Concordo, a 99,9%

Com este texto de David Justino – não sei apenas criticar, afinal – sobre a actual situação da nossa Educação. O 0,1% de discordância tem a ver com a desnecessária farpa quase no fim, não por qualquer questão corporativa, mas sim pela inexactidão… quando escreve que existe “complacência para com uma equipa sem liderança, limitada que está à função de procuradoria da Fenprof,” pois fico sem perceber se a “procuradoria se refere à equipa ou à liderança. Em qualquer dos casos, falta rigor ao remoque porque a “equipa” está longe de ter procuração da Fenprof, a começar pela SE Leitão, enquanto o SE Costa, se serve mais das boas relações com a Fenprof para andar pelo país a espalhar a palavra do “neobenaventismo” sem qualquer contraditório (veja-se este caso, em que parece que um par de salas, apoiadas de forma diferenciada, faz toda uma Primavera pedagógica). Se Justino se refere à “liderança” (o ministro Tiago), a “procuradoria” é das mais ineficazes de que há memória, pois se são muito amigos e têm visões comuns, nada tem sido feito de concreto nesse sentido e antes fosse,

Surpreendentemente, todas estas alterações foram desencadeadas no final de um ano letivo para se aplicarem de imediato no seguinte. Durante o período de exames e férias lançaram-se os instrumentos fundamentais e lançou-se o desafio às escolas para concretizarem o projeto de gestão flexível do curriculum. Como princípio, a devolução do poder às escolas para uma melhor gestão do curriculum, nada tenho a opor. O problema reside na forma como, sem informação nem formação, se lançam professores e escolas numa reforma curricular que deveria ser concebida, planeada e lançada com pelo menos um ano de antecedência. Sem qualquer avaliação do que se fez e do que se faz, anuncia-se agora uma nova vaga de normativos, programas e orientações curriculares para serem lançados nos próximos três meses e aplicados no próximo ano letivo, de forma generalizada, a todas as escolas do ensino básico e secundário de todo o país.

Resumindo… a descrição que David Justino faz do que se passa – deste silêncio pastoso sobre um regresso ao passado com verniz de “inovação”, que parece silenciar qualquer olhar crítico – é bastante próxima do que tenho escrito por aqui e no artigo da passada semana no Jornal de Letras e de que transcrevo um excerto:

Só quem conhece os ritmos dos tempos escolares por dentro é que consegue entender verdadeiramente que um ano lectivo não pode, nem deve, começar a ser pensado a meio ou no final do terceiro período do ano anterior a um “ímpeto reformista” com esta dimensão. Porque estas mudanças implicam alterações profundas em áreas como o desenho do currículo a nível local, a definição do perfil das turmas a constituir, a caracterização dos alunos a incluir, em muitos casos pela primeira vez, em turmas ditas “regulares” ou mesmo qual o órgão com autonomia para definir e aprovar, em última instância, as orientações estratégicas das escolas e agrupamentos. Não pode ser a partir de Maio, quando todos, com destaque para os professores, estão envolvidos em diversas funções que exigem um elevado grau de concentração e responsabilidade, que este tipo de medidas deve ser “despejado” sobre as escolas, esperando-se que – com prazos reduzidos – tudo seja preparado de uma forma conveniente,

Sei que esta minha posição é pouco popular entre muitos colegas porque Justino é de “Direita”. O que não me interessa nada. Até porque, descansem, ele é o primeiro a saber que só o elogio quando concordo com ele e, nos últimos anos, isso tem sido raro, em especial ao nível da forma de fazer as coisas e do desvio sensível entre ambições afirmadas e actos concretos. E, claro, discordamos, imenso em relação à municipalização da Educação.

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3 opiniões sobre “Concordo, a 99,9%

  1. Pois… concordo com muitas coisas que refere e que se aplicam de há uns bons anos a esta parte… mas estas convicções são, sempre!, conforme o poder dominante… ora se silencia e se é conivente, ora se fala e se discorda.. Só chateia a “oportunidade” da crítica… E…,afinal, a história dos protectorados apenas se repete…

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  2. O discurso de Justino é arrasador para a política educativa do governo e em especial para a reforma curricular mal assumida, imposta e feita em cima do joelho. Mostra que os nossos políticos, quando buscam credibilidade e apoios, conseguem fazer retratos certeiros da realidade, apesar de uma ou outra cedência à demagogia. O problema é quando se apanham no poder…

    A minha análise: https://escolapt.wordpress.com/2018/05/01/david-justino-critica-o-neobenaventismo/

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