente mas já não é assim para os que não aprendem na sala de aula, e não têm diagnóstico que lhes sirva….Alguns vão seguindo o pelotão, mesmo a rastejar outros ficam para trás…Os professores de Educação Especial tem todas as condições para ajudar na mudança, e não podem pensar que o vosso reduto são os “deficientes”….isso desculpem lá….mas é muito pobrezinho…Acham que não estão em condições de trabalhar com crianças sem diagnóstico, que os métodos para trabalhar a leitura, ou a escrita, de forma “diferente”, não serve aos professores titulares, aos de apoio? O modelo RTI (Response to Intervention) já era implícito à vossa abordagem. Se agora a base de apoio é alargada, as intervenções não são dilatadas no tempo, se não estiverem a ser necessárias. Contribuam para clarificar o que é preciso. Não vale deitar fora o bébé, com a água do banho…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.