Os Verbos das Aprendizagens

Quem passou por profissionalizações entre final dos anos 80 e os anos 90 do século XX sabe que havia ali uma parte nas planificações que determinava que se deveriam escolher com cuidado os verbos para iniciar as frases com as quais se identificavam os “objectivos gerais/específicos” nas planificações feitas naquelas grelhas cheias de colunas para preencher (havia as dos conteúdos, das metodologias, actividades, materiais, avaliação, etc).

E havia por ali um preocupação com o “rigor” na utilização dos diversos vocábulos e na sua relação com o que significariam no processo de ensino/aprendizagem. “Identificar”, “indicar”, “referir”, “enumerar” correspondiam a uma espécie de grau inicial de dificuldade; seguiam-se “descrever”, “caracterizar”, “destacar” ou mesmo “definir” e, num plano de maior dificuldade, “analisar”, “sintetizar” ou mesmo “relacionar”. E deveria existir uma espécie de progressão na sua utilização. Outra regra… nunca colocar duas “tarefas” numa mesma linha de objectivos.

(e lembro-me da diferença entre colocar o verbo no infinitivo ou na 3ª pessoa, uma bizantinice entre o delicioso e o irritante)

A partir dessa altura, um dos exercícios que costumo fazer é observar a “verborreia” (no seu sentido mais literal) deste tipo de documentos “orientadores”. As metas curriculares tinham a sua. No caso da HGP, pelo menos, com a curiosidade de cada meta mais geral iniciar-se sempre com “conhecer”, “compreender” ou, quebrando uma das regras acima mencionadas, “conhecer e compreender”.

No caso das aprendizagens essenciais de HGP, quando chegamos à parte dos “conhecimentos, capacidades e atitudes” levamos com uma revoada de verbos, em alguns casos com duas funções na mesma aprendizagem (na primeira é logo “identificar e localizar”), de que passo a fazer a lista para as aprendizagens do 5º ano, acreditando eu que possa ter falhado algum e excluindo aqueles se referem a “identificar/aplicar” conceitos:

  • Analisar (3)
  • Aplicar (2)
  • Apontar (1)
  • Caracterizar (1)
  • Compreender (1)
  • Contextualizar (1)
  • Descrever (2)
  • Destacar (1)
  • Distinguir (1)
  • Evidenciar (1)
  • Identificar (11)
  • Interpretar (1)
  • Localizar (4)
  • Mobilizar (1)
  • Reconhecer (1)
  • Referir (6)
  • Relacionar (1)
  • Sublinhar (2)
  • Utilizar (1)
  • Valorizar (1)

Se contei mais ou menos bem… predomina o identificar e referir, estranhando eu a escassez de localizar quando se trata de Geografia; nas metas eram 4 só para o primeiro conteúdo relacionado com a “localização” da Península Ibérica. O que querem? Sou tradicionalista. O resto é uma espécie de nuvem de verbos usados de um modo que não direi arbitrário (a taxonomia de Bloom parece o referencial mais óbvio), mas mais preocupado em encontrar sinónimos do que outra coisa. E uma certa aversão a “compreender”. 🙂

Verborreia

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Afinal, O Que Era… Não É?

Recordemos: um dos argumentos de algumas organizações sindicatos contra a Iniciativa Legislativa de Cidadãos para a Recuperação do Tempo de Serviço Docente é que seria desnecessária ou redundante, pois já existiria “legislação”.

Mas se lermos a página 29 do número mais recente (nº 282 de Abril de 2018) do jornal Escola-Informação do SPGL percebe-se que nem eles acreditam nisso:~.

Afinal “aquilo que parecia claro e justo, continua a ser justo mas tornou-se muito problemático”. Sim já tinha dado por isso há muito tempo. Em boa verdade, antes mesmo de serem assinados esses papéis dilatórios.

SPGL (2)

Sporting

Todos os envolvidos em actos criminosos e atentatórios da verdade desportiva devem ser punidos de forma exemplar. Todos os títulos eventualmente conseguidos devido a actos de corrupção devem ser-lhe retirados. Se necessário, que desça de divisão, como aconteceu com a Juventus, em Itália. A minha paixão por um clube e pelo desporto não pode ser manchada por situações deste tipo. Não me interessa se os outros fazem, nem sequer peço que façam o mesmo a outros clubes que tenham eventualmente recorrido ao mesmo tipo de esquemas. Isso é lá com eles.

Só se pode renascer, depois de renegar toda a podridão. É, pois, urgente, cortar o mal para raiz, se não de modo ainda mais radical, como nos tempos do Jorge Gonçalves. Não há espaço para relativismos.

Leão