Há Aprendizagens Essenciais, Mas Suspendem-se Novos Manuais… Até Serem Arma de Propaganda?

Uma enorme confusão: ao que parece o ME pretendia que as editoras apresentassem novos manuais do 7º ao 9º ao mesmo tempo para poderem ser oferecidos – ou isso ser anunciado – já em 2019. Mas como os autores não conseguem, fica tudo em suspenso e deve ser uma das promessas para um próximo mandato. As equipas de autores começaram a ser informadas da coisa:

“Tendo em conta estas políticas educativas e, em particular, as de gratuitidade, reutilização e aquisição pelo Estado dos manuais escolares, o ME acaba de informar a APEL de que somente haverá adoções de novos manuais escolares em 2021 (dos 7.º e 10.º anos), para o ano letivo 2021-2022.”

stop-the-press

Caros Herdeiros da “Reitora”, Que Os Factos Nunca Interrompam As Vossas Narrativas – 3

Falácia 3 – “Pois, vocês só fazem isto com os Governos do PS, pois com a Direita e o Crato foram espezinhados e nada fizeram”.

A sério… isto é escrito com alguma frequência por alguns operacionais nas redes sociais e em comentários nos sites de jornais, sendo que até há umas semanas era usado também como argumento por alguns sindicalistas quando muito pressionados por estarem a deixar o tempo passar.

Vamos aos factos…

O XIX Governo Constitucional tomou posse a 20 de Junho de 2011. A Fenprof e outros sindicatos marcaram greve às avaliações a partir de 7 de Junho de 2013, menos de dois anos depois.

O actual Governo (XXI Constitucional) tomou posse a 26 de Novembro de 2015 e a o S.TO.P convocou greve equivalente a partir de dia 4 de Junho de 2018 e a Fenprof e outros sindicatos a partir de 18 de Junho de 2018, mais de dois anos e meio depois.

Repito-me: nunca deixem que a realidade substitua a vossa criatividade e imaginação para a escrita romanesca.

bollocks-bollocks-and-more-fucking-bollocks

 

Por Inglaterra

Teachers’ salaries

When you choose to become a teacher, you’ll be joining a profession that offers a competitive starting salary with plenty of opportunity for career progression. This means you’ll not only be making a difference, but you’ll be rewarded for your contributions with excellent opportunities to climb the career ladder and receive pay rises.

95% of newly qualified teachers (NQTs) are employed in a teaching role within six months of completing their training. As an NQT, you’ll begin on a salary of at least £22,917, or £28,660 [32,637.52 EUR] in inner London. As you rise up the pay ranges, you could earn as much as £116,738 as a headteacher, in inner London.

Schools now have more freedom to develop their own pay policies to attract and retain the teachers that have the greatest impact on their pupils’ learning. So what you’re paid will be linked to performance and not length of service – meaning you can increase your salary faster than ever before.

The pay ranges shown in the table below are for 2017/2018, and are revised annually.

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O Regresso A 2008, A Maria de Lurdes Rodrigues e ao “Estudo” de João Freire, Só Faltando Mesmo O Retorno dos Titulares

E tudo isto tem a benção, ao que consta, da ala “moderada” à ala “esquerda” (o que quer que isso signifique) do PS. A que se juntarão o PSD e CDS, não tenho qualquer dúvida.

A convicção de que não vai ser possível sair do impasse sobre a contagem do tempo de carreiras dos professores sem lançar uma discussão sobre a necessidade de alterar as regras das progressões na carreira docente está a ganhar cada vez mais força no Governo socialista. Na ala mais moderada, mas também entre a chamada ala mais à esquerda do PS, é já amplamente reconhecido o argumento de que uma progressão em apenas quatro anos é “insustentável” do ponto de vista orçamental, na expressão ouvida esta semana pelo PÚBLICO de uma fonte do núcleo mais político dos socialistas.

Aliás, basta ver como o delfim surfista de Maria de Lurdes Rodrigues explicita a ameaça de um modo claro e que não deixa qualquer margem para dúvidas (só falta aparecer o livre Rui Tavares em 2º plano a acenar que sim, que “não há recursos”):

Neste sábado, no Expresso, o ex-dirigente socialista e comentador, Pedro Adão e Silva, deixava porém um alerta para dentro do partido: “O PS, seja por estar traumatizado pela relação com os professores na anterior passagem pelo poder, seja por não querer espantar o eleitorado num contexto pós-troika, (…) partiu para esta legislatura sem uma posição clara sobre o que fazer com o sempiterno tema das carreiras dos professores. A timidez nas propostas está a sair cara. (…) As carreiras dos professores têm de ser revalorizadas, mas é também imperioso reformular uma carreira que suscita questões de equidade no contexto dos trabalhadores do Estado e que onera como nenhuma outra o erário publico. (…) [A continuar assim, como hoje] mais cedo do que tarde chegaria o momento de um novo congelamento”.

Qual é a aposta? É que os professores sejam assustados – com a colaboração até ao momento da Fenprof  – com o papão do regresso da “Direita” ao poder.

Claro que ao director do Público não ocorre sequer contestar o valor dos 600 milhões que andam por aí a papaguear e alguns adoptam como sendo sua e, por certo, “fidedigna” verdade.

É esta uma situação de “cerco” aos professores de carreira, deixando-os praticamente sem qualquer esperança de solução? Com a perspectiva de 70 anos de carreira, em nome da “equidade” com outras carreiras? Mas então as carreiras são intermutáveis? Exigem o mesmo tipo de habilitação? Têm o mesmo nível de desgaste?

Ou então levam com um novo congelamento em cima que é para se domesticarem à força?

Quase… com a agravante de isto ser barro atirado a paredes propícias a que ele fique agarrado, através da multiplicação de informação manipulada.

Se o PS está traumatizado, não parece. Apenas se nota uma razoável cobardia do “núcleo político”. Ou seja, nada melhor do que renovar-lhe a dose certa do “trauma”, antes que tenham tempo para se vingarem, como parece ser o plano desde sempre. Porque tiveram o cuidado de deixar qualquer compromisso assinado nesta matéria e o PCP e o Bloco quando decidiram entrar na geringonça sacrificaram os professores, porque têm outro tipo de causas prioritárias. Afinal, os professores fazem “trabalho intelectual” e os que estão na carreira nem são “precários”.

A “Direita” não é melhor. Neste momento, tanto se me faz. Realmente, só falta que nos apontem a porta da rua para que possam recrutar um agradecido lumpen bolonhizado e dócil.

Repito: é importante que antecipemos uma clarificação deste tema e que, de uma vez por todas a ILC chegue às 20.000 assinaturas, forçando o debate parlamentar antes da campanha eleitoral. Faltam pouco mais de 3000, tomemos nas mãos pelo menos parte do nosso destino profissional. Porque já percebemos que os do costume foram “granadeirados”.

ILC 16700

 

Caros Herdeiros da “Reitora”, Que Os Factos Nunca Interrompam As Vossas Narrativas – 2

Falácia 2 – “Os professores progridem automaticamente, sem demonstração de mérito, sem avaliação.”

Pode sempre acrescentar-se que também dizem que ganhamos muito.

Mas eu vou ficar logo pelo início que é o conceito de “progressão”. Os professores “progridem” mesmo, em termos reais? Progridem exactamente em quê? Porque eu posso sempre dizer que um esquilo passou a ser um elefante, sem que ele deixe de ser um esquilo, bichinho pelo qual tenho uma especial estima, nem que seja por causa do Tico e Teco a que tantas vezes aludi no passado durante as aulas.

Mas vamos lá, é dia do Senhor, vou-me tentar despachar com o sermão.

Não vale a pena estarmos com rodeios: o que aflige na “progressão” dos professores são os rios de dinheiro que passam a ganhar com ela. Então vamos lá verificar os factos. Há 10 anos eu estava no último ano do 4º escalão da “nova” estrutura da carreira, no índice 218. Em Maio de 2018 cheguei ao 6º escalão (10 anos para passar pelo 5º escalão que tem apenas 2 nos dados que mandam para as comparações da OCDE), índice 245. Comparem-se os recibos e invejem lá a colossal “progressão”.

Recino Maio08ReciboMai18

Apesar do líder da Fenprof ter declarado recentemente ao Jornal Económico que “os salários foram repostos integralmente”, a realidade é muito diferente (só se foi reposto o dele).

Nominalmente, o meu salário aumentou 12,1%, mas passei a receber efectivamente menos 2% do que uma década e dois escalões atrás (mais a inflação que andou perto dos 10% para este período). Já os meus descontos para o IRS/CGA/ADSE (aquilo que certos “privados” acham ser os únicos a pagar) aumentaram mais de 49%. E nem falemos dos indirectos, a começar pelos combustíveis.

A “reversão” dos cortes é uma mentira. A “reposição dos salários” uma enorme treta com chancela nogueirista.

“Progressão”, assim no sentido tradicional de algo que melhora… parece que só os descontos.

Portanto, antes de andarmos a dizer que os professores “progridem automaticamente”, definam-me o que entendem por “progressão” porque podemos estar a falar de coisas muito diferentes. Ou melhor… uns falam do que parece que lhes dizem que devem espalhar por aí, mesmo quando é gente informada, deputada, publicada e opinada, e os outros falam do que é realidade.

Aqui não há abordagens holísticas que consigam ultrapassar os factos.