As Reformas Deles

Anuncia-se que o Conselho de Ministros aprovou a nova lei relativa à Educação Inclusiva (o título do Público ainda remete para o velho “paradigma”) e também, de uma penada, a Flexibilidade Curricular.

Ainda não é a publicação de qualquer lei… que ainda deverá demorar uns tempos, sendo que num dos casos, nem sequer se sabe como será exactamente, pois “ainda não é conhecida a versão final da lei que foi aprovada pelo Conselho de Ministros”, como se refere na peça.

No Jornal de Letras de 4ª feira o David Rodrigues escrevia a empurrar com todo o peso de um dos grandes patronos da nova lei (a outra será a SE da Inclusão) para que se legislasse o “novo paradigma” da Educação Inclusiva (a somar ao Perfil do Aluno são dois afilhados à luz do dia), mesmo que as condições para a implementação da lei estejam longe de ser ideais, argumentando que a perfeição não é possível. Ele tem razão, mas tanta pressa em querer ter a “sua” reforma no papel também me faz confusão. Como a reforma do SE Costa e de algumas das associações de professores que fazem a sua muralha d’aço (notoriamente um quadrado formado pela APG, APM, APEVT e SPEF/CNAPEF) também é uma reforma “deles”, apesar dos pareceres desfavoráveis.

Falta agora aprovar a reforma das “aprendizagens essenciais” e a concretização legislativa (no terreno já está está a vapor em muitos concelhos, do eixo Oeiras/Cascais a Gaia) da municipalização, a grande reforma da dupla Costa/Rio.

Há uma obsessão evidente em querer as “suas” reformas no terreno e poder apresentá-las enquanto tal na campanha eleitoral ou nos respectivos feudos na cartografia dos interesses da Educação, aos quais serão concedidos privilégios na área da “formação” dos incréus. Acreditem, “o melhor para os alunos” é apenas um pretexto, porque para quem está na larga maioria das escolas tudo isto é apenas mais uma torrente legislativa com que se terá de lidar em tempo recorde.

Sinceramente, espero que, pelo menos, seja verdade o que se lê no espaço das “Inquietações Pedagógicas” no JL e que seria o verdadeiro respeito pela “autonomia” das escolas e professores.

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E perguntam-me: então e a SE Leitão e o ministro Tiago no meio disto tudo? A SE Leitão tem a seu cargo a manutenção da trela e e açaime nos professores, dando migalhas a uns quantos que entram e impedindo a progressão dos outros, feito pelo qual deverá ser recompensada, ao que parece, já no Congresso do PS. Quanto ao ministro Tiago continua na sua ronda por eventos de segunda ordem mediática e amesendações negociais com a Fenprof para parecer que algo se passa.

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Até Que Ponto Vale a Pena?

Defender os direitos de quem aparece para o cafézinho das 10 ou o cigarrito do meio dia? Que se queixa e tem imensas opiniões, mas intervenção nula na resolução de problemas concretos? De quem ocupa cargos para se sentir bem, mas não para se responsabilizar pelo que falha?

Sim, há dias em que se duvida do esforço colocado em animar uma iniciativa para que todos possam recuperar uma carreira. Incluindo quem espera que os outros façam, que os outros resolvam, que os outros saibam e expliquem. Há quem o mereça, mas há quem nem por isso.

Mas, pelo menos, recuperando os quase dez anos de serviço, pode ser que algumas pessoas possam ir à sua vida, com um mínimo de dignidade material. E deixem de ocupar espaço, atrapalhar, fazer parte do problema, abster-se de intervir deixando tudo a quem ainda acha que há serviços mínimos de funcionamento (mesmo que seja para ouvir bocas).

Sim, há dias em que apetece descrever o quotidiano real, contra as reservas sempre colocadas em relação a esse tipo de diário. Mas, de petizada descontrolada por completo desnorte parental, e que por isso acha que tudo pode fazer, a malta com pós-graduação em conversa de esplanada ou doutoramento em chá e bolachinhas, há dias em que apetece mesmo fazer o retrato de certas criaturas que, se não se mexem, ao menos não atrapalhem.

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Até Que Ponto…

… é possível manter-se que não se vê ou ouve? Quando é que devemos fazer de mortos para fingir que as coisas estão “normais” ou vagamente “aceitável”? É essa a solução para não se entrar em burnout? Ou será a forma cómoda de, como ouvi há não muito tempo, “não ser como eles”?

São mais os felizes que fingem que, picam o ponto e viram as costas?

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