Sindicalismo, Nervosismo e House of Cards

Começa a notar-se alguma tensão em alguns ambientes muito ortodoxos, à aproximação da reunião de 4 de Junho. A qual terá de terminar com qualquer coisa para ser anunciada como “vitória retumbante” ou então haverá “luta até à morte”, conforme a resistência.

Para que conste, as organizações sindicais resultam da vontade dos seus sindicalizados, que pagam quotas para terem algo em troca. Isso inclui os autocarros para as manifestações. No meu caso, nem por isso, porque nas poucas a que vou (confesso) uso transporte pessoal. Também nunca recorri a qualquer apoio jurídico sindical, por razões óbvias.

Andar por aí gente de mão a lançar bocas a colegas como se os sindicatos fossem dádivas aos professores (e não o contrário) é inverter por completo o sentido das coisas e da representação. Sem sindicatos, continuam a existir professores. Mas sem professores, não há sindicatos. Isto não é ser contra os sindicatos, mas sim ser contra ataques a professores por quem ser o que é porque existem professores. E não o contrário.

A esse respeito aconselho a visão de um par de episódios da primeira temporada do House of Cards em que a propósito de uma Reforma na Educação a completar nos primeiros 100 dias de um novo Presidente, se fica a perceber como as coisas funcionam nos EUA com os sindicatos a contratarem lobbystas para chefiarem as negociações com os representantes políticos. Que podem ser despedidos quando falham ou embaraçam aqueles que representam. Na série, o personagem chama-se Marty Spinelli, tem os seus momentos. Mas falha, porque se deixa enredar numa armadilha.

One thought on “Sindicalismo, Nervosismo e House of Cards

  1. Os sindicatos de Professores não representam os Professores.

    Representam os interesses dos seus respectivos partidos junto dos Professores, de modo a condicionar o voto destes últimos, os protestos na rua e tudo o mais que aos partidos der jeito.

    Também representam os próprios interesses dos sindicalistas em não dar aulas nem passar os fins de semana a corrigir testes e trabalhos.

    Na minha minúscula sala de aula, em Setembro e Outubro passados, eu suportei, com 32 alunos, os 38 graus de calor alentejano, lá fora. Qual seria a temperatura nos gabinetes dos sindicalistas?

    É por tudo isto que aos sindicalistas nunca interessará que os Professores estejam satisfeitos; se isso acontecesse, eles perdiam a razão de existir e tinham de ir trabalhar ao nosso lado.

    O resto é conversa. Agora que venha a velha Fernanda desancar no que escrevi. Porque os verdadeiros Professores sabem que eu tenho razão. As velhas Fernandas ladram e respondem à voz do dono. Eu sou livre de pensar o que bem entender. É por isso que não sou sindicalizado.

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