Ainda o “Marquês”, Sócrates e o Salgado

As doses cavalares que agora a SIC nos serve sobre a Operação Marquês e tudo o que rodeia o engenheiro obriga-me a constatar/concluir que:

  • Andaram anos a dormir, apesar dos avisos sobre muito do que se passava. E, mesmo nestas “reportagens” nota-se que há áreas poupadas ao escrutínio, nomeadamente esmiuçar a relação entre o Grupo Lena e as obras da Parque Escolar. Desde os primeiros tempos que uns quantos chatos avisavam que estavam a acontecer coisas estranhas, mesmo olhando de fora, mas tivemos, ao que parece, uma enorme complacência mediática em relação ao tema. E, também ao que parece, nem a própria ministra favorita de Sócrates se apercebeu fosse do que fosse, sendo bem compensada à saída de funções com a FLAD e um crédito académico que a levou a reitora. Que ninguém se interrogue e investigue seriamente isto (a opulência das obras da Parque Escolar e a relação com o crescimento do grupo empresarial de Santos Silva) é realmente admirável.
  • Seria de decoro mínimo que em certos ambientes mediáticos não se esperasse pela morte pública de Ricardo Salgado para descobrirem ou denunciarem todas as suas malfeitorias, negociatas e corrupções que parecem ir dar sempre aos mesmos, não existindo qualquer investigação sobre quem, anos a fio, o louvaminhou na imprensa em troca de generosos patrocínios publicitários ou “apoios” de outra natureza, digamos, “turística”. Parece que tudo isso nunca aconteceu e nunca, alguém, se gabou dos favores recebidos com um orgulho que agora espera dissolver-se num simpático olvido colectivo.
  • Já se percebeu sobejamente como tudo se passou, mas vai ser o cabo dos trabalhos para conseguir que tudo se considere “provado” com mais do que smoking guns em tribunal. Salvo pessoas com um enorme défice ao nível da compreensão ou um colossal superavit de credulidade, já todos percebemos que as coisas foram mesmo assim. Mas o homem ainda se escapa pelos meandros judiciais, para regozijo de alguns dos seus maiores apaniguados que nada sabem, viram ou ouviram. Pelo que, mais vale tentar enterrá-lo já à vista de todos e sem ser apenas por via do Correio da Manhã, antes que ele renasça como mártir de uma enorme cabala.

Tudo isto – da cegueira oportunista de há 10-15 anos (sim, há rastos anteriores a 2005) à sanha persecutória actual – deixa um travo amargo, muito amargo. Em especial quando, como ontem, vejo jornalistas a comentarem a sua própria “investigação” com uma candura e uma falta de conhecimentos aterradora para além do leram ou viram nos vídeos que lhes deram.

Alcatrao2

 

 

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