O Hábito Não Me Faz Monge!

É “preciso tempo” para trabalhar as mudanças propostas pelo Governo, corrobora Filinto Lima, mas directores e professores “já estão habituados a implementar lei com timings apertados”, sustenta.

Acordaram agora para o atraso que a o novo regime da Educação Inclusiva está a ter? É no “segundo semestre” que se vão fazer as coisas, David? A sério? Os “RTP” devem ser feitos quando, como e com que informações? Sensibilizações “pragmáticas”? O que quer dizer isso? Façam como dizemos e não pensem? Executem de forma acrítica como mandamos?

Acaso desconhecem que andam formações por aí, baseadas em achismos e coisas holísticas a raiar o patético?

Ainda assim, Rodrigues – que é também membro do Conselho Nacional de Educação – concorda que a implementação das mudanças está a ficar “um pouco em cima do próximo ano lectivo” e que o Ministério da Educação devia começar desde já a promover acções de sensibilização “muito pragmáticas” para que as adaptações necessárias possam iniciar-se no princípio do novo ano lectivo e estar “a todo o vapor” no segundo semestre das aulas.

As razões do atraso é que eu gostaria muito que fossem conhecidas. A chatice é quando há quem queira mais ter a “sua” reforma do que fazer as coisas da maneira correcta.

timidez

 

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Mensagem Recebida

DN13Mai18

Há por aí ainda um grupo de pessoas que acha que António Costa é um grande amigo e que será ele o Novo Grande Pai (a reversão foi uma bela ilusão, basta olharem para o recibo mensal). Nada de mais errado, mesmo apara alguém que, como eu, apoiou a formação da geringonça em finais de 2015. Só que eu acreditava que a malta do PCP e do Bloco fosse tão fácil de enganar, ao ponto de ficarem praticamente sem trunfos, com pouco mais do que migalhas (uns cargos jeitosos e de prestígio para uns bloquistas, algumas verbas para as cada vez menos autarquias do PCP) e andando agora à pressa a promover greves atrás de greves. Afinal foram “comidos”  durante a metade inicial do mandato e agora estão entre o rio disponível e a dura parede.

António Costa é bem claro na sua forma de encarar certas coisas como continuidade da política de proletarização de uma administração pública low cost, preferindo a contratação de um lumpen ansioso por aceitar qualquer coisa (enquanto grita por “salário igual para trabalho igual” e contra os “privilégios” dos mais velhos) do que dignificar materialmente quem teve de apanhar com o engenheiro, com o passos e agora com ele, que divergem apenas em alguns meios para alcançarem o mesmo objectivo. Nessa missão, entre os docentes tem diversos apoios, desde os que complementam a vidinha com formações à medida aos que arranjam organizações para se colocarem a milhas das salas de aula. Se quiserem, podemos discutir nomes de organizações, se não gostam do ad hominem.

Concentrando a argumentação na classe docente, Costa-PM é adepto das teorias da sua ex-colega de Conselho de Ministros que queria a todo o custo estrangular a progressão na carreira docente, o que foi conseguido, em dois momentos, pelo PS ao promover os congelamentos nessa mesma progressão. Há alguém que ache que a SE Leitão anda a fazer recursos para o TC sobre os concursos sem a validação superior?

Costa-PM soube, através da nomeação do dialogante mas inócuo Tiago Brandão Rodrigues, prender a Fenprof a uma ilusão de qualquer coisa que há muito se percebe ser quase nada. O que interessa ao Governo não é qualificar e dignificar a administração pública e a classe docente, mas apenas empurrar os mais velhos para reformas antecipadas com elevados cortes, para reduzir os encargos da Segurança Social e decapitar os recursos humanos dos serviços e das escolas, enquanto contrata barato, para início de carreira, que já está na administração, mas a vínculo precário, investindo o mínimo nesse aumento. A estratégia da quantidade em vez da qualidade. Mais gente a fazer as coisas não significa fazer melhor.

Portanto, António Costa é perfeitamente insensível a questões como a recuperação do tempo de serviço docente. E – como em outros tempos – fará da não cedência a manifestações sinal de firmeza, com apoio do PSD, CDS e da própria Presidência, mais os articulistas que agora são hiper-costistas, depois de terem renegado o engenheiro em apressados actos de contrição.

Mas concentremo-nos em duas declarações que Costa-PM faz na sua entrevista. Numa das passagens afirma que “temos mais 4000 professores no sistema educativo do que tínhamos”. Isto não é verdade. O que António Costa diz é uma falácia (para não dizer uma redonda mentira) porque dá como saldo líquido aquilo que corresponde apenas ao número de docentes vinculados, não lhes descontando os que se aposentaram no mesmo período de tempo. Basta ler o que o próprio DN escreveu ainda há 5 meses:

O ensino público português perdeu mais de 30 mil professores numa década, de acordo com o relatório ‘Estado da Educação 2016’, hoje divulgado, que indica que apenas 0,4% dos docentes têm menos de 30 anos.

António Costa está a falar apenas no período do seu mandato? Então vamos a isso (e deixemos de fora os últimos meses de 2015): de acordo com o Arlindo aposentaram-se em 2016, 623 docentes; em 2017 foram 755, em 2018, já vamos em 216 em 4 meses (50+59+60+47): Isto dá um total de 1594. A abater aos tais 4000. Sobram 2400, mas mesmo assim, estamos a falar dos professores do quadro e não do tal de professores no sistema de ensino. Esses, penso que este ano são menos do que no ano passado, bastando para isso avaliar quantos andam de escola em escola para conseguirem ter um horário completo.

António Costa gaba-se a seguir de que “contratámos 5000 novos professores”, não percebendo eu bem ao que se refere, visto que a SE Leitão fez um recurso para o Tribunal Constitucional baseado em números completamente diferentes. Basta ler o que anunciou a propaganda do ME (a versão oficial das poupanças está aqui):

Por em 2017 só terem sido disponibilizados horários completos no concurso para professores do quadro, “através da contratação inicial procedeu-se à contratação de 2300 docentes contratados em vez dos quatro mil docentes que se teriam contratado caso não se tivesse tomado esta opção”, indicou o ME, para acrescentar que esta decisão “implicou uma diminuição dos custos da contratação inicial de 44 milhões de euros”.

O que nos deixa, no mínimo, baralhados.

Será que António Costa se refere ao número total de contratados este ano (que o Arlindo fixou em cerca de 5300 na altura da atoarda da SE Leitão)? Mas isso não são “5000 novos professores” contratados. A verdade é que se António Costa tem números exactos, era bom que os divulgasse, porque assim percebe-se pouco do que fala quando fala sobre estas coisas (e outras).

Eu sei do fascínio de muita gente no partido Socialista (e não só) por António Costa, mas a mim sempre me pareceu um bocado baralhado quando deixado a falar em roda livre. Pode causa boa impressão, mas espremido dá pouco sumo. Pode ser um óptimo político, mas no sentido, para mim pouco positivo, do sofista habilidoso quando não é confrontado com factos concretos e é deixado a debitar a sua mensagem, que o DN, pela mão do seu actual director, se presta a divulgar às massas.

Sobre Educação, António Costa sabe pouco e é minha convicção que o tema até o chateia um bocado se não for para inaugurações. E falar-lhe em professores deve ser motivo para urticária, sendo também minha convicção que nutre pela generalidade dos que lutam (a sério) pelos seus direitos um imenso desdém. E acho que ele tem na sua SE Leitão uma espécie de MLR 2.0, só servindo o ME Tiago para ser uma caricatura de “negociador” com a Fenprof.

É a minha opinião… atendendo aos factos… ou o que o actual PM nos apresenta como sendo. Mas não são.